Imprensa alternativa, uma leitura obrigatória – parte 1

Sinopse

Nos episódios 4 e 5 tratamos do mesmo tema: a imprensa alternativa como uma leitura obrigatória, principalmente depois do ai-5 baixado em dezembro de 1968 e que pretendia impedir toda manifestação de liberdade e inconformismo. É neste clima que surge em 1969, no rio de janeiro, o Pasquim com uma equipe de cartunistas e jornalistas renomados, verdadeiros herdeiros do barão de itararé (programa 2), com a crítica na melhor forma do humor.

É neste período (1972) que surge também no rio o jornal Opinião, fundado pelo empresário Fernando Gasparian e que marcou época pela qualidade editorial e conseqüente rígida censura da polícia federal.
Dezenas de jornais surgem neste período. Em São Paulo, o Movimento dirigido pelo jornalista Raimundo Pereira, que acaba rachando e nascem Em tempo e Amanhã. Outros jornais do período: Ex, O grilo, Politika, dirigido por Sebastião Nery, Critica, de Gerardo Mello Mourão, versus, voltado para a America Latina e Cadernos do terceiro mundo, com foco em países da África e América Latina.

Roteiro

(Top de 6 segundos)

(entra arte com o título)
“Resistir é Preciso…”
A Imprensa alternativa, clandestina e no exílio durante a ditadura militar brasileira

OTHON BASTOS VIVO:
No episódio anterior, você acompanhou como a imprensa alternativa iniciou a sua maneira de resistir ao golpe de 64. No episódio de hoje…

Pré-roteiro

Imprensa alternativa,
Uma leitura obrigatória
PRIMEIRA PARTE

Uma série de depoimentos curtos e incisivos sobre porque a imprensa alternativa era uma leitura obrigatória.
ATRIZ VIVO/OFF:
Baixado em 13 de dezembro de 1968 o AI-5 pretendia impedir toda manifestação de liberdade e inconformismo. Ao mesmo tempo, a resistência pela imprensa alternativa nunca saiu de cena.
Capas diversas do Pasquim…

ATRIZ VIVO/OFF:
É o caso do jornal O Pasquim, que nasceu em 1969 e tinha em sua equipe cartunistas e jornalistas renomados, verdadeiros herdeiros do Barão de Itararé, com a crítica na melhor forma do humor. Um dos criadores do jornal, o chargista Jaguar, pensava, no início, em fazer um jornal de bairro para Ipanema… Só que, rapidamente, o Pasquim conquistou o pais inteiro!

OTHON BASTOS
Seguindo a tradição da imprensa brasileira de oposição em “cercar o tirano com o riso”, o Pasquim castigava a ditadura… até que a censura entrou em campo para tentar interromper o jogo…

Cam. vai para aparelho de TV:

Fala de Ziraldo (Fita bruta –13’20″: mandou Davi de Michelangelo de costas para as censoras… até 15’05″ “censura transferida para Brasilia”.

ATRIZ/CLOSE

Só que mais do que a censura em si, tinha uma dura repressão!
(mostra a capa do lobo e o cordeiro)
E lê: “enfim um Pasquim inteiramente automático. Sem o Ziraldo, sem o Jaguar, sem o Tarso, sem o Francis, sem o Millor, sem o Flavio, sem o Sergio, sem o Fortuna, sem o Garcez…”. Foi a maneira de o jornal denunciar que a redação havia sido presa…

(PAULO FRANCIS FALA DA PRISÃO EM IMPRESSÕES DO BRASIL)

(Ziraldo conta da prisão da equipe inteira aos 18′ da fita bruta. Volta aos 22′ (fui preso tres vezes)

 

BG Brasil Pandeiro/
Lettering: Novos baianos em1972 regravam musica de 1940 de Assis Valente.
sobe som: “Está na hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor…”

OTHON BASTOS
1973. A guerrilha urbana está dizimada. A guerrilha no Araguaia começa a ser atacada pelas forças militares. O governo do general Medici reprime duramente. É o auge da tortura e dos desaparecimentos… A oposição está silenciada.

(musica:trecho de Pesadelo , de Mauricio Tapajós e Paulo Cesar Pinheiro: “você corta um verso, eu escrevo outro, você me prende vivo eu escapo morto…”

ATRIZ/OFF (c/ imagens do Opinião)
Nesse momento, surge um novo jornal no Rio de Janeiro. Diferente de O Pasquim, este era, vamos dizer, diretamente politico, abertamente contra a ditadura: Opinião.
Feito no Rio, tinha em sua equipe paulistas, mineiros,nordestinos e cariocas, na maioria jornalistas e artistas gráficos que já tinham feito carreira em São Paulo. Formavam um grupo que tinha um projeto de jornal.

ATOR/CLOSE:

O grupo fez um trato com o industrial nacionalista Fernando Gasparian, perseguido pela ditadura militar. Daí nasceu Opinião.
Aparelho de TV:
Fala Tonico Ferreira: grupo de s. paulo (de 0’06″a 0’55″)

Fala Raimundo Pereira:
De 0’07″ até 1″00″. “Gasparian queria um jornal contra a ditadura…”

Fala Tonico: de 1’23″ (Nixon) até Le Monde – 1’52″.(opcional: de 1’52″ até 3’07″ (censura).
Fala Raimundo
Retoma a 1’37″. Vai até 3’17″.

Fala Elifas — a partir de 5’37″ até 7’25″.

ATRIZ/CLOSE:
O regime militar dá sinais de esgotamento. Crise econômica, divergências entre os militares, industrias, banqueiros. Aí o ditador general Geisel resolve buscar novas alianças para a sobrevivência do regime, é a política da “abertura”, porém gradual, porém restrita. Gasparian e o grupo de jornalistas começam a ter divergências…

Fala Tonico: demissão — de 3’41″ até 4’10″

Raimundo Pereira: aos 4,23″
“Essas divergências… o Gasparian me demitiu… e já fomos fazer um novo jornal… até 4’42″.

 

OTHON BASTOS
Pelas circunstâncias em que surgiu, pelo time de colaboradores que reuniu e pelo ano que apareceu, 1972, o jornal Opinião se tornou um exemplo vivo da resistência à ditadura militar pela imprensa.

ATOR/VIVO/OFF
Ao mesmo tempo e particularmente neste período outras manifestações culturais reforçavam o sentimento de resistência à ditadura. (Apontando para ele) O Othon Bastos, por exemplo, produziu e participou de peças como Castro Alves pede passagem, um grito parado no ar, Ponto de Partida, Murro em ponta de faca, Calabar… um teatro denunciando as arbitrariedades.

OTHON BASTOS
(à Parte) É…. tempos bicudos…

ALIÁS, RELEMBRAR TODA ESTA HISTÓRIA DAS DIFERENTES FORMAS DE RESISTIR É UMA ESPÉCIE DE GARANTIA PARA QUE NUNCA MAIS ESTAS COISAS VOLTEM A ACONTECER. OS LIVROS, AS CAPAS DESTA HISTÓRIA, OS CARTAZES DESTA HISTÓRIA E A EXPOSIÇÃO RESISTIR É PRECISO SÃO BONS EXEMPLOS DESTE ESFORÇO.
SOBE SOM DA EXPOSIÇÃO

 

OTHON BASTOS
Em 75, há o rompimento entre os jornalistas e o dono do Opinião. O jornal consegue sobreviver até 1977, quando sucumbe abatido pela censura.

ATOR/VIVO
Raimundo e sua equipe haviam trabalhado por quase dois anos e meio em Opinião. Em 1975, o grupo voltava para São Paulo. Com mais experiência de fazer jornalismo de oposição e de enfrentar a censura, esses jornalistas e artistas gráficos estavam prontos para uma experiência mais radical ainda.
ATRIZ CONTINUA O TEXTO.
Pois é… Eles foram fazer o jornal Movimento, um jornal de propriedade coletiva, sem patrão empresário.

ATOR/VIVO/OFF:
Tudo isso, quase sem dinheiro para fazer o jornal. E a saída foi procurar o apoio das pessoas…

Raimundo: (pg. 34 RP-1 aos 1h20′)
“Qual o jornal que está na tela? É o numero zero do jornal Movimento, com 300 acionistas etc.
Raimundo explica: pg. 36 –1h30min da fita bruta — “fomos fazer uma campanha… eu ia para as redações etc.”
(…) e o Serjão teve as ideias principais de organização… compra de cotas”

ATRIZ/VIVO/OFF
MOVIMENTO TINHA UMA LINHA POLITICA MAIS DEFINIDA QUE A DE OPINIÃO. PROPUNHA, POR EXEMPLO, UMA AMPLA FRENTE CONTRA A DITADURA, PELAS LIBERDADES DEMOCRATICAS, FIM DO AI-5, CONTRA O IMPERIALISMO E PELA REFORMA AGRÁRIA.

ATOR/VIVO:
COM UM PROGRAMA ASSIM, O GOVERNO NEM ESPEROU PARA VER: BAIXOU A CENSURA NO MOVIMENTO DESDE A SUA PRIMEIRA EDIÇÃO:

Raimundo: (1h35′ da fita bruta):
“Já nasceu censurado…”
A censura demorou três anos”.

ATOR/VIVO
com foto da equipe do jornal reunida em torno de uma mesa na redação/outras fotos/imagem de Ensaios Populares.
ENFRENTAR A DITADURA… CONSEGUIR DINHEIRO… ERA UMA BATALHA POR DIA E, NA REDAÇÃO, DE QUEBRA, UM DEBATE PERMANENTE, REUNIÕES INTERMINÁVEIS. DIVERGÊNCIAS SOBRE A LINHA EDITORIAL.
A DEFESA DA CONSTITUINTE GERAVA POLÊMICA. A COLUNA ENSAIOS POPULARES ERA O CENTRO DO DEBATE.
Fala de Duarte — volta em 2hs.40’07 da fita bruta:
“Eu fiz essa sessão. Deu aquela enorme polêmica, chegou a contribuir para uma cisão…

Fala de Raimundo (a partir dos 015″ da fita editada):
“polarização que desembocou numa cisão do projeto… (Em Tempo, Amanhã, Hora do Povo)…

ATRIZ VIVO OFF
MOVIMENTO CIRCULOU POR SEIS ANOS E MEIO, ATÉ NOVEMBRO DE 1981, PUBLICOU 334 EDIÇÕES E REPORTOU OS GRANDES ACONTECIMENTOS DO PROCESSO DE DEMOCRATIZAÇÃO — AS GREVES DO ABC, ANISTIA, A VOLTA DOS EXILADOS, O FIM DO AI-5, A FORMAÇÃO DO PT E DOS OUTROS NOVOS PARTIDOS.

Musica Lettering: Gonzaguinha, 1977: ” Não dá mais para segurar. Explode coração”…

OTHON BASTOS
, A DITADURA FAZ CONCESSÕES PARA MANTER O PODER. AS TENDÊNCIAS DE OPOSIÇÃO SE ANIMAM E TODAS QUEREM UM LUGAR AO SOL. AÍ… O QUE ACONTECE? A OPOSIÇÃO SE DIVIDE…

ATOR VIVO OFF
(Em Tempo):
EM TEMPO SURGE EM 1978. ERA PARA SER EM TUDO O OPOSTO DO JORNAL MOVIMENTO, DO QUAL SE DIZIA ESTAR SOB A INFLUÊNCIA DE UMA DETERMINADA LINHA PARTIDÁRIA: A LINHA POLÍTICA DO PCdoB, QUE PROVOCOU A CISÃO EM MOVIMENTO.

Fala de Bernardo Kucinski (fita editada, desde o inicio)

ATOR/ATRIZ VIVO
ANTES, DURANTE AS DISCUSSÕES INICIAIS PARA A FORMAÇÃO DO EM TEMPO, JÁ HAVIA ACONTECIDO UM PRIMEIRO RACHA, PARA FORMAÇÃO DO JORNAL AMANHÃ, QUE TEVE APENAS UMA EDIÇÃO.

Fala de Juca Kfoury (aos 45 segundos da fita editada):
Juca Kfoury aos 2m13″:

ATOR/ CLOSE:
E ASSIM AMANHÃ MAL COMEÇOU E JÁ ACABOU. INCRÍVEL
COMO ERAM DELICADAS AS RELAÇÕES ENTRE AS TENDÊNCIAS DE ESQUERDA NAQUELES PRIMEIROS MOMENTOS DA DEMOCRATIZAÇÃO, HEIN?

OTHON BASTOS
No próximo episódio, VOCÊ VAI CONHECER MAIS JORNAIS ALTERNATIVOS E CLANDESTINOS QUE MANTINHAM ACESA A CHAMA DA RESISTÊNCIA…

Publicado por

Documentários e depoimentos que buscam entender o que levou jornalistas consagrados a embarcarem, com um punhado de focas, ativistas políticos e intelectuais, naquelas naus incertas “sem aviso prévio e sem qualquer itinerário”, como disse o poeta.

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