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Mensagens de signatários do manifesto “Em Nome da Verdade”, de 1976

A pergunta feita foi: em que circunstâncias você assinou o documento? Por intermédio de quem o recebeu, onde trabalhava, que idade tinha etc.

Christina Brentano

Assinei a lista quando era repórter no jornal Zero Hora, em Porto Alegre, tinha 21 anos e estava cursando o último ano de Jornalismo na UFRGS. Vivíamos o período mais pesado do regime militar e de censura. Nesse contexto, a prisão e a morte de Herzog foram definitivas na minha formação humana, profissional e política, somando-se às prisões, tortura e morte de milhares de democratas e militantes de esquerda. Muitos colegas de ZH apoiaram o abaixo-assinado.

Nos meus primeiros anos de ZH, na reportagem Geral, tive um grande chefe de reportagem, João Baptista Aveline, de quem me lembro com muito carinho pela empatia e capacidade de me ensinar a ser uma jornalista ética, responsável e cidadã. Militante histórico do PCB, surpreendentemente Aveline não assina a lista. Lembro que ele foi preso em 1975, mas não recordo se foi libertado antes de janeiro de 1976, época do abaixo-assinado.

Estou em SP desde 1988. Trabalhei na Folha de S. Paulo e no Estadão, onde fui editora-adjunta (1991 a 1994) e editora de Economia (1994 a 1996), respectivamente. Antes, era editora na agência Dinheiro Vivo, do Luis Nassif. Desde 1996 sou sócia de uma editora, a Contadino, especializada em conteúdo de relatórios anuais e de sustentabilidade para empresas e organizações.

Estou pedindo ajuda a alguns amigos para localizar mais pessoas que estão na lista que você enviou.

É um resgate importante de memória nesses tempos sombrios que voltamos a viver.

22/9/2020.