A imprensa alternativa pelo Brasil afora

Sinopse

A imprensa alternativa se espalhou por todo o país. São incontáveis, centenas, com certeza. Pequenos jornais de comunidades populares e jornais do movimento estudantil, como “A ponte”, na USP; “Terra roxa”, em Londrina, Paraná, o “Avesso”, “Cobra de vidro”, “Metanóia”, da Bahia.

Grande destaque conseguem os jornais regionais “Varadouro” surge no Acre em apoio à luta dos seringueiros em defesa da floresta. Em Porto Alegre, 66 jornalistas se unem, formam uma cooperativa e fazem o “Coojornal”.

Em Belo Horizonte, jornalistas se rebelam com a submissão da imprensa local e se juntam para fazer “De fato”. Em Brasília surge o “Cidade livre”, o “Berrante”, em Campo Grande, MS. Em Fortaleza, “Mutirão”; em Recife, “Jornal do povo”. Em natal, “Cabramacho”. Em Belém do Pará, “Resistência”, “Inimigo do rei”, em Salvador, Bahia.

O irreverente “Repórter”, surge no Rio de Janeiro em 1977, narra o cotidiano de violência e miséria da baixada fluminense. Chegou a 100 mil exemplares.

Roteiro

(entra arte com o título)
RESISTIR É PRECISO…
A Imprensa alternativa, clandestina e no exílio durante a ditadura militar brasileira

OTHON BASTOS VIVO:
No episódio anterior você viu como a imprensa alternativa abriu espaço para todas as tendências e todos os movimentos sociais que foram surgindo no bojo da resistência democrática: jornais femininos e feministas… do movimento negro, em defesa dos índios… jornais de homossexuais, de estudantes, de sindicatos, de partidos.
Agora, você vai ver como tudo isso se espalhou pelo país inteiro.

CAPÍTULO SETE:
A IMPRENSA ALTERNATIVA PELO BRASIL AFORA

BG: música ?
ATRIZ/ATOR/VIVO/OFF:
(imagens dos jornais referidos)
São incontáveis – centenas, com certeza – os jornais alternativos que surgem por todo o país na década de 70. Muitos são feitos com simplicidade, inclusive OS de comunidades populares e do movimento estudantil, como A Ponte, publicação conjunta de um grupo de centros acadêmicos da USP. Isso, em 1972.
NO MESMO ANO COMEÇA CIRCULAR “TERRA ROXA”, DOS ESTUDANTES DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA.
“AVESSO”, PUBLICAÇÃO DO DCE LIVRE DA USP FAZ PARTE DESSA ONDA QUE SE AMPLIA EM 1977. DESTACA-SE COMO PORTA-VOZ DO DEBATE ENTRE AS TENDÊNCIAS POLITICAS DENTRO DA UNIVERSIDADE. E SURPREENDE PELA OUSADIA GRÁFICA: ADOTOU O FORMATO STANDARD DIERENCIANDO-SE DO FORMATO TABLOIDE DA GRANDE MAIORIA DE JORNAIS ALTERNATIVOS.
COBRA DE VIDRO, JORNAL DE ESTUDANTES DA FAAP, FGV E OUTRAS ESCOLAS DE SÃO PAULO, TAMBÉM É DE 1977.
EM 1978 SURGE “METANÓIA”, REVISTA DOS ESTUDANTES DE CIENCIAS HUMANAS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA.
Fala de alguém sobre a reanimação do movimento estudantil a partir de 1977 (liderança estudantil da época)
(BG: música regional do Norte (a ver)
OTHON BASTOS
Um outro tipo de publicação surge, com força, em diferentes locais do Brasil: é o jornalismo regional, independente e alternativo. Muitos deles marcaram época em suas regiões.
ATOR VIVO/0FF:
No Acre, por exemplo, surge Varadouro, que teve grande influência na resistência dos seringueiros contra a ocupação de suas terras por invasores do sudeste… Reportagens corajosas escancaravam a luta e a violência contra a população. Quem conta é o editor-chefe do jornal, Élson Martins.
Fala de Elson aos 5’33″ da fita editada:chegamos ao nome VARADOURO, que foi uma discussão ampla, que durou bastante tempo dentro da redação do jornal, que a gente queria uma identidade muito forte com a floresta, né. VARADOURO é o caminho que se abre dentro da mata para passar pelas diversas colocações, que são as pousadas dos seringueiros. O sítio de cada seringueiro.”
Elson volta aos 0’8″ da fita editada: “Dom Moacir Grechi emprestou 300 mil cruzeiros (…) até 1’18″: 24 edições”.
Volta aos 5’33″: “primeira entrevista de Chico Mendes…”

BG: Música regional do Sul; “Boi Barroso”, com Elis Regina, no vinil “Musica Popular do Sul”, de Marcus Pereira, 1975.
OTHON BASTOS
A 4.200 quilômetros de distância, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, 66 jornalistas formam, em 1974, uma cooperativa e fazem um jornal QUE MARCOU ÉPOCA: Coojornal.
Fala de Elmar Bones: fita editada a partir de 0’20″: então fomos formar uma cooperativa (…) a cooperativa é uma organização extremamente democratica, cada um é um voto… etc”
volta em: 2′ : “de repente aquele jornal começou a crescer a demanda… 4 mil exemplares… ficando muito caro… bota na banca e foi uma boa idéia… o jornal foi se construindo. Foi para a banca em 75″
ATRIZ/VIVO/OFF:
Coojornal aborda temas tabu para a maioria da imprensa…
(mostrar várias edições)
Fala Elmar Bones: aos 4’06″ : “anistia, não falavam, tortura não, cassados, nem falar… então, nós começamos a tratar desses temas…” — pode ir para off mostrando jornais: aos 4’45″ — fala em off: “esses são jornais de 1977. Uma pesquisadora, aqui de S. Paulo (…) levantou no Diario Oficial todos os cassados (…) eram 4mil e pedrada…”
ATOR/VIVO:
Coojornal agrada, cresce e chega a ter 60 páginas, metade com anúncios, o que fortalece a posição da cooperativa. E chama a atenção da polícia federal…
Elmar Bones aos 5’47″: a Policia Federal vai visitando nossos anunciantes (…) de 29 anunciantes que tinhamos, na edição seguinte só sairam 3 anuncios…”
ATRIZ VIVO/OFF
Muita pressão. O jornal não cede e avança… Revela documentos sobre a morte do Lamarca o que cutucou a onça com vara curta. Os militares reagem. Os editores são processados, condenados e vão para a prisão. O jornal ainda resiste até 1983.
Elmar Bones aos 8’18″: “o coojornal tinha uma originalidade na imprensa alternativa, ser cooperativa (…) até 100 pessoas trabalharam lá (…) não houve uma experiência como essa…”

BG: Milton Nascimento “Minas” : “Com o coração aberto em vento… Irê, irá, irê, irá…(CD Gerais — 1976).

OTHON BASTOS
Em 1976, EM MINAS GERAIS, HÁ UMA REBELIÃO DE JORNALISTAS INCONFORMADOS COM A SUBMISSÃO DA IMPRENSA DE BELO HORIZONTE À DITADURA. ELES PEDEM DEMISSÃO DE SEUS EMPREGOS E VÃO FAZER “DE FATO”. NAS BANCAS, O NOVO JORNAL DENUNCIA AS MÁS CONDIÇÕES DE VIDA DA POPULAÇÃO, OS CRIMES DA DITADURA, A VIOLÊNCIA POLICIAL. APOIA AS CAMPANHAS PELA ANISTIA E PELA CONSTITUINTE.

Fala João Batista dos Mares Guia (entrevista a fazer).
ATRIZ/VIVO/OFF:
“CIDADE LIVRE” SURGE EM BRASILIA EM 1976. “O BERRANTE”, DE 1979, EM CAMPO GRANDE, MATO GROSSO DO SUL. “MUTIRÃO” DE FORTALEZA, CEARÁ, EM 1978. “JORNAL DO POVO”, DE RECIFE, PERNAMBUCO, EM 1979. “CABRAMACHO”, REVISTA DE HUMOR LANÇADA EM 1974 EM NATAL, RIO GRANDE DO NORTE. “RESISTENCIA”, BELEM DO PARÁ, 1978.

ATOR/VIVO/OFF:
EM SALVADOR, BAHIA, NASCE EM 1977 O “INIMIGO DO REI”, DE INSPIRAÇÃO ANARQUISTA, DIVULGANDO TEMAS DA CONTRACULTURA, SEXUALIDADE, DROGAS.
ATRIZ/VIVO/OFF:
CRÍTICO DA DITADURA E TAMBÉM DO AUTORITARISMO DA ESQUERDA. IRREVERENTE, SOBREVIVEU À CRISE DA IMPRENSA ALTERNATIVA, CIRCULOU ATÉ 1988.

sobe-som: Mosca na sopa/Raul Seixas – 1973 — “eu sou a mosca…”
OTHON BASTOS
POR FALAR EM IRREVERÊNCIA, UMA DAS SUAS MAIORES EXPRESSÕES VAI ÀS BANCAS A PARTIR DE 1977. “REPORTER”, COM SEDE NO RIO DE JANEIRO, ASSUMIU COMO MISSÃO LEVAR A DEFESA DOS DIREITOS HUMANOS AOS TRABALHADORES DA BAIXADA FLUMINENSE. O EDITORIAL DE SUA PRIMEIRA EDIÇÃO É MEMORÁVEL: “NÓS SOMOS UMA GERAÇÃO DE JORNALISTAS FORMADOS NO AI-5, NA PARANOIA. NÓS SOMOS O MEDO. ELE ESCORRE POR CADA LINHA QUE ESCREVEMOS. E MANCHA O PAPEL DE VERGONHA”.
ATRIZ/OFF:
(sobre fotos das edições do jornal)
NA BUSCA PELA LINGUAGEM DAS RUAS, O JORNAL AGRIDE, PROVOCA, NAVEGA PELO SENSACIONALISMO E A ESCATOLOGIA. NARRA O COTIDIANO DE VIOLÊNCIA E MISÉRIA… CHEGOU A VENDER 100 MIL EXEMPLARES. ACUADO PELO REGIME, PELA POLICIA E PELA EXTREMA DIREITA, TEVE EDIÇÕES APREENDIDAS, PROCESSOS JUDICIAIS, FOI ALVO DE ATENTADOS EM BANCAS DE JORNAIS. DESCAPITALIZADO, PAROU DE CIRCULAR EM 1980.
Fala de Alex Solnik (precisa gravar)
Musica encerramento episódio: (funk?)
OTHON BASTOS
no próximo episódio da série você vai saber como as publicações se multiplicaram… no exílio.

Publicado por

Documentários e depoimentos que buscam entender o que levou jornalistas consagrados a embarcarem, com um punhado de focas, ativistas políticos e intelectuais, naquelas naus incertas “sem aviso prévio e sem qualquer itinerário”, como disse o poeta.

Deixe seu comentário

Quer participar com outras informações?
Contribua aqui!

Deixe uma resposta