14/06/2017

Vencedores do Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão são destaque na “Jornalistas&Cia”

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Estudantes de Jornalismo premiados na última edição do prêmio contaram suas experiências à reportagem da newsletter que é especialmente dedicada a profissionais da comunicação.

Os alunos de Jornalismo premiados na 8ª edição do Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão, realizada ano passado, contaram as experiências que tiveram na realização de suas matérias à reportagem da newsletter “Jornalistas&Cia”.

Em uma série de entrevistas, os jovens estudantes falaram um pouco mais sobre os desafios que tiveram ao abordar um tema tão complexo – “A epidemia do vírus zika no Brasil e as consequências diretas e indiretas no cotidiano da população, especialmente das mulheres” – e as lições que puderam extrair da participação no prêmio.

Confira aqui as entrevistas realizadas pela “Jornalistas&Cia”:

Equipe da Universidade Federal do Pampa (RS)

Estudantes: Larissa Burchard e Louise da Campo

 

Reconhecer é preciso

Larissa: A existência de prêmios assim é essencial para motivar os estudantes de Jornalismo a seguir na profissão. Ter algum tipo de estímulo em nosso trabalho na universidade dá um gás a mais para acreditar no que fazemos e assim trazermos retorno à sociedade. Para mim, o prêmio proporcionou uma experiência incrível de repórter. Buscar fontes, entrevistar, viajar, pesquisar, tudo isso acrescentou na minha formação. Conheci outras realidades e percebi o quanto o jornalismo pode fazer pela sociedade, mesmo que seja uma realidade tão distante da sua.

Louise: O Prêmio Fernando Pacheco Jordão teve uma grande importância na minha experiência como futura jornalista. Vivenciar na prática a criação de pauta, realizar entrevistas, conhecer histórias e outros mundos é uma experiência única. Tudo isso me deu novas visões do Jornalismo e me ajudou a ver que essa é a profissão que eu realmente quero.

 

Dificuldades e alegrias da pauta

Larissa: Considero o espanhol como principal dificuldade [para o desenvolvimento da pauta]. Muitas vezes quando íamos a Santo Tomé para entrevistar as fontes eu tinha que pedir para a pessoa repetir o que falava pois era muito rápido. A professora Adriana e a Louise viviam na fronteira há muito tempo. Como eu não entendia nada de espanhol, sofri muito para escrever as entrevistas. O mais gratificante com certeza foi a experiência em conhecer uma nova cultura e entendê-la através do Jornalismo. Na procura de fontes conhecemos Santo Tomé de uma maneira que não iríamos conhecer simplesmente fazendo turismo.

Louise: A principal dificuldade foi na questão do espanhol. Sempre estudei inglês, e quando chegou a hora de produzir a reportagem e precisávamos ir até Santo Tomé era complicado porque eu não tinha muito conhecimento da língua. Mas no fim tudo deu certo e conseguimos nos comunicar bem e entender tudo. Não sei colocar em palavras o quanto foi gratificante toda a experiência em si. Conhecer as histórias dessas mulheres, onde elas vivem, o que elas fazem, suas famílias, seus sonhos e objetivos foi muito incrível, foi como se eu conhecesse aquelas mulheres há muito tempo. E essa é parte mais legal do nosso trabalho, principalmente para mim, que adoro conhecer novos lugares, culturas e pessoas.

 

Universidade que suporta + professor que estimula = aluno motivado

Larissa: A universidade nos dá o suporte para aprendermos as técnicas e desenvolvermos as habilidades de um jornalista, ainda assim tudo parte do empenho dos alunos. A Unipampa sempre estimulou a nos dedicarmos e buscarmos fora oportunidades de especialização, como cursos, aulas, matérias e concursos. Ter o apoio de toda a comunidade acadêmica é importante, porque nossas conquistas também refletem o empenho na universidade com os estudantes. A professora Adriana nos ensinou manhas do jornalismo em campo, são coisas que a universidade não consegue passar, que só aprendemos na prática. Além disso, ela tem uma criatividade única, sempre nos fez pensar fora da caixa e buscar além do óbvio.

Louise: Nossa universidade sempre estimula a procurar novas formas de exercer o que aprendemos em aula. Os professores em geral são receptivos e atenciosos quando recorremos pedindo ajuda para participar de prêmios e concursos. É legal ter levado para a história da nossa universidade e do curso de Jornalismo esse prêmio. A professora Adriana foi uma mentora incrível durante esse processo. É ótima professora e jornalista. Poder trabalhar e produzir ao lado dela gerou muita aprendizagem, desde o mais básico até o mais complicado. Como ela viveu o mercado, entendeu o processo jornalístico de uma forma muito diferente da sala de aula. E nos ajudou a enxergar a pauta com outros olhos, outra percepção, o que nos deu a oportunidade de conhecer técnicas que um jornalista precisa saber.

 

Jornalismo que escolhe

Larissa: Meus pais tiveram um grande papel no meu amor pela leitura e pela escrita, nós sempre acabávamos lendo reportagens e crônicas dos jornais aqui do Sul. Aos poucos eu fui adquirindo um desejo de conhecer o mundo e escrever sobre ele, assim percebi minha paixão pelas histórias que o jornalismo ajuda a contar. O jornalismo é um grande formador de opinião e gatekeeper da informação, isso é o que aprendemos na universidade. Mas sua contribuição para a sociedade vai muito além dessas duas funções, o trabalho jornalístico apura o olhar das pessoas para o que sempre vemos, mas nunca enxergamos de fato. São histórias, curiosidades e fatos que nunca seriam retratados sem que um jornalista os observasse. O jornalismo tem esse dom de trazer conhecimento, curiosidade e informação da forma mais acessível e criativa possível.

Louise: Gosto de pensar que o jornalismo me escolheu. Quando parei para decidir seriamente o que eu faria tentei procurar profissões que tivessem “a minha cara”, e não foi tão difícil porque eu me considero uma pessoa da área da comunicação desde que comecei a falar. Sabia que acabaria indo para essa área. Adoro novos desafios, aprender sobre diversas coisas (até as que eu nem imaginava), buscar formas criativas de contar histórias, escrever, ouvir e o jornalismo me possibilita tudo isso e muito mais. Vejo nele uma forma de desenvolver a sociedade, é uma área que ajuda a esclarecer, um trabalho de cidadania e uma forma de mobilizar a sociedade. Quando eu era criança sempre tinha o sonho de mudar o mundo e fazer a diferença, mas muitas vezes me decepcionava porque não conseguia sozinha fazer tudo o que queria, e o jornalismo na minha vida vem como uma forma de fazer a revolução e história. Tudo o que nós jornalistas escrevemos, gravamos, publicamos é algo que estará no mundo para várias e várias gerações. Fazer história e revolução é uma forma muito linda de trabalhar.

 

Internet é oportunidade. Reportagem, o sonho

Larissa: Como ainda sou estudante tento manter minhas expectativas baixas [em relação ao mercado de trabalho] para não me decepcionar tão cedo (risos). Apesar disso, com a internet e os jornais digitais acredito que o mercado de trabalho tem oportunidades para aqueles que buscam. Meu maior sonho é fazer grandes reportagens. Como falei antes, me apaixonei por contar histórias do jornalismo. Espero um dia olhar para trás e ver que pude mostrar meu olhar sobre o mundo da melhor maneira possível e saber que isso contribuiu, de alguma maneira, para a vida de alguém.

Louise: Hoje, com o uso das mídias digitais, o jornalismo precisou se desenvolver e criar novas formas de produzir, isso criou pontos negativos, como o excesso de informações, mas gosto de pensar que criou mais pontos positivos. Atualmente o campo de trabalho para os jornalistas se tornou vasto, podemos produzir áudio, texto, vídeo, infográfico e várias outras coisas em uma única matéria. Temos a oportunidade de criar nosso próprio veículo na internet. Minhas expectativas não são altas nem baixas, acho que o mercado não é fácil em qualquer área. Procuro focar em me dedicar ao máximo e criar um bom portfólio para quando chegar a minha hora de entrar nele. Dedicação, determinação e foco durante a universidade são uma forma de já começar a criar minha imagem profissional. Meu sonho é produzir reportagens que inspirem outras pessoas, assim como as que li durante a minha vida. Sempre gostei de ouvir as diversas histórias perdidas por aí e espero que um dia as minhas mudem alguma vida ou várias vidas. Os jornalistas que admiro me inspiraram imensamente com suas palavras, refletiram sobre diversas coisas em suas linhas e me mostraram novas realidades. Meu sonho é um dia poder fazer isso também.

 

Equipe da Universidade Luterana do Brasil (RS)

Estudantes: Amanda Iegli, Caroline Musskopf e Ângelo Neckel

 

Desafios da reportagem

Ângelo: O principal desafio se impôs em função do surto da doença ser muito recente e da falta de informações definitivas sobre os impactos dela. Isso nos motivou principalmente pelo exercício constante de apuração do material que caía nas nossas mãos e que suscitava dúvidas. Foi excelente, pois um dos fatores que move um bom trabalho é a necessidade de fazer perguntas, em detrimento de caminhos pré-concebidos.

Caroline: O primeiro momento de ir até a Vila Tio Zeca foi um pouco complicado. Nós sabíamos, por meio dos boletins epidemiológicos da Coordenadoria Geral de Vigilância em Saúde (CGVS), que precisávamos conversar com os moradores daquela região para chegar até o local específico do surto de zika, mas ficamos receosos com a recepção que teríamos, se as pessoas aceitariam falar com a gente. Também não foi fácil para mim saber o que cortar das falas, por achar que tudo que estava sendo dito deveria ser ouvido.

Amanda: Achei muito difícil executar o trabalho de marcar entrevistas e falar com órgãos oficiais sendo apenas estudante de jornalismo, sem estar vinculada a uma grande emissora. O Jornalismo pode ser apenas informativo, mas pode ser extremamente esclarecedor. Pode traduzir dados que, se vistos individualmente, não significariam nada. Pode dar voz a pessoas que precisam ser ouvidas, mas são diariamente ignoradas. Além de poder fomentar vários debates importantes, como sobre o racismo e a desigualdade de gênero. As questões políticas, econômicas e sociais só estão tão presentes no nosso dia a dia porque existem jornalistas e comunicadores que direcionam esses assuntos. Mesmo agora, com as redes sociais e com a quantidade absurda de informação disponível, a sociedade ainda precisa de filtros e mediadores. Ao meu ver, existem várias possibilidades nesse sentido.

Amanda: Inicialmente, eu queria História. Continuei no curso por influência do Deivison, que além de ser professor é coordenador do curso. Acabei me apaixonando por Jornalismo a partir do terceiro semestre. Acredito que o trabalho do jornalista seja muito importante para que as pessoas tenham informações suficientes para questionar o que está acontecendo.

 

Expectativas e mercado de trabalho

Ângelo: O mercado jornalístico passa por uma crise econômica e as condições de trabalho são precárias. As exigências de um profissional multimídia não resultam em maior valorização da categoria. No entanto, estar adaptado a novas tecnologias e demandas da área é um dos poucos caminhos possíveis para quem quiser permanecer na profissão, sem contar a necessidade de ceder aos discursos de “empreendimento de si”. Mesmo que haja cada vez mais áreas de atuação no Jornalismo, as oportunidades são para poucos. Sonho com uma profissão valorizada, com remuneração digna e que deixe o ranking das mais perigosas, para, então, ter ainda mais condições de contribuir de maneira eficaz para a democracia.

 

A escolha do Jornalismo

Ângelo: Na minha infância e adolescência, fui fanático por futebol e gostava de acompanhar outros esportes. Por isso, passava o dia todo ouvindo rádio à procura de programas de jornalismo esportivo. No intervalo entre um e outro, acompanhava os noticiários. Esse contato desde cedo com Jornalismo me ajudou a decidir pela profissão. O bom Jornalismo é essencial para a divulgação de informações precisas, que afetam a vida em sociedade, e para dar voz de maneira equânime a diversos atores sociais. Sem o cumprimento dessas práticas, informações incorretas e imprecisas disseminam-se sem oposição e condutas nocivas à democracia ficam com o caminho livre sem a vigilância exercida pelo Jornalismo e, consequentemente, por boa parte da população.

Caroline: Sempre vi no diálogo e no debate uma oportunidade de construir uma sociedade mais colaborativa. Tento não romantizar a profissão, mas não posso negar que ainda tenho a esperança de fazer uma reportagem que faça a diferença na vida de alguém que não costuma ser ouvido por muitas pessoas. Em parte, acho que foi o que nós fizemos lá na Vila Tio Zeca. Estamos passando por um momento bem complicado. Mesmo assim, acredito que é uma fase inevitável que mostra como o jornalismo brasileiro está atrasado e precisa se reinventar. Isso não diz respeito apenas às tecnologias, mas ao modo de fazer Jornalismo. Esse que não checa as informações antes de publicar, porque valoriza mais a rapidez do que a qualidade. Acredito que as pessoas não caem mais nessa. Para quem quer as informações brutas, o jornalista não é necessário. É isso que os profissionais precisam entender. A minha expectativa é que até eu me formar no curso os veículos tenham conseguido se adaptar melhor a essa cultura da convergência e que eu consiga seguir trabalhando na minha área, sem passar por tanto sufoco quanto os meus colegas que estão se formando agora. Meu maior sonho como jornalista é ajudar, mesmo que minimamente, a diminuir a desigualdade no acesso às informações. A realidade é que mais de 40% da população brasileira não têm acesso a internet e 55% dos brasileiros acham que o Facebook é a internet. Quero, com o meu trabalho, falar com essas pessoas e trazer à tona questões relevantes.

Amanda: Acho que sempre há espaço para aqueles que têm interesse em fazer um trabalho inovador e de qualidade. A internet quebra barreiras e nos deixa mais próximos do público. Acho que vivemos num momento de adaptação no Jornalismo. Creio que as coisas não serão tão ruins quanto alguns dizem. Acredito que, com o tempo, as pessoas voltem a dar valor para o Jornalismo e para os jornalistas, já que todos estão cansados de informações falsas na internet, e têm surgido novos grupos que fazem um trabalho bacana, sem estar vinculado a nenhuma grande emissora. Quero trabalhar muito com reportagem por um bom tempo. Mais para a frente, talvez, trabalhar com documentário. Porém, ainda não sei muito bem o que vai acontecer. Quanto mais eu leio, mais opções aparecem.

 

Equipe da Universidade Federal de Alagoas

Estudantes: Micaelle Morais e Hágata Rosalvo

 

Produzir é a melhor recompensa e as dificuldades se tornam pequenas

Hágata: Nós pensamos em falar mais especificamente sobre a microcefalia, que é uma das consequências do vírus e afeta indiretamente as mulheres, já que são elas as responsáveis pelos cuidados dos bebês afetados. O Nordeste é a região que tem o maior número de casos de microcefalia e o ano passado foi justamente aquele em que o número de casos começou a aumentar. Além disso, sabíamos que poderíamos encontrar personagens para o nosso documentário, já que Alagoas tem um grande número de casos. Uma das dificuldades que tivemos foi o contato das personagens. Falamos com a Secretaria de Saúde, além de instituições de apoio a mães de bebês com microcefalia, mas por ser uma temática nova, que envolve direitos humanos, não foi fácil conseguir o telefone dessas mães. A própria produção do documentário já foi um grande benefício para mim. Só o aprendizado que tive com cada etapa foi importante, pois o meu curso nunca me daria a oportunidade e os recursos para uma produção assim e eu também não os teria.

Micaelle: Paramos para refletir e vimos que muito já havia sido dito na mídia local sobre a microcefalia em si e os tratamentos para as crianças, mas as mães não tinham voz, principalmente aquelas do interior, onde a realidade tende a ser mais dura no sentido de acesso à informação e de atendimento de saúde. Participar do prêmio me deu a chance de produzir um documentário com recursos que eu não teria por conta própria ou pela faculdade, e de refletir jornalisticamente sobre um tema tão complexo como a epidemia do zika vírus. Apesar de serem marcadas por dificuldades, as histórias dessas mães e mulheres nos ensinaram bastante. Poder dar voz a elas foi muito gratificante. Na parte técnica, também tive muito orgulho de chegar ao fim do trabalho e ver o que nós duas conseguimos fazer.

 

Apoio para produzir é fundamental, mas nem sempre real

Hágata: Aqui [na UFAL] temos mais produção de artigos para o Intercom, por exemplo. De uma maneira geral, os alunos não são estimulados a produzir e não têm muita ajuda em trabalhos que necessitam de equipamentos, como câmeras, microfones e afins. A realização do nosso documentário só foi possível por causa do patrocínio do Instituto. O que estimula um aluno a produzir e se inscrever em um prêmio é ver que um colega se inscreveu e foi premiado, por exemplo. Ano passado fomos as únicas de Alagoas que se inscreveram no Jovem Jornalista. Este ano, já ouvi colegas falando que vão se inscrever.

Micaelle: O professor Júlio foi importante na construção da nossa pauta, que conseguiu ser selecionada. E também norteando o trabalho durante a produção. Infelizmente, porém, nossa universidade não incentiva os alunos a participarem de premiações como essa, seja com a divulgação ou com suporte para realizar a produção do material.

 

Sobre ser jornalista…

Hágata: Eu sempre gostei de ler, escrever, então pensei que iria gostar do curso e foi isso o que aconteceu. É uma profissão maravilhosa e, dependendo da área em que se trabalha, aprende- se um pouco sobre tudo. Dá para entrevistar desde o governador até o mais simples sertanejo do interior do estado e conhecer várias realidades. [O jornalismo] contribui para uma sociedade mais informada, mais ciente de seus direitos, com mais dignidade. Muitas das mulheres que entrevistamos no documentário só sabiam sobre a microcefalia o que tinham visto na televisão, por exemplo. Isso não é o ideal, mas pelo menos elas tinham alguma informação. Muitas vezes o trabalho jornalístico faz o que o poder público deveria fazer.

Micaelle: Antes de cursar jornalismo, me formei como técnica em química e cheguei a iniciar os estudos em Engenharia Química. Apesar disso, sempre tive curiosidade em aprender um pouco sobre todas as áreas do conhecimento, desde esportes a tecnologia, e, como hobby, mantinha blogs para compartilhar meu material escrito e fotográfico. Tudo isso acabou me levando para a área da comunicação. No fim das contas, percebi que poderia compartilhar ciência com a sociedade, em vez de produzi-la. Como o acesso à informação é um dos pilares para a construção de uma democracia mais participativa, o jornalismo atua a serviço da sociedade a partir do momento em que expõe para as pessoas aquilo que é de interesse público e não chegaria até a maioria delas de outra forma.

 

…E o mercado de trabalho

Hágata: O mercado é amplo, já que podemos trabalhar em diversas áreas, mas também restrito. Aqui em Alagoas, por exemplo, temos três ou quatro emissoras de TV, três ou quatro portais de mais destaque e o mesmo vale para jornais impressos e rádios. O que emprega mais são as assessorias de secretarias e empresas privadas. Temos quatro cursos de Jornalismo e turmas que se formam em todos os semestres, então, não há espaço para todos no mercado de trabalho do Estado. Não sei como é o mercado fora daqui, mas espero que seja melhor. Meu maior sonho é me especializar e poder fazer um jornalismo de qualidade para a sociedade, tendo o meu trabalho reconhecido e valorizado.

Micaelle: Com a atual crise, que limita o orçamento da maioria dos veículos de comunicação, têm-se tornado raras as oportunidades de emprego formal. Esse fator não é totalmente negativo, pois o empreendedorismo na área tem-se expandido, abrindo oportunidades no segmento de comunicação digital em geral (mídias sociais, mídias interativas, jornalismo de dados etc). [Meu sonho é] construir meu próprio meu próprio negócio na área de comunicação digital, aliando jornalismo, tecnologia e design.

 

Equipe do Centro Universitário Cesumar (PR)

Estudantes: Angélica Nogorato, Larissa Bezerra e Rafael Donadio

 

A pauta

Angélica: Nossa intenção não era somente retratar a doença ou as mulheres como vítimas, como a mídia já vinha fazendo exaustivamente, mas retratar a força e empatia delas. Acredito que principal dificuldade para a produção foi a distância física das personagens. Mas, para mim, foi desvincular-me da realidade em que estava inserida para compreender a realidade delas. Porque aqui em Maringá e na região não houve surtos de zika (e microcefalia).

Larissa: Todas as notícias que víamos na internet e na televisão eram mais ou menos no mesmo sentido: atualização de casos confirmados, o que o governo estava fazendo em relação ao problema e as dificuldades das mulheres para lidar com os problemas que o vírus acarretava. Mas pouco se falava de como elas fizeram uma “rede de solidariedade” para se ajudarem nessa questão, já que as ações do Estado eram insuficientes para sequer amenizar o problema. Acredito que a principal dificuldade foi a distância do problema. Não era algo que nos atingia diretamente, pois os casos no Sul eram muito poucos. Tivemos que ler muito e conversar com muita gente para tentar entender, de fato, o que estava se passando com quem sofria com isso.

 

Esforço recompensado

Angélica: O mais gratificante foi conhecer um pouco da realidade a que não pertenço. Pudemos conversar com mulheres que tiveram filhos com microcefalia, mas não se deixaram abater. Pudemos entender a dor de se sentirem abandonadas pelo Governo, pelos maridos, mas apoiadas umas pelas outras. E também foi incrível ver a força que elas têm, mesmo em momentos tão difíceis. Também foi gratificante sentir-me útil para algumas mulheres que viram na gente uma forma de pedirem ajuda, de serem vistas e lembradas.

Larissa: O mais gratificante foi conhecer mulheres incríveis, que apesar de todas as dificuldades que enfrentam encontram forças e tempo para lutar contra os problemas e ainda conseguem ajudar outras pessoas que passam por situação semelhante. É como ver umas dizendo às outras: “Vocês não estão sozinhas”. Precisamos muito disso.

 

A escolha pelo jornalismo

Angélica: Desde a adolescência admiro a profissão. Poder conhecer e contar histórias de pessoas, tentar melhorar o mundo. Mas o que mais me motivou foi o interesse de sempre conhecer novos assuntos. Não me via estudando ou trabalhando com algo muito específico; na verdade, a cada dia mudava o curso que gostaria de fazer na faculdade, mas sempre pensando que talvez pudesse fazer Jornalismo. Para fazer uma reportagem é necessário que você entenda pelo menos o básico sobre algo. Achei que seria uma boa desculpa para sempre aprender coisas distintas, de astronomia a geografia. Qual profissão poderia me oferecer isso? O trabalho jornalístico informa, molda, desenvolve a sociedade. Mas, o que é mais belo, e que nunca deve ser perdido, é poder dar voz para quem não tem, é desconstruir preconceitos, é envolver as pessoas em causas que beneficiam a todos. O mercado de trabalho está cada vez mais competitivo. Mas com as facilidades da internet, a abertura de pequenos veículos de comunicação, fazem com que aumentem as oportunidades. Mas, por enquanto, muitos profissionais parecem estar sendo direcionados às mídias sociais. As pequenas empresas, embora de forma primitiva, estão começando a entender a importância dos jornalistas nas organizações. Com isso, acredito que o mercado e a profissão estão se reestruturando, o que vai aumentar muito as oportunidades.

Larissa: Em princípio, o motivo de ter escolhido jornalismo foi a vontade de ser jornalista esportiva e trabalhar com aquilo que mais gostava, que era esporte. Mas depois, o jornalismo me fez crescer como pessoa e descobrir que eu gostava de outras coisas e enxergar diversas possibilidades. Hoje, apesar de ainda ser apaixonada por esportes, acho que nem é mais o que quero fazer. O Jornalismo contribui dando acesso à informação para mais pessoas, trazendo fatos que podem mudar os rumos da sociedade e também como uma espécie de “agente humanizador”, buscando mostrar histórias e fatos que façam as pessoas refletirem. O mercado de trabalho tradicional está um tanto complicado. Mas vemos várias oportunidades aumentando para os jornalistas, tanto em comunicação organizacional quanto na mídia alternativa, que abriu um leque infinito de possibilidades e segmentações. As pessoas, em geral, estão cada vez mais conscientes da importância das informações, e principalmente das informações éticas e verdadeiras, algo que o jornalista bem preparado consegue fazer como ninguém. Esse é um ponto positivo para nós e que precisamos aprender como usar em nosso favor, apesar das dificuldades. Meu sonho é ver um jornalismo diferente no País, que seja movido pelos interesses da população e não de pequenos grupos, comprometimento com a verdade, os direitos humanos e a ética, e que nos ajude a superar as dificuldades enquanto sociedade e não contribua, levado por interesses políticos e econômicos, para a manutenção do . E que os jornalistas não sejam perseguidos quando fazem a coisa certa, como muitas vezes acontece.

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