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Mensagens de signatários do manifesto “Em Nome da Verdade”, de 1976

A pergunta feita foi: em que circunstâncias você assinou o documento? Por intermédio de quem o recebeu, onde trabalhava, que idade tinha etc.

Bernardo Kucinski

Sinceramente não me recordo das circunstâncias em que assinei. Na época da divulgação do manifesto, eu trabalhava no jornal alternativo Movimento e ao mesmo tempo era correspondente no Brasil de algumas publicações estrangeiras, inclusive o jornal londrino The Guardian. Devo ter sido alcançado pelo manifesto na redação de Movimento

Entretanto, me recordo muito bem do assassinato, além das razões óbvias, pelos motivos que seguem:

Em 1970 parti para Londres com uma mão na frente outra atrás em exílio voluntário que duraria quatro anos. O Vlado deu-me então uma cartinha de apresentação dirigida ao Vamberto Moraes, chefe do Serviço Brasileiro da BBC, onde ele havia trabalhado anos antes. Ainda tenho na mente a imagem da visita ao Vlado da redação da revista Visão, que ficava em Vila Mariana. Efetivamente o Vamberto me ofereceu um trabalho regular assim que lá cheguei.

Passaram-se cinco anos. No dia 25 de outubro de 1975 embarquei para Londres novamente, para um estágio de duas semanas na redação da newsletter Latin America Report, da qual eu me tornara correspondente no Brasil. Era o dia do meu aniversário. Foi o dia em que mataram o Herzog. Fiquei sabendo ao desembarcar em Londres e visitar os antigos companheiros da BBC. Disseram-me também que a embaixada tentara insistentemente envolver o Serviço Brasileiro numa trama que sugeriria que Herzog sofria de depressão ou algo assim.

11/9/2020.