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Mensagens de signatários do manifesto “Em Nome da Verdade”, de 1976

A pergunta feita foi: em que circunstâncias você assinou o documento? Por intermédio de quem o recebeu, onde trabalhava, que idade tinha etc.

Moacyr de Oliveira Filho (Moa)

Em 1976 eu tinha 23 anos e trabalhava na Agência Folhas de Notícias e participava do movimento sindical, além de colaborar com alguns órgãos da imprensa alternativa, como Ex e Versus, nos quais convivi com jornalistas mais
experientes, como Hamilton Almeida Filho, Narciso Kalili, Myltainho, Marcos Faerman. 

A morte do Vlado nos chocou a todos, especialmente a mim, que tinha sido preso e torturado no DOI-CODI, em 1972, com apenas 19 anos: conheci de perto aquele antro de terror e tortura. Alguns dos torturadores do meu tempo
de prisão ainda estavam lá quando Vlado foi assassinado, como ocapitão Ubirajara, o tenente Ramiro, o Mangabeira, o Oberdan, o JC.

Assinei o Manifesto no Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, numa das assembleias que foram realizadas no processo de mobilização dos jornalistas depois da morte do Vlado. E participei com muito orgulho do histórico Culto Ecumênico na Catedral da Sé. 

Também em 1976, em dezembro, fui designado por um dos chefes da Agência Folhas, que suspeitava-se era ligado aos órgãos de repressão, para cobrir a Chacina da Lapa, onde foram assassinados Pedro Pomar, Ângelo Arroio e
João Batista Drummond, do Comitê Central do PC do B. Esse chefe, cujo nome prefiro omitir, sabia que eu era militante do PCdoB e me ligou em casa, logo cedo, com ironia, dizendo que tinha uma pauta especial pra mim.

Foi um horror!
6/5/2021.