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Instituto Vladimir Herzog repudia ataques de Bolsonaro ao presidente da OAB

Instituto Vladimir Herzog repudia ataques de Bolsonaro ao presidente da OAB

O Instituto Vladimir Herzog vem a público repudiar a mais recente declaração de Jair Bolsonaro. Nesta segunda-feira, o presidente da República disse que poderia explicar a Felipe Santa Cruz, presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), como seu pai desapareceu durante a ditadura militar.

Felipe Santa Cruz, atual presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), é filho de Fernando Augusto Santa Cruz de Oliveira, desaparecido em fevereiro de 1974, depois de ter sido preso no Rio de Janeiro por agentes do DOI-CODI – o órgão de repressão do governo brasileiro durante o regime militar. Até hoje, nunca houve confirmação oficial do que realmente aconteceu com ele.

Fernando era filho de Elzita Santa Cruz, ícone feminino da resistência à ditadura militar brasileira e da defesa dos direitos humanos, que morreu em junho de 2019, com 105 anos. Elzita repetia insistentemente a pergunta: “Onde está meu filho?” e dizia não ter medo de encontrar quem matou Fernando; queria o direito de enterrá-lo. “É uma dor muito grande porque o único crime que Fernando cometeu foi defender a igualdade social, essas coisas pelas quais deveríamos lutar até hoje”, disse em entrevista ao Diário de Pernambuco em 2009.

É de se lamentar profundamente que crimes como o desaparecimento forçado de Fernando Augusto Santa Cruz, que marcaram um dos mais terríveis períodos da história do nosso pais, sejam tratados de forma tão leviana, especialmente por quem hoje ocupa a presidência da República.

Entre 1964 e 1985, graves crimes contra a humanidade foram perpetrados por agentes do Estado brasileiro. Seus autores, no entanto, nunca foram julgados e as circunstâncias de boa parte desses crimes seguem sem esclarecimento. A tarefa permanente de fortalecer a democracia no país é indissociável dos deveres do Estado brasileiro de revelar a verdade sobre os crimes do período e de assegurar justiça a todos que sofreram com a violência de seus agentes.

Por isso, o Instituto Vladimir Herzog exige que as autoridades responsáveis investiguem a fala do presidente da República e possam, finalmente, dar uma resposta aos familiares de Fernando Augusto Santa Cruz e à toda sociedade brasileira sobre mais este crime cometido durante a ditadura militar.

Prestamos nossa solidariedade a Felipe Santa Cruz e reafirmamos nossa mais determinada disposição em seguir lutando pelos direitos humanos, o que inclui o direito à memória, à verdade e à justiça em relação às graves violações de direitos humanos ocorridas durante a ditadura militar.