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Discurso da solenidade do 34º Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog 23/10/2012

Discurso da solenidade do 34º Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog 23/10/2012

Na solenidade de entrega do 34º Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, que homenageou os jornalistas Alberto Dines e Lúcio Flávio Pinto com o Prêmio Especial “pelos relevantes serviços prestados à causa da Democracia, da Paz, da Justiça e contra a Guerra”, foram feitos os seguintes pronunciamentos:

Coube ao jornalista Audálio Dantas fazer a saudação aos dois homenageados da noite. Ao falar sobre Lúcio Flávio Pinto, ressaltou a importância do Jornal Pessoal que, em 25 anos de publicação, tem sido uma das principais fontes de referência sobre a Amazônia. Segundo ele, para se conhecer profundamente a região nos dias atuais, há de se consultar o que escreve Lúcio Flávio em seu jornal e em seus livros. “É uma instituição amazônica [para] quem quiser saber sobre a Amazônia, principalmente o que a Amazônia tem de riqueza e de pobreza, essa pobreza que se choca com essa riqueza, essa riqueza que é explorada de todas as maneiras, e muitas vezes de maneira ilegal”, afirmou.

E ressaltou: “O Lúcio Flávio é o único que sustenta hoje, no Brasil, um jornal que se pode chamar de alternativo, porque faz esse jornal sozinho há 25 anos desde o momento em que as suas matérias, a maioria das quais de críticas severas contra a exploração desordenada e violenta da Amazônia, não encontravam mais espaço nos veículos da grande imprensa. Então, ele resolveu fazer o seu jornal, que não aceita publicidade, porque ele considera que, ao aceitar, assume compromisso que sua consciência não permite”.

Destacou a coragem de Lúcio Flávio em continuar a exercer seu jornalismo mesmo pressionado pelas ações que estão em curso nos dias atuais. “O Lúcio Flávio é vítima daquilo que chama hoje, no Brasil, de censura togada. São aqueles juízes que, acima da Constituição, mandam jornalistas se calar. Ele nunca se calou e por isso…” Citou especialmente a condenação sofrida pelo jornalista em indenizar os herdeiros do megaempresário Cecílio do Rego Almeida, mesmo tendo sido comprovadas as denúncias feitas por Lúcio da grilagem de 5 milhões de hectares na região do Xingu; e mesmo que a justiça federal tenha determinado o cancelamento de todos os registros de terras feitos de forma fraudulenta, conforme procedimentos apurados e publicados por Lúcio Flávio em seu jornal, em 1999.

“Continua valendo [a condenação], porque ele não tinha o dinheiro para pagar essa indenização. Mas ela produziu, ao mesmo tempo, um formidável movimento de solidariedade que se espalhou por todo o país, principalmente por jornalistas que disseram: ‘Todos nós somos Lúcio Flávio Pinto’. É esse camarada aqui”, apontou para Lúcio Flávio, sendo bastante aplaudido pela plateia. “Isto valia ser dito aqui, porque simboliza um protesto contra essa censura que permanece, aqui e ali, em defesa, na maioria das vezes, de interesses peculiares”, encerrou.

Dantas, ao se referir a Alberto Dines, apontou a sua dedicação à causa do jornalismo brasileiro, desde os anos de 1950. “Ele tem sido um mestre”, enfatizou. “Quando o jornalismo brasileiro passava por modificações importantes, principalmente no Rio de Janeiro, ele foi um dos profissionais da linha de frente dessas transformações, passando por várias publicações, entre as quais, a Última Hora, que é enfim uma revolução jornalística; e depois a transformação do Diário da Noite. E já no começo dos anos 60, em 1962, seria o editor-chefe, o tocador da maior reforma jornalística já ocorrida no país, no século passado, que foi o Jornal do Brasil”, relembrou. Também ressaltou o pioneirismo e a competência de Dines no exercício da crítica da mídia, na direção do portal Observatório da Imprensa.
(Extraído do blog somostodoslucioflaviopinto)

Discurso de Alberto Dines

O melhor prêmio que se pode conceder a um jornalista é a oportunidade para seguir trabalhando. Somos escravos do efêmero, vítimas da fragmentação. Assim como fazem com equipamentos, querem nos condenar à obsolescência, isto é, nos desativar. O reconhecimento é a nossa chance – ainda que fugaz — de avisar que estamos atentos, ativos, portanto vivos. Este privilégio vale mais do que medalhas de ouro – aliás, a única que recebi nos últimos 60 anos foi roubada num arrastão no meu prédio. Este momento jamais nos será roubado, vale mais do que ouro.

Também sabemos conviver com os holofotes, sobretudo em ocasiões como esta em que o inspirador deste prêmio, os objetivos da premiação e os companheiros premiados simbolizam os mais preciosos valores da arte jornalística — solidariedade, decência, dedicação.

Esta é uma festa, mas não devemos esquecer a suprema ironia de, sendo arautos das mudanças, somos também suas primeiras vítimas. Cultores da palavra livre estamos aprisionados por um palavrório vazio e perverso, geralmente composto por neologismos como “monetização”, “modelo de negócios”, “terceirização”, “out-sourcing”, sinergia, “aliança estratégica”.

Éramos marginais no início, em seguida fomos reconhecidos como trabalhadores, depois nos transformaram em PJs, agora querem que sejamos empreendedores. Tudo bem, seremos empreendedores, mas pelo menos facilitem a desconcentração, abram espaços. Mas, por favor, não despachem nossos jornais para as nuvens virtuais porque de lá voltarão emitindo grunhidos com 140 caracteres.

O Senhor Mercado imagina que o mundo é movido por gadgets, o Senhor Mercado engana-se mais uma vez: o mundo é movido por idéias, por gente. Socrates, pai da filosofia, não conhecia as tecnologias de informação, não sabia ler nem escrever, estava apenas conectado com a condição humana e inventou o diálogo.

A informação hoje ou é codificada através de números ou glamourizada pela informalidade. Inovação é um vale-tudo que virou retrocesso. O jornalismo forjado na esfera do espírito e da moral está a reboque da banalidade. Éramos os buscadores da verdade, hoje querem de nós apenas meias-verdades. Às vezes, nem isso, apenas meias meias-verdades. Desde que abençoadas pelo capelão da empresa. Deo gratias

Mesmo assim, estamos aqui, sob a égide de um idealista chamado Vladimir Herzog, irmanados pelo compromisso de restaurar o acontecido. Não somos juízes, mas sabemos desencavar destroços e com eles contar histórias. É a nossa especialidade.

A absurda tese do suicídio de Vladimir Herzog foi derrubada trinta e sete anos depois. Foi morto nas dependências de uma repartição militar onde se apresentou voluntariamente um dia antes. Mas não podemos esquecer que semanas antes Vladimir Herzog foi submetido a um autêntico bullying jornalístico por um profissional da imprensa marrom chamado Claudio Marques que sugeria cinicamente sua internação no “Tutóia Hilton”, nefanda alusão à localização do Doi-Codi.

Herzog era tímido, não me conhecia, pediu a Zuenir Ventura que me contasse a campanha de difamação contra ele empreendida pelo colunista do “Shopping News”. Fiz uma denúncia no “Jornal dos Jornais”, não adiantou: uma semana depois, Vladimir Herzog foi assassinado. Claudio Marques, jamais foi convocado a prestar contas sobre sua cumplicidade. Vi-o uma vez na redação da “Folha de S. Paulo”, fazia parte da corriola da linha-dura que andava por lá, era próximo do coronel Erasmo Dias, assíduo em outras redações paulistanas.

Cabe a nós completar esta e outras histórias. Nossas pautas são enormes. Com prêmio ou sem prêmios precisamos tocá-las. Podemos ser encostados jamais seremos descartáveis. Parafraseando Kant, nossa missão é interminável. Com ou sem papel, nosso papel é intransferível.

Discurso de Lucio Flávio Pinto

Sinto-me em casa aqui em São Paulo, onde morei por cinco anos, me formei na Escola de Sociologia e Política – tem até um colega meu de escola aqui presente –, e nasceu minha primeira filha aqui.

Eu estava em Belém, em 1987, já com 21 anos de jornalismo, quando, um dia, fiz, depois de três meses de investigação, uma matéria sobre o assassinato do ex-deputado Paulo Fonteles de Lima, um dos crimes políticos mais graves que já ocorreu no Pará. E essa matéria estava redonda, completa (ela ganhou o Primeiro Prêmio Fenaj, da Federação Nacional dos Jornalistas), e eu apresentei à diretora do [jornal] Liberal, que depois moveu cinco ações contra mim, e ela me disse que, infelizmente, não podia publicar porque envolvia dois dos maiores anunciantes da empresa, e um deles era considerado um dos homens mais ricos do Pará e outro, o maior armador fluvial do mundo.

E nós, jornalistas, já ouvimos esta frase várias vezes: “Ah, quer publicar? Faz o teu jornal”. Eu já havia experimentado fazer alguns jornais, disse: “Vou fazer um jornal para publicar essa reportagem”. Um jornal de custo mínimo, uma só pessoa, também sem qualquer possibilidade de dissidência (gargalhadas da plateia) e iria recusar publicidade. Primeiro jornal que recusaria publicidade. Me lembrei do Opinião, onde trabalhei também com Raimundo Rodrigues Pereira, e o Opinião disse: “Jamais a publicidade será superior a 20%”. Nunca precisou ter essa preocupação. Então, resolvi eliminar até essa preocupação metafísica.

Eu fiz o jornal, achando que o Jornal Pessoal fosse um jornal alternativo. Se fossem as teorias de Comunicação corretas, ele não precisaria existir, porque nós estamos no período da mais longa democracia da República brasileira. Mas eu vi que, ao longo do tempo – já se vão 25 anos –, o Jornal Pessoal se especializou, involuntariamente, em publicar o que a grande imprensa não publica sobre a Amazônia. Não publica às vezes porque não sabe; não publica às vezes porque omite ou manipula, e os interesses que a Amazônia provoca hoje são mundiais. Neste momento, o maior trem de carga do mundo está fazendo a sua oitava viagem levando minério de ferro, o melhor minério de ferro do planeta, para a Ásia, 70% dele para a China e 20% para o Japão. É maior trem de carga, leva quatro minutos, passando por determinados pontos, tem 330 vagões, quatro quilômetros de extensão.

Então, a imprensa não publica e o Jornal Pessoal se mantém porque simplesmente diz a verdade, e a verdade se tornou pecaminosa, tem de ser perseguida em plena democracia! O que acontece com nossa democracia, quando a justiça passa a ser o instrumento de perseguição?

Um grande cientista político alemão, Franz Neumann, analisou os julgados a República de Weimar, antes do Hitler – ele teve que fugir da Alemanha para os Estados Unidos. E ele mostrou que justiça de Weimar, da República Democrática de Weimar, julgava diferentemente as pessoas: os socialistas eram punidos violentamente, os nazistas, não. Nós estamos, no Brasil, numa justiça da República de Weimar e, por isso, a justiça, que é o esteio da democracia, hoje aparece nos sertões, nos limbos do Brasil, como a ameaça.

E entre esses 33 processos que o Audálio Dantas, grande personagem, modelo para todos nós, jornalistas, lembrou o caso de um grileiro, que grilou terras. E eu fui condenado a indenizar o grileiro por chamá-lo de grileiro. A justiça do Estado [do Pará] me condenou, reconhecendo a grilagem, e a justiça federal deu a decisão contra ele. Como eu não tinha dinheiro para pagar, e não tinha mais a que recorrer, porque o presidente do STJ, Ari Pargendler, ele simplesmente pegou as formalidadezinhas da lei e ignorou a substância e as próprias decisões do Superior Tribunal de Justiça. Resolvi não mais recorrer e, em 10 dias, os brasileiros, sobretudo de São Paulo, aderiram à nossa coleta e nós reunimos dinheiro suficiente para pagar.

Agora, o problema é pagar. Não existe nenhuma legislação da justiça brasileira do réu que quer pagar. Todo réu foge de pagamento. Eu quero pagar, porque no dia em que eu for pagar, em nome de 770 pessoas que me deram dinheiro para eu pagar, eu quero dizer: “Essa justiça é iníqua. Essa justiça não tem identidade nenhuma com a nação”. Então, esse pedido único na história do judiciário brasileiro está na mãos do juiz, o juiz não sabe o que fazer para eu pagar a minha indenização. Então, eu acho que, à parte os interesses corporativos, os empresariais, nós, jornalistas, temos que colocar a mão na nossa consciência e dizer: ‘Nós estamos sendo covardes? Nós estamos querendo fugir dos riscos? Nós estamos querendo ficar ao lado do computador, ao lado do telefone, não na linha de frente, olhando as pessoas e vendo o Brasil real?’

Hoje, com este prêmio que muito me emociona, vocês estão dizendo que aquele jornalzinho, lá em Belém do Pará, pequeno, que não tem foto, que não tem cor, não tem mulher nua, não tem colunista social, ele merece viver. Nós merecemos viver. Muito obrigado

(Extraído do blog somostodoslucioflaviopinto)

Na mesma cerimônia o jornalista José Roberto de Toledo,diretor da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, ABRAJI, pronunciou o discurso abaixo transcrito, em nome das onze entidades que integram a Comissão Organizadora do 34º Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos.

O prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos é mais do que a justa premiação de boas reportagens e a merecida celebração de bons jornalistas. O prêmio Vladimir Herzog é único porque transcende o jornalismo. É um grito da sociedade civil para chamar a atenção sobre os direitos humanos no Brasil. E, infelizmente, há muitas violações que nos compelem a gritar.

A edição deste ano do prêmio Vladimir Herzog teve mais inscritos do que nunca. Esse recorde coincide com o crescimento dos assassinatos em São Paulo. Após uma década de declínio continuado, o número de homicídios vem aumentando desde maio. Já são mais de três mil vítimas em 2012.

Várias reportagens ligam essa recidiva da violência com a guerra entre crime organizado e Polícia Militar – entre o PCC e a Rota, a tropa de elite da PM paulista. Nessa guerra, policiais têm sido assassinados em número crescente, e, a seus assassinatos, têm se seguido execuções de jovens da periferia, quase sempre por matadores encapuzados.

Os moradores mais pobres do Estado e da cidade de São Paulo se veem espremidos nessa espiral de crime e vingança. São submetidos a toques de recolher por ambos os lados, e quem não obedece corre risco de engrossar as estatísticas de violência.

Um dos cronistas dessa guerra particular entre bandidos e policiais foi forçado a se exilar, como nos tempos da ditadura. O repórter André Caramante teve que se afastar da redação do jornal Folha de S.Paulo por ter feito o seu trabalho. Em julho, Caramante escreveu que um ex-comandante da Rota, o coronel Telhada, era candidato a vereador e usava sua página no Facebook para difundir relatos de confrontos policiais nos quais civis eram invariavelmente chamados de “vagabundos”.

O candidato aproveitou a reportagem para fazer campanha. Incitou seus seguidores a enviar mensagens contra o repórter, a quem chamou de “notório defensor de bandidos”. As mensagens se transformaram em ofensas, as ofensas viraram ameaças de morte, e as ameaças de morte se estenderam à família do repórter. Personagens de outras matérias em que Caramante denunciara grupos de extermínio viram uma oportunidade para ajustar contas com o jornalista. O risco ficou alto demais.

O repórter que cumpriu sua função foi obrigado a se exilar. O coronel Telhada recebeu 89 mil votos e virou vereador. Seu slogan vencedor foi “uma nova Rota na política de São Paulo”.

A história de Caramante não é nova. Ele decidiu ser jornalista depois de ler “Rota 66”, o livro em que Caco Barcellos contou a história da polícia que mata, dos policiais que transformaram o extermínio em política de Estado. Caco Barcellos teve que se exilar após a publicação de “Rota 66”, porque também ele foi ameaçado de morte. A história se repete. Só mudam as vítimas.

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo e o Centro Knight para o Jornalismo nas Américas contabilizam 12 ameaças contra jornalistas no Brasil neste ano. Houve também 23 notícias de agressões. E, pior do que tudo, quatro jornalistas foram assassinados desde janeiro: o radialista Valério Luiz, em Goiás, o repórter Décio Sá, no Maranhão, o jornalista Paulo Rocaro, no Mato Grosso, e Mario Randolfo, no Rio de Janeiro.

Essas quatro mortes colocam o Brasil num desconfortável quarto lugar no ranking de países com mais jornalistas assassinados, segundo o Comitê de Proteção aos Jornalistas.

Além das ameaças criminosas, o jornalismo brasileiro vem sendo batido por uma onda de censura judicial. Juízes têm proibido desde a divulgação de pesquisas eleitorais até casos notórios de corrupção envolvendo políticos, como a proibição de o jornal O Estado de S.Paulo noticiar as aventuras de Fernando Sarney.

E há a censura por assédio judicial. Os censores movem uma enxurrada de processos que afoga a defesa, como as que atingiram o site noticioso Congresso em Foco e um dos homenageados desta noite, o jornalista Lúcio Flávio Pinto.

Por todos esses motivos, a comissão organizadora decidiu que o tema da categoria especial da próxima edição do Prêmio Vladimir Herzog será “Violências e agressões físicas e morais contra jornalistas e contra o direito à informação”.

Mas, ao contrário do lugar comum, nem só de más notícias vivemos os jornalistas.

Em 2012, passou a valer a Lei de Acesso às Informações Públicas, que garante a todo cidadão o direito de conhecer qualquer informação do Executivo, Legislativo ou Judiciário que não esteja protegida por sigilo legal.

Este ano instalou-se a Comissão Nacional da Verdade, que promete jogar luz sobre as trevas que ainda envolvem a história da ditadura militar no Brasil. Estados e municípios também instalaram suas comissões locais.

Aqui em São Paulo, a Câmara Municipal batizou a sua de Comissão da Verdade Vladimir Herzog. E dobrou a homenagem, dando o nome de Vlado à praça que fica atrás do prédio da Câmara. Ela deve ser inaugurada em 13 de dezembro, o mesmo dia em que foi decretado o AI-5, para simbolizar a vitória da democracia.

Comemorando 75 anos de fundação, o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo também criou a sua comissão da verdade, e publicou uma pesquisa onde relaciona todos os jornalistas mortos e desaparecidos durante a ditadura no Brasil.

E, para completar essa lista de boas notícias, finalmente a Justiça mandou retificar o atestado de óbito de Vladimir Herzog. O documento passará a registrar que sua morte “decorreu de lesões e maus-tratos sofridos na dependência do 2º Exército em São Paulo (no DOI-CODI)”. Essa decisão elimina o último resquício da farsa oficial do “suicídio” que seus algozes tentaram impingir à sociedade. É mais um motivo para comemorar os 75 anos que Vlado completaria em 2012.

Que os jornalistas premiados esta noite se inspirem na coragem de Vladimir Herzog, na persistência de Lúcio Flávio Pinto e que tenham uma carreira tão longeva e frutífera quanto a de Alberto Dines.