29/01/2021

Brasil teve recorde de ataques à imprensa em 2020, aponta Fenaj

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Relatório anual da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), publicado nesta semana, registra 428 ataques a jornalistas só em 2020, mais que o dobro do ano anterior.

Bolsonaro lidera ataques, e Fenaj associa explosão de casos a ações do presidente para desacreditar a mídia.

O Brasil foi novamente palco de uma intensa campanha de ataques à liberdade de imprensa em 2020, aponta relatório divulgado pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) nesta terça-feira (26/01). Ao todo, foram 428 ataques contra jornalistas, veículos e a imprensa em geral. Entre os ataques estão agressões verbais, físicas e virtuais, censura, intimidações, ameaças, assédio judicial, atos de descredibilização da imprensa e até assassinatos.

O número é 105,77% superior ao registrado em 2019, quando a entidade listou 208 ocorrências. É o número mais alto desde 1990, quando a Fenaj começou a coletar os dados.

Segundo a entidade, tal como ocorreu em 2019, o presidente Jair Bolsonaro foi mais uma vez o principal ator dos ataques, sendo responsável por 175 casos (40,89% do total). Nesse cálculo estão 145 ataques genéricos e generalizados a veículos de comunicação e a jornalistas; 26 casos de agressões verbais; um caso de ameaça direta a jornalistas; uma ameaça à TV Globo; e dois ataques à Fenaj.

A entidade ainda aponta que o comportamento e as políticas de Bolsonaro também continuam a incentivar em 2020 que seus auxiliares e apoiadores “adotassem a violência contra jornalistas como prática”.

“A explosão de casos está associada à sistemática ação do presidente da República, Jair Bolsonaro, para descredibilizar a imprensa, e à ação de seus apoiadores contra veículos de comunicação social e contra os jornalistas. Ela começou em 2019 e agravou-se em 2020, quando a cobertura jornalística da pandemia provocada pelo novo coronavírus foi pretexto para dezenas de ataques do presidente e dos que o seguiram na negação da crise sanitária”, aponta a federação.

A Fenaj ainda citou que ocorreram dois assassinatos de jornalistas em 2020, mesmo número de 2019. O relatório afirma que “o registro de duas mortes de jornalistas, por dois anos seguidos, é evidência concreta de que há insegurança” para o exercício profissional.

Os jornalistas assassinados em 2020 foram Léo Veras, que publicou reportagens sobre crime organizado na fronteira com o Paraguai, e Edney Neves, que atuava na campanha à reeleição da prefeitura de Peixoto de Azevedo (MT).

Clique aqui para acessar o relatório da Federação Nacional dos Jornalistas na íntegra.

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