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Mensagens de signatários do manifesto “Em Nome da Verdade”, de 1976

A pergunta feita foi: em que circunstâncias você assinou o documento? Por intermédio de quem o recebeu, onde trabalhava, que idade tinha etc.

Octavio Costa

A morte de Vladimir Herzog teve forte impacto na sucursal da Editora Abril no Rio de
Janeiro. Muitos dos jornalistas que trabalhavam no prédio da Mesbla, na Rua do Passeio,
ou eram filiados ao Partidão (Partido Comunista Brasileiro) ou simpatizantes. Aristélio
Andrade chefiava a revista Placar, Nelson Silva respondia pela redação da Veja e
Ancelmo Gois era repórter especial da Exame. Todos eram amigos de Maurício Azêdo,
responsável pelas atividades culturais da ABI.

O presidente da ABI, Prudente de Moraes, Neto, era um jornalista de perfil liberal.
Naquela época, a entidade tinha grande prestígio e, com a OAB e a CNBB, estava na
linha de frente da luta pela volta da democracia. Prudente deu carta branca a Maurício
Azêdo para editar o Boletim da ABI e também criar o Cineclube Macunaíma (lá, pela
primeira vez, assisti aos filmes de Eisenstein). Eventos políticos e ciclos de palestras
também ficavam na órbita de Azedo e reuniam muita gente.

Com a morte de Herzog, ficou claro que os jornalistas ligados ao Partidão estavam na alça de mira da repressão em todo o país. Mas a direção da ABI não se deixou intimidar e se uniu ao presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, Audálio Dantas, na denúncia contra o assassinato do diretor da TV Cultura.

Quando o abaixo-assinado em resposta às mentiras do IPM sobre o assassinato de
Herzog chegou ao Rio, em janeiro de 1976, o documento correu de mesa em mesa na
sucursal da Abril e recebeu o endosso de todos os jornalistas que estavam na redação. O
clima era de comoção. Havia pressa. E tínhamos de assinar com o nome completo, para
que não houvesse dúvida sobre a autenticidade da lista. Eu tinha 25 anos, era repórter de
economia da Veja, colaborava no Boletim da ABI, e não pensei duas vezes. Não me
lembro se alguém deixou de assinar por temer as consequências. Mas havia grande
tensão, com muitos dirigentes do Partidão desaparecidos.

Apesar da repercussão do caso Herzog, o operário Manoel Fiel Filho foi morto no dia 17
de janeiro no DOI-Codi em São Paulo, em circunstâncias idênticas. Os torturadores
também forjaram um suicídio. O comandante do II Exército, Ednardo D’Ávila Melo, foi
afastado por Ernesto Geisel, mas a repressão ao PCB continuou. Pouco tempo depois,
Maurício Azêdo e o fotógrafo Luiz Paulo Machado foram presos e torturados no Rio, sob a
acusação de formar uma base comunista na ABI. O processo correu na Auditoria do Exército e incluiu Ancelmo Gois e Anderson Campos, que responderam em liberdade. Ao fim, todos foram absolvidos.

Pode ter sido coincidência, mas Azêdo, Ancelmo e Anderson assinaram o documento que exigiu a verdade sobre o assassinato de Herzog.

17/3/2021.

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