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Mensagens de signatários do manifesto “Em Nome da Verdade”, de 1976

A pergunta feita foi: em que circunstâncias você assinou o documento? Por intermédio de quem o recebeu, onde trabalhava, que idade tinha etc.

Renée Castelo Branco

Pouco antes do Vlado ser assassinado comecei a trabalhar na Folha de S. Paulo. Lá recorri a um dos mais respeitados editores do jornal, Perseu Abramo. Pedi que me ajudasse a abrir um caminho instigante naquele período cinzento da ditadura. 

Perseu me mandou procurar pelo Vlado na TV Cultura, com um bilhete. “Cuida dela”. Foi o que ele fez no pouco tempo que durou nossa convivência. Passou a me levar às entrevistas que fazia para o Jornal Opinião, um jornal de resistência na época. E imaginem a sorte que dei. Logo a primeira foi com Mário Schenberg, um homem espetacular, brilhante intelectual, maior teórico físico do país, crítico de arte.  

Nunca mais esqueci as circunstâncias desta conversa entre estes dois homens brilhantes. Imaginava quando seria meu dia de fazer uma entrevista daquelas. Na saída, Vlado me encorajou. 

 Mal sabia eu que em pouco tempo estaria privada da orientação que este cara generoso, bom, carismático e culto me deu quando decidi ser jornalista. Foi com esta saudade e a lembrança de sua despedida ecumênica, entre novos companheiros e outros saídos da cadeia só para o enterro, que assinei este manifesto.

5/2/2021.