DOE AGORA

IVH saúda Rita Sipahi, que depois de dez anos deixa a Comissão de Anistia

IVH saúda Rita Sipahi, que depois de dez anos deixa a Comissão de Anistia

Dificuldades impostas pelo governo Bolsonaro à Comissão de Anistia fazem com que uma das mais icônicas defensoras do direito à memória e à verdade no Brasil deixe o órgão depois de quase uma década.

O Instituto Vladimir Herzog vem a público saudar Rita Sipahi, incansável defensora dos direitos humanos que anunciou a decisão de deixar a Comissão de Anistia – entidade na qual atuou por mais de uma década e foi fundamental para que os avanços ligados ao direito à memória e à verdade que a comissão proporcionou fossem alcançados.

Rita foi uma das vítimas da violência de Estado instaurada durante a ditadura militar: no início dos anos 1970 foi perseguida e, ao lado da ex-presidente Dilma Rousseff, ficou quase um ano presa na “torre das donzelas” – alcunha pela qual era conhecida a ala feminina do presídio Tiradentes, em São Paulo.

Desde então, ela se tornou uma referência para todas as entidades que – como o Instituto Vladimir Herzog – têm como compromisso fazer com que a História do país seja profundamente conhecida para sermos capazes de compreender os reflexos da ditadura nos dias de hoje e, assim, defender irrestritamente a democracia.

Rita Sipahi é dessas figuras que permanentemente nos inspiram e que, certamente, permanecerão ao nosso lado nas trincheiras de defesa da democracia, dos direitos humanos e da liberdade de expressão. O momento atual, no Brasil e em todo o mundo, é de avanço das forças conservadoras e de permanentes ameaças a valores democráticos. Os problemas enfrentados pela Comissão de Anistia e, em geral, por todos aqueles que ousam defender os direitos humanos são passageiros. Nossa disposição em seguir lutando por um país mais justo e socialmente responsável, por sua vez, é eterna.