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O projeto de pesquisa e resgate da trajetória e obra de Antonio Benetazzo nasceu dos esforços da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania para redescobrir e devolver à população uma produção artística que fora interditada em decorrência da violência de Estado imposta com o golpe de 1964. Concomitante à intensa atuação em importantes movimentos de resistência à ditadura, a realização de duas graduações e a docência, Antonio Benetazzo foi autor de pulsante produção artística que, flertando com a vanguarda da época, utilizou diferentes suportes, estilos e linguagens. Recordado principalmente em função de seu engajamento e militância política, as obras de Benetazzo, cuidadosamente guardadas por amigos e familiares, foram condenadas à clandestinidade. Assassinado em 1972 por agentes da ditadura militar, sua produção permaneceu por cerca de quatro décadas alijada da história da arte, sendo desconhecida até mesmo por daqueles dedicados à pesquisa do tema.

O esforço de devolver essa produção à esfera pública visa contribuir para romper com o ciclo autoritário que buscou impor o desaparecimento histórico daqueles que entregaram a vida em nome do avanço da democracia e dos direitos humanos. Benetazzo representa as inúmeras vidas ceifadas, as diversas trajetórias precocemente interrompidas e cruelmente invisívibilizadas pela violência de Estado. O projeto evidencia, entre outras coisas, que a ditadura não apenas promoveu a repressão no campo da política, mas também representou enorme entrave à cultura e à arte produzidas no país – afetando assim, indiscriminadamente toda população.

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Como política pública de memória e verdade, o projeto nasce da iniciativa da Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania (SMDHC) – órgão que tem entre suas atribuições a construção e gestão de políticas que promovam o esclarecimento e o acesso da população aos fatos ocorridos durante a ditadura de 1964 na cidade de São Paulo -, município que concentra 25%[1] do total de mortos e desaparecidos durante o regime militar. Na contramão da política deliberada de “desaparecimento”, a Coordenação de Direito à Memória e à Verdade da SMDHC deu início ao projeto que pela primeira vez contrata uma curadoria especializada para se debruçar sobre a produção e inventariar a obra desse artista, cujo lado mais conhecido é o da militância. Dessa forma, o projeto revelou à população a riqueza de uma obra que sobrevive graças à afetividade de amigos e familiares que a guardaram por décadas fotografias e desenhos em armário e gavetas. Além de re-descobrir uma produção surpreende, a pesquisa pôde estabelecer nexos que demonstram a evolução do artista e uma narrativa que havia se perdido pela fragmentação do acervo imposta pela violência do regime.

O projeto foi composto pelas seguintes frentes:

– Pesquisa que inventariou mais de 200 obras, entre esboços, estudos e fotografias produzidas entre os anos 1963 e 1972, além de objetos pessoais do artista (o material pode ser consultado na sessão “inventário”).

– Exposição “Antonio Benetazzo, permanências do sensível” -> seleção de cerca de 90 obras do total encontrado; a mostra esteve em cartaz entre os meses de abril e maio no CCSP e entre outubro e novembro no CFCCT.

– Livro “Antonio Benetazzo, permanências do sensível” contendo reprodução de todas as obras selecionadas para a exposição e artigos de Reinaldo Cardenuto, Paulo Reis, Sergio Ferro e Alípio Freire. Tiragem: 2 mil exemplares pela Imprensa Oficial.

– Documentário “Entre Imagens (intervalos)” – Direção: André Fratti Costa e Reinaldo Cardenuto. 22’. De caráter ensaístico, o documentário revisita um passado ainda pouco esclarecido, marcado por mortes física, simbólica e cultural. A obra tem se destacado no meio audiovisual e foi exibida em importantes festivais, como 19ª Mostra de Cinema de Tiradentes, Mostra de Curta CCBB, 16ª Goiânia Mostra de Curta e mostra francesa Brésil en Mouvement.

 

 

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