22/09/2026

Nota de pesar: Zuenir Ventura, um imortal da democracia e da memória brasileira

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O Instituto Vladimir Herzog recebe com profunda tristeza a notícia da morte de Zuenir Ventura, nesta terça-feira (22), aos 95 anos, no Rio de Janeiro.

Imortal da Academia Brasileira de Letras, ele foi um imortal também de tantas outras formas: da imprensa brasileira, da luta democrática e da memória deste país.

Zuenir foi muito mais do que um jornalista de enorme importância para a história da imprensa brasileira. Foi nosso conselheiro, amigo e, sobretudo, alguém que manteve viva a memória de Vlado e os valores que os uniram ao longo de suas trajetórias.

Colegas na revista Visão, no início dos anos 1970, Zuenir e Vlado assinaram juntos a reportagem sobre o “vazio cultural” imposto pela ditadura. Anos depois, em 2020, ao escrever para o Instituto, Zuenir resumiu em poucas palavras a dimensão daquele vínculo: “Vlado foi pra mim na [Revista] Visão quase um irmão.”

Ao longo de mais de seis décadas de jornalismo, Zuenir cultivou uma curiosidade incansável e um olhar atento para compreender o Brasil em suas muitas camadas e contradições.

Sua trajetória também se entrelaça profundamente com a história da luta pela democracia e pelos direitos humanos no Brasil. Em 1976, esteve entre os mais de mil jornalistas que assinaram o “Manifesto Em nome da Verdade”. Em 1989, recebeu o Prêmio Vladimir Herzog pela série “O Acre de Chico Mendes”, e em 2008 foi um dos cinco homenageados com o Troféu Especial de Imprensa ONU, nos 30 anos do Prêmio.

Zuenir esteve ainda no lançamento do Instituto Vladimir Herzog, em 2009, oferecendo seu testemunho e sua presença a uma história que ajudou a construir. Mais tarde, prefaciou Pássaro Sem Rumo, publicado pela Editora IVH nos 40 anos da morte de Vlado.

Repórter de “1968”, de “Chico Mendes” e de “Vigário Geral”, Zuenir fez do jornalismo um compromisso com seu tempo e com a memória daqueles que não poderiam ser esquecidos. Sua escrita ajudou a contar o Brasil, suas feridas, suas lutas e sua esperança.

Zuenir parte, mas sua voz permanece nas páginas que escreveu, nas histórias que contou, nas pessoas que formou e nas memórias que ajudou a preservar.

Hoje, o Instituto Vladimir Herzog se despede de um amigo querido, cuja presença permanecerá entre nós nas histórias que contou, nas memórias que ajudou a preservar e nos valores que defendeu ao longo de toda a vida. Nosso carinho e solidariedade a Mary, Mauro, Elisa e a todos os familiares, amigos e companheiros que tiveram o privilégio de compartilhar a vida com Zuenir.

Que sua memória, seu jornalismo e seu compromisso com a democracia sigam conosco.

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