Ivo e André Herzog no ato inter-religioso “50 Anos Por Vlado” – Foto: Scarlett Rocha/IVH
12/01/2026

Memória, verdade e reparação: filhos de Herzog são reconhecidos como anistiados políticos

Compartilhar:

O Instituto Vladimir Herzog recebe com profundo respeito e sentido de justiça histórica a decisão do Estado brasileiro de reconhecer Ivo e André Herzog como anistiados políticos. O ato, publicado oficialmente no dia 12 de janeiro de 2026 por meio das portarias Nº 24 e Nº 25, DE 7 DE JANEIRO DE 2026, assinadas pela ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, representa mais um passo essencial no processo de reparação pelas graves violações cometidas durante a ditadura militar.

O assassinato do jornalista Vladimir Herzog, em 1975, nas dependências do DOI-Codi, foi um marco da violência de Estado e da perseguição sistemática a quem defendia a democracia, a liberdade de expressão e os direitos humanos. As consequências desse crime não se limitaram à perda irreparável de uma vida, mas se estenderam por décadas à sua família, submetida à dor, ao silenciamento e à injustiça.

O reconhecimento de Ivo Herzog e André Herzog como anistiados políticos, acompanhado do pedido oficial de desculpas do Estado brasileiro, reafirma que a violência política deixa marcas profundas e intergeracionais, demonstrando que a democracia só se fortalece quando essas feridas são acolhidas, nomeadas e reparadas.

Essa decisão dá continuidade a um processo histórico iniciado com o reconhecimento de Vladimir Herzog como anistiado político em 2025 e com a reparação concedida à sua companheira de vida, Clarice Herzog, cuja luta incansável transformou dor em resistência e memória em compromisso público.

A atuação da Comissão de Anistia reafirma a importância das políticas de memória, verdade e justiça como fundamentos de um Estado que se recusa a apagar seu passado autoritário. Não se trata apenas de indenização material, mas do reconhecimento oficial da responsabilidade do Estado por crimes que jamais podem ser relativizados ou esquecidos.

O Instituto Vladimir Herzog seguirá trabalhando para que a memória das vítimas da ditadura militar não seja silenciada e para que o Brasil avance na construção de um futuro em que violações de direitos humanos nunca mais se repitam.

Compartilhar:

Ir para o conteúdo