08/02/2021

Nair Keiko Suzuki

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A pergunta feita foi: em que circunstâncias você assinou o documento? Por intermédio de quem o recebeu, onde trabalhava, que idade tinha etc.

Nair Keiko Suzuki

Decidi ser jornalista quando estava no último ano do curso colegial, em 1967. Para minha sorte, a Universidade de São Paulo tinha acabado de criar a Escola de Comunicações e Artes – ECA-USP. Prestei vestibular e entrei para a segunda turma da faculdade de Jornalismo. Estávamos em 1968, em plena ditadura militar, ano em que fervilhava o movimento estudantil. Eu ia para a Cidade Universitária, mas em vez de aulas ficávamos em assembleias para discutir o movimento e participávamos, com estudantes de outras universidades, de passeatas de protesto contra o governo. Depois, enquanto tentávamos manter uma vida normal, fazendo o curso, recebíamos informações sobre colegas presos a caminho da universidade, de presos perseguidos e torturados. Alguns teriam se suicidado após serem submetidos a fortes sessões de tortura. Por esta estreia na vida acadêmica é que a morte de Vladimir Herzog, em outubro de 1975, provocou a mim e aos meus ex-colegas uma profunda indignação. Quando foi lançado o manifesto “Em Nome da Verdade” não hesitamos em assiná-lo e colaborar para a sua divulgação. Estávamos no início de 1976 e eu tinha 26 anos de idade. Recém-casada, era jornalista formada, com registro profissional no Ministério do Trabalho e emprego fixo na Folha de S. Paulo

5/2/2021

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