25/10/2021

Wílson Moherdaui

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Em 1976, aos 25 anos, eu trabalhava no Estadão e recebi a notícia do assassinato do Vlado pelo Fernando Morais, o Fernando Bê, meu amigo querido desde os tempos do Jornal da Tarde e, ele mesmo, caçado pelo DOI-Codi naqueles dias. Fui ao enterro, no cemitério israelita, e me lembro do clima de terror, apreensão e indignação que tomou conta dos poucos amigos que estiveram lá. Alguns, como Anthony de Christo e Paulo Markun, tinham sido levados das celas para lá, escoltados por agentes da repressão. Outros vários agentes, misturados às poucas pessoas presentes, não faziam a menor questão de disfarçar o papel que desempenhavam ali.

Na redação do Estadão ajudei no fechamento da edição extra do jornal Ex-, em novembro de 1975.

Fui ao culto ecumênico na Catedral da Sé, onde cheguei depois de passar por várias barreiras policiais.

Nos dias que se seguiram à morte do Vlado participei com mais alguns amigos da montagem de um plano de fuga para o Fernando, que dentre outras opções incluía uma viagem de carro para o Paraguai, que acabou descartada. O Fernando, aliás, acabou não sendo preso.

2/6/2021.

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