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Vlado Educação leva luta pelos direitos humanos para dentro das salas de aula

Vlado Educação leva luta pelos direitos humanos para dentro das salas de aula

Área de atuação do Instituto Vladimir Herzog irá utilizar materiais de apoio ao educador  e ampliar as discussões sobre o tema nas escolas

Criado em 2012 para propor e disseminar orientações para escolas (Ensinos Básico e Superior) e outros espaços educativos promoverem a Educação em Direitos Humanos, o Vlado Educação obteve grande receptividade por parte da comunidade educacional. Em 2015, o projeto pretende diversificar suas atividades, além de dar continuidade aos projetos já em implantação: o programa Respeitar é Preciso! passará a ter atuação direta nas escolas por meio de formação e supervisão do uso de materiais orientadores que foram produzidos em 2014. Além disso, o conteúdo do portal Memórias da Ditadura, lançado no final de 2014, será atualizado e orientado para ser aproveitado dentro das salas de aula. Também está prevista a realização de uma pesquisa sobre a situação dos direitos humanos nas escolas.

Maria Benevides e Neide Nogueira

Maria Benevides e Neide Nogueira

Após diversas atividades promovidas para o desenvolvimento de materiais de orientação para educadores, o programa Respeitar é Preciso! terá, a partir de 2015, uma atuação direta nas escolas. Já no início do ano letivo, serão entregues cinco cadernos que contêm instruções para a promoção da educação em direitos humanos nas escolas que participam do projeto – convênio do Instituto Vladimir Herzog com a Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania da Prefeitura de São Paulo. “O material vai chegar nas escolas e nossa equipe de educadores vai até lá acompanhar e orientar todas as etapas do projeto. É uma parceria. Não podemos deixar a escola resolvendo o problema sozinha”, explica Ana Rosa Abreu, diretora de projetos educacionais do Instituto Vladimir Herzog.

 

Criado para ser uma referência na internet sobre a ditadura militar no Brasil, o portal Memórias da Ditadura também faz parte da atuação do Vlado Educação. Atendendo a uma demanda da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, que pretendia divulgar a história do Brasil entre 1964 e 1985 ao grande público, especialmente à população jovem, o site foi ao ar no final de 2014. Além de um conteúdo diversificado, o portal ganha destaque pelo espaço de apoio ao educador com orientações de como trabalhar esse conteúdo na sala de aula, além de sugestões de atividades didáticas e um mural para os professores divulgarem metodologias utilizadas para o aproveitamento do portal. “Nos livros didáticos, o assunto normalmente é tratado de uma maneira muito superficial, geralmente nas últimas páginas e a maioria dos jovens de hoje não conhece essa história”, diz Ana Rosa.

 

 

A defesa da liberdade de expressão também possui grande importância na estratégia do Vlado Educação. Por isso, essa área contribui para a formação de futuros jornalistas nas instituições de ensino superior e, para 2015, serão desenvolvidos projetos para o ensino básico, incentivando a discussão dos direitos humanos na atividade jornalística.

2014_12_05 Lançamento Portal Memorias Ditadura (134)

Ministra Ideli Salvatti e Ana Rosa Abreu

 

 

As instituições democráticas no Brasil também serão temas de atuação do Vlado Educação no próximo ano. O programa pretende criar materiais de subsídios sobre o tema, visando principalmente aos jovens, para que possam efetivamente compreender os mecanismos que regem a política nacional. “É preciso entender o que é uma Constituição, como ela rege o país, como as leis tramitam em um Estado democrático. Hoje em dia se discute muito a reforma política, mas pouca gente tem suficiente conhecimento do assunto, por isso poucos têm condição de se posicionar”, explica Ana Rosa.

O Vlado Educação  também pretende criar indicadores relacionados à situação dos direitos humanos dentro das escolas. “A escola reflete a violência que ocorre na sociedade, mas também gera violência e, para esse processo ser impedido, é preciso identificar as razões que levam a isso“, finaliza a diretora do Instituto.