Cerimônia realizada na terça (20/10), em São Paulo, premiou trabalhos que abordaram temas relevantes para a sociedade e prestou homenagem a figuras centrais do jornalismo brasileiro
A 48ª edição do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos celebrou a coragem de profissionais e equipes de jornalismo que investigam violações, denunciam injustiças e contribuem para a defesa da democracia, da liberdade de expressão e da dignidade humana. A cerimônia foi marcada por homenagens a trajetórias fundamentais do jornalismo brasileiro, com destaque para o jornalista Jamil Chade e o escritor e jornalista Zuenir Ventura.
Um dos momentos centrais da noite foi a entrega do Prêmio Especial Vladimir Herzog a Jamil Chade, cuja trajetória foi celebrada pela escritora Conceição Evaristo. Em sua homenagem, ela destacou a responsabilidade ética do jornalismo diante das guerras, das desigualdades e das narrativas que podem reproduzir violências ou contribuir para combatê-las.
“Palavras e ordens destroem, constroem e denunciam impérios”, afirmou Conceição, ressaltando a importância de um jornalismo feito com ética, coragem e compromisso com a liberdade. Em seu discurso, Jamil Chade ressaltou que a memória não diz respeito apenas ao passado, mas também à construção do futuro e às escolhas diante dos desafios do presente. Ao convocar a sociedade à resistência democrática, afirmou:
“Diante dos ventos gelados do autoritarismo, podemos ser mais uma vez a resposta e a esperança. Eu me levanto. Nós nos levantamos. Viva a democracia.”
A cerimônia também prestou homenagem a Zuenir Ventura, jornalista e escritor que dedicou mais de seis décadas à compreensão do Brasil, à denúncia das injustiças e à defesa da democracia. A homenagem foi conduzida por Flavia Oliveira, jornalista e conselheira do Instituto Vladimir Herzog, que emocionou o público ao recordar a trajetória profissional e a atuação pública do mestre Zuenir.
Flavia destacou a relação entre Zuenir Ventura e Vladimir Herzog, colegas na revista Visão no início dos anos 1970, unidos também pela experiência da repressão durante a ditadura. Lembrou reportagens e obras fundamentais do homenageado, como 1968: o ano que não terminou, e Cidade Partida, que ajudaram a compreender as contradições brasileiras, a violência e as desigualdades sociais.
“Democracia e Zuenir são sinônimos”, afirmou Flavia, recordando a dedicação do jornalista à luta democrática e à defesa dos direitos humanos. Ao encerrar sua homenagem, convocou as novas gerações a manterem o entusiasmo, a persistência, a coerência e o afeto como formas de resistência. Recuperou, ainda, uma frase de Zuenir que permanece atual:
“É preciso levantar o ânimo, porque o medo é mau conselheiro”
Jornalismo que dá visibilidade às violações
Os trabalhos vencedores e as menções honrosas desta edição abordaram temas essenciais para a agenda de direitos humanos: violência policial, racismo, fome na Palestina, direito ao aborto legal, remoções urbanas, exploração de territórios indígenas, trabalho escravo e violência contra as mulheres.
Entre os destaques estão produções como Palestina, da abundância à fome, de O Joio e O Trigo; Moinho de Gente: a expulsão da última favela do centro de São Paulo, do Intercept Brasil; Trabalho escravo doméstico: silêncio e servidão, da TV Brasil; e Parto ou sentença?, da Revista AzMina. Na categoria Livro-reportagem, a vencedora foi Ana Paula Araújo, com Agressão.
Criado em memória de Vladimir Herzog, jornalista assassinado pela ditadura militar em 1975, o prêmio reafirma, a cada edição, a importância da imprensa na investigação de violações, na preservação da memória e na defesa das liberdades democráticas.
O Instituto Vladimir Herzog parabeniza todas as pessoas e equipes premiadas e homenageadas e reafirma seu compromisso com a memória, a verdade, a justiça, a liberdade de expressão e a defesa intransigente dos direitos humanos.
Democracia se constrói com um jornalismo comprometido com os direitos humanos.
O jornalismo que defende os direitos humanos precisa de apoio para continuar existindo. Ao fazer uma doação, você fortalece iniciativas como o Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos e ajuda a manter viva a luta por democracia, memória e justiça.