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Mensagens de signatários do manifesto “Em Nome da Verdade”, de 1976

A pergunta feita foi: em que circunstâncias você assinou o documento? Por intermédio de quem o recebeu, onde trabalhava, que idade tinha etc.

Renato Faleiros

Eu tinha 21 anos e era redator da Editoria Internacional da Folha. Estava há um ano no jornal, vindo do interior. Havia começado a carreira na capital justamente no ano do assassinato de Vladimir Herzog, 1975. Acompanhei seu enterro no cemitério israelita do Butantã e logo depois o culto ecumênico na catedral da Sé. Quando surgiu a farsa do IPM lembro-me de ter participado de algumas reuniões no Sindicato dos Jornalistas para a discussão do manifesto Em Nome da Verdade. Não me recordo dos mínimos detalhes, mas acredito que muitas assinaturas foram colhidas na própria sede do sindicato, embora a redação da Folha fosse uma das mais mobilizadas, na época, em torno da divulgação do manifesto entre os jornalistas. Todos nós havíamos sentido 1975 como um dos anos mais tensos de nossas vidas, até então, mas essa angústia se transformou em enorme indignação com a publicação do grotesco IPM fabricado pela ditadura. Daí pra frente a luta para derrubar a farsa foi intensa e incessante até a condenação final do Estado pelo covarde assassinato.

14/9/2020.