CORRIDA POR MANOEL

CORRIDA POR MANOEL

Homenagem jornalístico-esportiva a Manoel Fiel Filho, operário assassinado há 40 anos pela ditadura militar

O jornalista, escritor e maratonista Rodolfo Lucena realiza uma homenagem jornalístico-esportiva a MANOEL FIEL FILHO, operário metalúrgico assassinado nos porões da ditadura militar há 40 anos. Manoel foi morto sob tortura no dia 17 de janeiro de 1976 no Doi-Codi de São Paulo.

Para marcar a data, Rodolfo faz a CORRIDA POR MANOEL, 40 dias de corridas por percursos significativos para a vida e a morte do operário assassinado três meses depois da execução de Vladimir Herzog.

Em muitos desses trajetos, que relembrarão a luta contra a ditadura, pela democracia, pela liberdade e pela justiça, o maratonista será acompanhado por convidados. Vamos visitar, por exemplo, o Monumento em Homenagem aos Mortos e Desaparecidos no Regime Militar, instalado no Ibirapuera e criado por iniciativa da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania, por meio da Coordenação de Políticas de Direito à Memória e à Verdade.

Além de familiares de Manoel, estão convidados os advogados Samuel Mac Dowell e Marco Antonio Rodrigues Barbosa, que representaram a família deManoel em processo contra a União, o ex-preso político e diretor do Núcleo Memória Maurice Politi e a coordenadora do Memorial da Resistência, Katia Regina Neves.

“Consideramos que o grande valor da Corrida por Manoel Fiel Filho é justamente por ser uma forma original de resistência política contra o esquecimento e, portanto, pela preservação da memória”, afirma Katia.

E Maurice acrescenta: “Homenagear Manoel Fiel Filho, 40 anos após seu brutal assassinato, com essa corrida simbólica, significa resgatar a luta dele como operário metalúrgico, trabalhador consciente de seu papel, e de todos aqueles que deram a vida em favor do fim de um dos regimes mais violentos que tivemos no Brasil republicano”.

A largada da CORRIDA POR MANOEL será em ato no Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo (rua Galvão Bueno, 782), às 8h da próxima quarta-feira, 17 de fevereiro. A partir dali sairemos na primeira jornada, uma caminhada em memória da vida e da morte do operário.

“Importante esse resgate da luta e da vida de Manoel Fiel Filho”, diz Miguel Torres, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo. “Oportuno num momento em que as novas gerações não têm acesso ou conhecimento de nossa história.”

Cada trajeto será registrado em foto e vídeo; reportagem sobre o percurso de cada dia, com entrevistas e documentação histórica, será publicada no blog especialmente desenhado para o projeto CORRIDA POR MANOEL. O endereço é http://lucenacorredor. blogspot.com

Rodolfo Lucena, 59, é gaúcho de Porto Alegre e estava fazendo o vestibular para jornalismo quando Manoel foi assassinado. Ultramaratonista, fez mais de 30 provas de longa distância, da maratona a corridas de cem quilômetros. É autor de “Maratonando” (Record, 2006) e “+Corrida” (Publifolha, 2009). Repórter da “Folha de S. Paulo”, é colunista da revista de corrida “O2” e blogueiro; desenvolve o projeto Maratonando com o MST, de corridas em assentamentos e acampamentos dos sem terra (http://mstmaratonando. wordpress.com).

Fale com ele pelo e-mail lucena.rodolfo@gmail.com, pelo telefone (011) 98405-1476 ou pelas redes sociais

rodolfo

Jornalista, escritor e maratonistaRodolfo Lucena

História de Manuel Fiel Filho
Operário metalúrgico morto em 1976 pela ditadura militar. Vivia na capital paulista desde os anos 1950. Tinha trabalhado como padeiro e cobrador de ônibus antes de se tornar operário metalúrgico, quando passou a exercer a função de prensista na Metal Arte, no bairro da Mooca, aos 19 anos.

Em janeiro de 1976 foi preso por dois agentes do DOI-Codi, na fábrica, sob a acusação de pertencer ao Partido Comunista Brasileiro (PCB). No dia seguinte à sua prisão, os órgãos de segurança emitiram nota oficial afirmando que Manuel havia se enforcado em sua cela com as próprias meias. Porém, de acordo com colegas, quando preso, usava chinelos sem meias.

Quando os parentes conseguiram a liberação do corpo para ser enterrado, verificou-se que apresentava sinais evidentes de torturas, principalmente na região da testa, nos pulsos e no pescoço. No entanto, o exame necroscópico, solicitado pelo delegado de polícia Orlando D. Jerônimo e assinado pelos legistas José Antônio de Mello e José Henrique da Fonseca, simplesmente confirmava a versão oficial do suicídio. As circunstâncias de sua morte são muito semelhantes às de Alexandre Vannucchi Leme e Vladimir Herzog. As evidentes torturas provocaram o afastamento do general Ednardo d’Ávila Melo, ocorrido três dias após a divulgação de sua morte.

Em ação judicial movida pela família, a União foi responsabilizada pela tortura e pelo assassinato. Segundo relato de sua esposa, no dia seguinte de sua prisão, um sábado, às 22 horas, um desconhecido, dirigindo um Dodge Dart, parou em frente à sua casa e, diante dela, suas duas filhas e alguns parentes, disse secamente: “O Manuel suicidou-se. Aqui estão suas roupas”. Em seguida, jogou na calçada um saco de lixo azul com as roupas do operário morto. Sua mulher então teria começado a gritar: “Vocês o mataram! Vocês o mataram!”.

De acordo com um documento confidencial encontrado nos arquivos do antigo Dops de São Paulo, seu crime seria receber o jornal Voz Operária. A vida e a morte de Manuel são a base do documentário Perdão mister Fiel – o operário que derrubou a ditadura no Brasil, que mostra a atuação dos Estados Unidos na caça aos comunistas e nas ditaduras militares na América do Sul.

Fonte – Memórias da Ditadura

 

 

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