Festival de Cultura e Direitos Humanos promovido pelo Instituto Vladimir Herzog acontece de 29 de julho a 3 de agosto, com programação gratuita em vários espaços de São Paulo
A 6ª edição do DH Fest — Festival de Cultura e Direitos Humanos ocupa São Paulo de 29 de julho a 3 de agosto com uma programação gratuita que reúne cinema, teatro e música em torno do tema “Futuros em disputa: quem tem direito ao amanhã?”. Promovido pelo Instituto Vladimir Herzog e a Pardieiro Cultural, com produção executiva da Circus Produções, o festival terá show de Tom Zé no Largo da Misericórdia, apresentação da Fanfarra As Obscênicas, DJ set do coletivo Calefação Tropicaos, o espetáculo “Ideias para Adiar o Fim do Mundo”, sessões de longas e curtas-metragens e a entrega do Prêmio Marimbás a Emicida no encerramento.
No cinema, a programação abre com a pré-estreia do longa-metragem “Anistia 79”, novo documentário de Anita Leandro, no Cine Reserva Cultural. O filme parte de imagens registradas por exilados brasileiros durante a Conferência Internacional pela Anistia no Brasil, realizada em Roma, em 1979, para retomar o debate sobre a ditadura, seu legado repressivo e a impunidade de torturadores. Um dos destaques é a première mundial de “Blackout”, no qual o diretor Daniel Augusto promove uma reflexão sobre a emergência climática e suas consequências políticas, econômicas e sociais. A obra conta com participações de Eduardo Viveiros de Castro, Déborah Danowski, Luiz Marques, Rodrigo Nunes e Alyne Costa, entre outros. A seleção também inclui “Arquivo Vivo”, de Ana Carvalho e Vincent Carelli, sobre a devolução de imagens do acervo do Vídeo nas Aldeias a povos indígenas; “A Fabulosa Máquina do Tempo”, de Eliza Capai, ambientado no sertão do Piauí; “Lendo o Mundo”, de Catherine Murphy e Iris de Oliveira, sobre a experiência de alfabetização liderada por Paulo Freire em Angicos-RN; e “Amazônia Oktoberfesta”, de Sérgio Oliveira e Felipe Drehmer, sobre os impactos de um projeto de ocupação da Amazônia iniciado durante a ditadura militar.
A programação musical acontece em 2 de agosto, no Palco Petrobras, no Largo da Misericórdia, junto à Casa de Francisca, no centro paulistano, com entrada gratuita. Chamado de Baile Futurista, o encontro começa às 15h, com Calefação Tropicaos, segue às 18h, com a Fanfarra As Obscênicas, e termina às 19h30, com show de Tom Zé, um dos nomes centrais da Tropicália e da música brasileira experimental.
“Montamos uma programação musical que é uma ode ao futuro que queremos para a cidade: mais livre, mais misturada e mais ocupada. Do calor da pista do coletivo Calefação Tropicaos à força carnavalesca d’As Obscênicas, chegando ao eterno revolucionário Tom Zé, fizemos um verdadeiro baile futurista que celebra a rua como espaço de imaginação, disputa e alegria coletiva”, afirma Leandro Pardi, curador musical do festival.
O festival também leva ao Centro Cultural São Paulo o espetáculo “Ideias para Adiar o Fim do Mundo”, no dia 31 de julho, às 20h. No encerramento, em 3 de agosto, no Espaço Petrobras de Cinema, será entregue o Prêmio Marimbás a Emicida. Criado no âmbito do DH Fest, o prêmio reconhece artistas e personalidades da cultura cujas trajetórias dialogam com os direitos humanos. O nome faz referência a “Marimbás”, curta-metragem dirigido por Vladimir Herzog, e o troféu foi criado por Laerte.
A edição deste ano do DH Fest parte de um manifesto que questiona a distribuição desigual do direito ao futuro. O texto curatorial afirma que há quem herde terras, direitos e oportunidades, enquanto outras pessoas precisam lutar todos os dias para existir no presente e reivindicar o amanhã. Com filmes, música, teatro, encontros e celebrações, o DH Fest propõe olhar para o futuro como território em disputa, atravessado por memória, desigualdades, democracia, crise ambiental, povos indígenas, periferias, juventudes e direito à imaginação política.
“O DH Fest pergunta quem tem direito ao amanhã e leva essa questão para a cidade por meio da cultura. A programação aproxima cinema, teatro, música e memória para discutir os futuros que estão sendo disputados agora — nas lutas indígenas, nas periferias, na defesa da democracia, na educação, no enfrentamento à violência e na preservação dos territórios. É um convite para que o público participe desta conversa e reconheça a cultura como espaço de elaboração pública sobre o país que estamos construindo”, afirma a curadora Carolina Vilaverde, do Instituto Vladimir Herzog.
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