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Ato em defesa da liberdade de imprensa, do jornalismo e da democracia reúne centenas de pessoas em São Paulo

Ato em defesa da liberdade de imprensa, do jornalismo e da democracia reúne centenas de pessoas em São Paulo

“Jornalismo é uma das ferramentas mais poderosas contra pessoas corruptas, autoritários contra movimentos e a tirania”, afirmou o jornalista Glenn Greenwald, principal nome do evento.

Rogério Sottili, diretor executivo do Instituto Vladimir Herzog, lembrou que regimes autoritários não são capazes de conviver com uma imprensa livre e atuante (Foto: Cadu Bazilevski)

Com informações de Eduardo Maretti, da Rede Brasil Atual

Centenas de pessoas se reuniram na noite da última segunda-feira, 9 de setembro, no salão nobre da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, no Largo São Francisco, para defender a liberdade de imprensa, o jornalismo e a democracia.

O ato, promovido por Instituto Vladimir Herzog, Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e os centros acadêmicos Lupe Cotrim (ECA-USP), Vladimir Herzog (Cásper Líbero) e XI de Agosto (Faculdade de Direito-USP), contou com a presença do jornalista Glenn Greenwald e toda a redação do site The Intercept, veículo responsável pela série de reportagens que estão denunciando irregularidades da operação Lava Jato.

Mais de duas dezenas de artistas, jornalistas, juristas e outras personalidades manifestaram ao público a preocupação com os ataques de Jair Bolsonaro e seus correligionários à liberdade de imprensa.

Em sua fala, Rogério Sottili, diretor executivo do Instituto Vladimir Herzog, lembrou que o cerceamento à liberdade de imprensa e as permanentes tentativas de censura são marcas comuns dos regimes autoritários. Sottili também prestou uma homenagem a Vladimir Herzog e seu filho, Ivo Herzog, que estava no local.

Já Glenn Greenwald, do site The Intercept, afirmou se identificar com o jornalista Vladimir Herzog, morto pela ditadura brasileira em 1975. “Um judeu imigrante como eu.” Ele definiu o entendimento do jornalismo que faz como “uma das ferramentas mais poderosas contra pessoas corruptas, autoritários contra movimentos e a tirania”. Para ele, “a única coisa que pessoas poderosas não  podem aguentar é a transparência”.

Ele também caracterizou os principais personagens das revelações da Vaza Jato: “Nunca vi arrogância como estou vendo agora com Sergio Moro e Deltan Dallagnol, falando que qualquer pessoa que revele (o teor dos documentos) está defendendo a corrupção, como se eles fossem os deuses do comportamento limpo. Isso foi a imagem que a mídia brasileira construiu nos últimos cinco anos. A realidade é totalmente diferente, como sabemos agora. A corrupção está sendo revelada só por causa de uma imprensa livre.”

Junto com a jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de S. Paulo, o norte-americano vai receber o prêmio Vladimir Herzog de 2019. Patrícia produziu as reportagens que revelaram o esquema de fake news por Whatsapp utilizado na campanha de Jair Bolsonaro em 2018.

Glenn afirmou que a coragem é “contagiosa”, e que se inspira em Eward Snowden. Em 2013 – por meio de reportagem do próprio Glenn – Snowden revelou a espionagem promovida pelos órgãos de inteligência dos Estados Unidos sobre vários governantes do mundo, inclusive a brasileira Dilma Rousseff. Citou uma frase de Snowden ao responder sobre o risco que corria ao fazer as revelações e se recusar a se esconder no anonimato: “A questão não é se vamos morrer, mas como vamos viver”.

O jornalista disse que apesar do terror que o presidente Jair Bolsonaro e aliados querem impor às pessoas, vai vencer no país “a energia de amor, solidariedade, empatia e diversidade”. Ele agradeceu a equipe do Intercept pelo trabalho desenvolvido e mencionou o papel “corajoso” da ex-candidata à vice-presidência da República Manuela D’Ávila (PCdoB), que o colocou em contato com a fonte dos arquivos da Vaza Jato. “Sem ela tudo seria impossível.”

A cineasta Laís Bodanzky declarou que representou no evento o cinema brasileiro, que está sob “ataque profundo”. “Porque temos valor econômico e simbólico. Mas o que está sendo atacado é a liberdade como um todo e o pensamento: a ciência, a cultura e a religião”.

O jurista Pier Paolo Bottini, que falou em nome do Observatório de Liberdade de Imprensa da Ordem dos Advogados do Brasil, disse que a entidade participou do evento “para defender com intransigência o estado democrático de direito”. “Estamos cansados com os vilipêndios e censuras de todos os tipos. Nem os gibis conseguem escapar dessa censura. Vamos subir em todas as tribunas e palanques e vamos lutar pelo estado democrático de direito”, prometeu.

“O jornalismo, as artes e a ciência são os três eixos do front de ataque de Jair Bolsonaro. É o verdadeiro fascismo que eles querem promover. Querem impedir o movimento estudantil de se mobilizar”, disse Iago Montalvão, presidente da União Nacional dos Estudantes.

O escritor Marcelo Rubens Paiva pediu desculpas a Glenn pelas agressões que o jornalista vem sofrendo. “Nós não somos assim”, disse. “O Intercept revelou como a ruína das instituições estão se dando nos bastidores. Abaixo a ditadura!”, disse.

Vários oradores destacaram a necessidade de união por um objetivo comum, como os jornalistas Eugênio Bucci e Reinaldo Azevedo. “Temos um consenso que nos une. A Constituição Federal nasceu porque esse país não queria mais tortura, censura e ditadura. Nisso todos estamos de acordo”, disse Bucci. Ele acrescentou que, ao fazer apologia da tortura e da morte do brigadeiro Alberto Bachelet no Chile,  ao elogiar o torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra, Bolsonaro não cumpre a palavra e ignora a Constituição, à qual um presidente jura obediência ao assumir.

“Estou aqui para celebrar o direito de divergir”, afirmou Reinaldo Azevedo. “(Mas) Lula sabe desde quando eu digo que não há provas contra ele. Quero que peguem a sentença de Moro e digam em que página está a prova contra Lula. Estou aqui para celebrar a divergência e o devido processo legal”, reforçou.

Falando como representante da Comissão Arns, o jornalista Paulo Vanucchi saudou “o Jornalismo que desvela farsas contra o Direito, a Justiça e a Constituição” e convidou o Judiciário “a retomar a sintonia com a lei e a Constituição”. “O que há de mais fundamental nesse ato que unifica e amplia é que ele tem como objetivo que cada pessoa saia daqui com a energia multiplicada por cinco para se repetirem atos como este.”

A jornalista brasileiro-palestina Soraya Misleh, ligada ao restaurante Al Janiah, disse que pediu para ter voz no evento do Largo São Francisco porque a causa palestina é um “símbolo da luta por direitos” e que os ataques sofridos pelo restaurante acontecem porque “Bolsonaro representa o sionismo explícito”.  “Refugiados e refugiadas são bem vindos. Al Janiah representa a causa palestina.”

O presidente da CUT-SP, Douglas Izzo, dirigiu-se a Glenn para afirmar que os personagens das revelações de seu jornalismo “tentam mudar a narrativa para criminalizar o seu trabalho”. Para Izzo, “não é possível dormir tranquilo enquanto Lula estiver preso”.

O escritor Walter Hugo Mãe declarou que, “no dia em que o Brasil deixar de ter diversidade, este país será uma merda como outra merda qualquer”. “Estarei sempre solidário aos povos cuja liberdade esteja afetada.” Ele saudou o país como a nação de Machado de Assis, “negro e um dos maiores escritores do mundo”.

O jurista Dalmo Dallari pediu “envolvimento de todos” na luta contra ao autoritarismo e disse considerar a “liberdade de imprensa um direito fundamental que ninguém tem o direito de restringir”.

Em mensagem enviada ao evento, o também jurista Fábio Konder Comparato lembrou o artigo 220 da Constituição, o qual prevê que os meios de comunicação não podem ser objeto de oligopólio e monopólio.  “Dezenas de anos após a Constituição, (essas determinações) continuam letra morta, pois o Legislativo não regulamenta os dispositivos”. Ele acrescentou que ações no STF pedindo o cumprimento dessas previsões “permanecem repousando no gabinete da ministra Rosa Weber”. “É fundamental que o STF dê seguimento à ação.”

Colunista do Intercept, a cientista social Rosana Pinheiro-Machado destacou que dar aula sobre ciências sociais hoje é algo visto como coisa “terrorista” (pelos adeptos de Bolsonaro) para ensinar os estudantes a fazer protestos. Contou sobre o temor de amigas professoras que relatam ter medo de levar um tiro quando aparece alguém estranho em sala de aula. “Mundo de merda. A liberdade de expressão está sendo atacada de cima pra baixo mas também quando parte da população atua como censores e linchadores.”

Segundo ela, a ameaça que paira sobre o Brasil é diferente de 64 porque, hoje, os ataques vêm de pessoas que “agem nas franjas do Estado mas (contam com) a legitimidade de um presidente da República”. “O sonho desses canalhas é se tornar ditadores, mas nós não vamos deixar”, concluiu Rosana.

Presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, Paulo Zochi defendeu a liberdade de expressão e o jornalismo livre. Afirmou que a ameaça de Bolsonaro a Glenn Greenwald de “pegar uma cana aqui no Brasil” é inaceitável. “O que incomoda Bolsonaro é que as informações (do Intercept) questionam a legitimidade de seu mandato. Temos um inimigo declarado da atividade da imprensa.”

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