DOE AGORA

Mensagens de signatários do manifesto “Em Nome da Verdade”, de 1976

A pergunta feita foi: em que circunstâncias você assinou o documento? Por intermédio de quem o recebeu, onde trabalhava, que idade tinha etc.

Moisés Rabinovici

Tinha 31 anos quando assinei o manifesto Em Nome da Verdade. Trabalhava no Estadão. Não me lembro se estava entre os 467 subscritores iniciais. Desde a morte de Vladimir Herzog, em 1975, sabia-o assassinado. O rabino Sobel não o enterrou entre os suicidas, no cemitério judeu – uma prova a mais, religiosa, contra a farsa armada. Alguns dias depois de entregue o manifesto pelo Sindicato dos Jornalistas à Justiça, em 17 janeiro de 1976, morria o metalúrgico Manuel Fiel Filho, no DOI-Codi, em São Paulo. A mesma narrativa de suicídio criada para Herzog foi repetida. Desta vez, porém, não prosperou. E o comandante do II Exército, Eduardo D’Ávila Mello, seria exonerado, algum tempo depois, pelo presidente Ernesto Geisel.  

14/9/2020.