08/05/2026

IVH lamenta a morte de Toninho Eustáquio, que revelou a verdade sobre a Vala de Perus

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Essa semana, com pesar, nos despedimos de Toninho Eustáquio, figura fundamental para a memória, a verdade e a democracia no Brasil. Antônio Pires Eustáquio faleceu em 6 de maio de 2026, em Perus, São Paulo (SP).

Administrador do Cemitério Dom Bosco entre as décadas de 1970 e 1990, Toninho teve papel decisivo na localização da Vala Clandestina de Perus. Com coragem e persistência, ajudou familiares na busca por desaparecidos políticos e revelou ao jornalista Caco Barcellos a existência e a localização da vala, aberta publicamente em 1990.

Pudemos homenagear Toninho no projeto “Vala de Perus: Uma biografia”, que reúne essa história em diferentes formatos no Portal Memórias da Ditadura, entre eles o podcast “Vala de Perus”, disponível nas plataformas de áudio.

“Quando soube disso, Toninho, que ainda não era funcionário do cemitério na época da exumação em massa, contara um a um os nomes que tiveram seus despojos exumados entre 1975 e 1976 e sobre os quais não constava nenhuma informação referente a reinumação. Chegou ao número aproximado de 1.500 indigentes. Era como se todos eles tivessem sumido aos olhos do Estado. Eles estavam ali, mas não estavam. Haviam desaparecido pela segunda vez.”
Vala de Perus: uma biografia. Por Camilo Vannuchi. Cap. 1 – A Abertura.

A descoberta expôs 1.049 remanescentes ósseos de pessoas enterradas como indigentes, entre elas vítimas da Ditadura Militar e da violência policial. Seu compromisso com os direitos humanos foi essencial para que a verdade viesse à tona.

O Instituto Vladimir Herzog manifesta solidariedade à família, aos amigos e a todas as pessoas que compartilharam de sua trajetória. O legado de Toninho permanece vivo na luta por memória, justiça e direitos humanos e nos inspira a seguir na resistência coletiva contra todas as formas de autoritarismo do passado e do presente.

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