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PREMIO VLADIMIR HERZOG 2011

PREMIO VLADIMIR HERZOG 2011

TRABALHOS PREMIADOS

(resumos feitos pelos próprios autores)

TEMA ESPECIAL – SANEAMENTO BÁSICO

Vencedor – Saneamento básico: um direito de todos – Joelmir Tavares – O Tempo – Belo   Horizonte

A série de cinco reportagens sobre o saneamento básico na região metropolitana de Belo Horizonte surgiu da constatação de que cidades no entorno da capital mineira (e até mesmo a própria capital) ainda têm locais onde as condições sanitárias são precárias. A produção iniciou-se com o levantamento de dados oficiais que mostram quais municípios possuem os piores índices de coleta e tratamento de esgoto. A partir daí, foram mapeados bairros que pudessem servir de exemplo para a situação de cada município.

Por meio de contatos com líderes comunitários, as visitas da reportagem foram agendadas. Durante duas semanas, a equipe percorreu os locais para ver as situações enfrentadas pelos moradores. Em todos os lugares, a realidade se mostrou ainda mais grave do que previsto inicialmente. Como o objetivo era mostrar o drama humano ligado à falta de saneamento, foram colhidos depoimentos de vários personagens e líderes comunitários, que lutam há anos por melhorias.

Posteriormente, a reportagem procurou a versão oficial dos fatos, ouvindo a empresa concessionária do serviço de esgoto e as prefeituras. Em todos os contatos, deixou-se claro que o jornal vai retornar aos locais dentro do prazo dado pelos órgãos para resolver os problemas. A equipe vai continuar acompanhando os casos e cobrando providências para que o saneamento básico torne-se, de fato, uma realidade para todos.

Menção Honrosa – Tragédia no Rio dos Sinos: quatro anos depois, pouca coisa mudou – Eduardo Matos – Radio Gaucha 93.7 FM – Porto Alegre

A série de reportagens  se preocupou em saber se as providências anunciadas em 2006, quando morreram 80 toneladas de peixes, efetivamente foram aplicadas e surtiram efeito.

Na primeira matéria, foi constatado que apenas um dos 32 municípios abastecidos pelo Sinos aumentaram o tratamento de esgoto doméstico. A segunda abordou o andamento das ações judiciais movidas pelo Ministério Público Estadual. A terceira tratou de intervenção judicial inédita na entidade apontada como a principal responsável pela tragédia ambiental. A Utresa seguiu funcionando, porém com gestores ambientais nomeados pelo Judiciário. A quarta e última revelou dois estudos sobre o Rio dos Sinos. Um que apontava melhora da qualidade da água do manancial. O outro sobre a retomada da comunidade de peixes após a mortandade. Esta última também foi um alerta para possibilidade de nova tragédia em razão da falta de chuva. Seis dias depois do término da série de reportagens a previsão se confirmou. Cerca de dez mil peixes foram encontrados mortos no Rio dos Sinos. As causas ainda são investigadas.

 

RADIO

Vencedor – Racismo expulsa baiano do Rio Grande do Sul – Marjuliê Martini – Radio Guaiba FM 101.3 – Porto Alegre

A primeira reportagem começou a ser realizada às 7h do dia 24 de março, após ligação do advogado do estudante baiano Helder Santos, Onir Araújo, a respeito da necessidade urgente de que ele deixasse a cidade de Jaguarão/RS. Ele estava sendo ameaçado de morte por policiais militares, após procurar a Polícia Civil para denunciar que havia sido alvo de agressões e racismo por PMs na saída de uma festa. A reportagem fez contato com a Secretaria Estadual de Justiça e Direitos Humanos, que solicitou a saída urgente do rapaz. Ele chegou à tarde, quando, então, a matéria foi ao ar. Ela só seria veiculada depois da ‘fuga’ de Helder da cidade.

Em uma das matérias, Helder conta que é filho de uma lavadeira de Feira de Santana e o único da família a conseguir terminar o Ensino Médio e ingressar no Ensino Superior. Ele passou no Exame Nacional do Ensino Médio para cursar História na Unipampa. Já estava trabalhando como estagiário em um projeto de ensino a jovens de comunidades quilombolas. A violência policial fez com que largasse tudo.

Nos dias posteriores, a reportagem acionou o governo do Estado, Secretaria Especial de Proteção e Promoção da Igualdade Racial. Em quatro meses, outras oito reportagens foram feitas. A última, em 5 de julho, dá conta de duas ameaças de morte com conteúdo racista que o advogado recebeu, mesmo depois de o jovem ter sido levado de volta para a Bahia.

Menção honrosa – O povo cigano no Brasil – Rodrigo Resende, Larissa Bortoni Dias, Pedro Henrique Costa e Lima, George Rodrigues Cardim, Mauricio Ribeiro de Santi e Celso Cavalcanti de Melo Jr. – Radio Senado 91.7 FM – Brasilia 

Em todo o mundo, a História dos ciganos sempre foi marcada pelo preconceito e a discriminação. No Brasil não é diferente. Apesar de terem chegado por aqui ainda na época da colonização, eles permanecem praticamente ignorados pelo Poder Público e a sociedade em geral. Por outro lado, a cultura cigana desperta fascínio e curiosidade. São frequentes as referências a esse povo na música, na literatura, no cinema e outras manifestações artísticas produzidas em diferentes partes do planeta.

Para mostrar a realidade dessa população, hoje estimada em um milhão de pessoas no Brasil, a equipe de jornalismo da Rádio Senado percorreu seis estados brasileiros, conversando com comunidades ciganas sobre seus costumes, anseios e expectativas para o futuro.

Foram visitadas comunidades nômades e sedentárias em Goiás, Paraíba, Bahia, Espírito Santo, São Paulo e Santa Catarina, e também entrevistadas autoridades públicas federais, estaduais e municipais nas áreas de educação, saúde, segurança, entre outras.

O resultado está na série de programas “O Povo Cigano no Brasil”. Com seis horas de duração, e dividido em doze episódios de 30 minutos cada, o radiodocumentário é o maior já feito no Brasil sobre a temática cigana.

O roteiro do projeto foi um dos vencedores do Prêmio Roquette-Pinto 2011, promovido pela Associação das Rádios Públicas do Brasil (Arpub).

 

INTERNET

Vencedor – Rio de Janeiro-Autorretrato – Marcelo Bauer – Autorretrato – Rio de Janeiro

O projeto é resultado de mais de um ano e meio de trabalho. Do ponto de vista formal, faz parte do esforço em criar produtos de internet verdadeiramente multimídia, que façam uso integrado do vídeo e de outros elementos, como textos, tabelas e gráficos.

Do ponto de vista temático, a ideia surgiu a partir de contatos feitos pelo autor com a Escola de Fotógrafos Populares, projeto da ONG Observatório de Favelas, do Rio de Janeiro, que beneficia moradores do Complexo da Maré.

Além da excelente qualidade técnica dos profissionais formados pela escola, o curso dá a eles também uma visão política e um senso de cidadania únicos. Retratar o que eles pensam e como eles agem para mudar a sua realidade passou então a ser o objetivo do projeto.

As fases de pré-produção e produção envolveram diversas viagens ao Rio de Janeiro. As gravações foram realizadas na cidade, entre fevereiro e março de 2011, em comunidades como Maré, Morro Santa Marta e Sepetiba. A fase de pós-produção, além da edição dos vídeos, envolveu também toda a complexidade da produção web, como a definição da interface de navegação e dos conteúdos complementares ao vídeo, entre eles tabelas e textos.

O resultado é um webdocumentário que mostra esses fotógrafos em ação, realizando suas pautas, mas também discutindo temas como cidadania, direitos humanos e comunidades populares.

Menção Honrosa – Emboscada e morte de extrativistas no Pará – Glauco Araújo – G1 (1) Globo.com – São Paulo

Diante da morte do casal de extrativistas José Claudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo, ocorrida em 24 de maio deste ano, no assentamento Praialta Piranheira, em Nova Ipixuna (PA), o G1 percebeu a necessidade de seguir até a região para registrar o clima, o medo e ouvir relatos de familiares dos mortos, de agricultores e ambientalistas sobre ameaças de morte e a falta de segurança no campo.

O repórter do G1 seguiu para Marabá (PA) e Nova Ipixuna no dia 3 de junho. Em três dias, dois agricultores ameaçados de morte por fazendeiros e por policiais relataram que tiveram suas casas queimadas e saqueadas.

No dia 18 de junho, os agricultores e suas famílias sofreram emboscada, sobreviveram, foram retirados por homens da Força Nacional e mantidos sob proteção federal. Hoje, eles saíram do Pará e seguiram para seus estados de origem. Em 18 de agosto, novo atentado a tiros marcou a região.

A irmã de José Claudio, a ambientalista Claudelice Silva dos Santos, acompanhou o G1 até o local onde o irmão e a cunhada foram mortos. Foi a primeira vez que ela se colocou no mesmo ponto onde os assassinos de seu irmão e cunhada ficaram antes do crime. O relato emocionado foi registrado em vídeo.

O saldo da viagem foi uma série de reportagens e de vídeos sobre o conflito agrário. Hoje, a Pastoral da Terra soma outras três mortes de ambientalistas além das de José e Maria.

 

REVISTA

Vencedor – Inclusão: O que é ser normal? – Gisele Franchini e Tiago Luis Penteado – Revista  Interativa

Acompanhamos a equipe escolar que desenvolve o trabalho de linguagem de sinais dentro da sala de aula bem como conhecemos o espaço onde os ex-presidiários têm a opção de recomeçar a vida em sociedade, o projeto Liberty.

O dia a dia de uma deficiente auditiva no trabalho também fez parte do processo de produção da reportagem.

O mais importante, mais do que mostrar as condições de como estas pessoas vivem, foi perceber como a perseverança e busca pelos direitos de igualdade são determinantes para traçar um futuro até mesmo quando alguns passos errados são dados, como os ex-presidiários.

Menção honrosa – O Brasil que ainda tortura – Solange Azevedo e Francisco Alves das Chagas Filho – Istoé – São Paulo

O objetivo da reportagem foi mostrar que, duas décadas e meia depois do fim da ditadura militar (1964-1985), o Brasil não está livre da tortura. Sevícias como pressão psicológica, choques, espancamentos, violência sexual e assassinatos ainda fazem parte do cotidiano de delegacias, batalhões da PM, presídios e unidades para adolescentes infratores. Nos anos de chumbo, as vítimas preferenciais eram estudantes engajados, intelectuais e líderes políticos. Atualmente, os torturadores mostram sua face mais cruel aos pobres e encarcerados. Pessoas sem voz e com pouquíssimo acesso à Justiça. Mas tudo indica que a violência contra esses cidadãos, em breve, repercutirá novamente além das fronteiras nacionais e voltará a abalar a imagem do País. Uma delegação do Subcomitê da ONU para a Prevenção da Tortura virá ao Brasil, em setembro, e fará visitas-surpresa a locais de privação de liberdade. O objetivo do grupo é traçar um panorama das agressões e pressionar para que o Estado tome providências. A reportagem de ISTOÉ entrevistou vítimas de policiais de agentes penitenciários.

 

FOTOGRAFIA

Vencedor –  Expulsão – Weber Sian – A Cidade – Ribeirão Preto

Fui acompanhar o cumprimento do mandado de reintegração de posse de uma favela, instalada em uma área particular de Ribeirão Preto. As negociações entre polícia militar e moradores tiveram início às 6 horas. As famílias se recusaram a sair do local e colocaram fogo em pneus e pedaços de madeira. Até mesmo carros foram incendiados. Após duas horas de negociação, sem sucesso, a Tropa de Choque da PM invadiu o local. Foi um cenário de guerra. Policiais atiraram com balas de borracha e usaram bombas de efeito moral.  A cavalaria e  cães treinados invadiram a favela. O helicóptero Águia da PM participou da operação. As pessoas foram retiradas à força de seus barracos e obrigadas a deixar o local sem poder levar seus pertences. Pelo menos nove pessoas ficaram feridas, entre elas um advogado, integrante da Comissão dos Direitos Humanos. Todos os barracos foram demolidos e documentos, móveis e eletrodomésticos destruídos.

Menção honrosa – Tragédia, ganância do poder público – Friolin – Zerohora.com

Temporal e desmoronamento de terras em varias casas na cidade de igrejinha,onde morreram  familias inteiras,em morro vendido pela prefeitura local.

 

ARTES

Vencedor – Sigilo ou vergonha? – FCLopes – Correio Braziliense – Brasilia

Os arquivos do livro “Brasil: Nunca Mais” (ed. Vozes) retornaram ao Brasil em 04/06/2011. Depois de microfilmados, foram remetidos ao exterior por motivos de segurança. Informações relacionadas com a Guerra do Paraguai, assim como outras sobre o período da ditadura militar, são consideradas ultra-secretas pelo governo brasileiro. Qual o verdadeiro motivo por trás do sigilo?

Menção honrosa – Chegou o Natal – Samuca – Diario de Pernambuco.com.br – Recife

Pauta livre

 

TV REPORTAGEM

Vencedor – Guerrilha do Araguaia – partes 1 e 2 – Marcelo Gomes, Roberto Salim Gabriel e Maria Cristina Caparelli Pustiglione – ESPN Brasil – São Paulo

Onde estão os Heróis do Brasil ? Milhares de brasileiros sonhadores, idealistas que também tiveram praticamente o mesmo destino. São os guerrilheiros do Araguaia que nada mais queriam além de proteger o país que vivia um momento intenso de tortura e roubo de suas riquezas. Estão levando o nosso ouro, as nossas pedras: essa era a frase mais ouvida e mais falada  pelos brasileiros que partiram para defender o Brasil. E aproveitando o momento, no qual o Brasil foi obrigado a abrir os arquivos secretos da tortura e da ditadura, o Histórias do Esporte correu atrás para contar as mais variadas e belas histórias destes grandes guerreiros que se tornaram guerrilheiros. Osvaldão foi um deles. Negro, forte, sábio e corajoso. Partiu para comandar um agrupamento, foi morto, e seu corpo foi mostrado ao povo, pendurado num helicóptero pelo Exército brasileiro. Sua história foi contada por parentes que nunca desistiram de encontrar a sua ossada. Osvaldão foi boxeador, engenheiro formado na Tchecoslováquia, foi um mártir na Guerrilha do Araguaia. E apresentamos também outras personagens que fizeram história e que poderiam perfeitamente participar de uma Olimpíada, dando literalmente a vida pelo país – atletas do basquete, boxe, hipismo, futebol, natação… Um alerta para que a ditadura jamais volte a ditar os rumos de um povo que sempre sonhou com um país igual, para todos.

Menção honrosa – Guerra na selva – Gilberto Nascimento, Rodrigo de Luiz Brito Vianna e Gilson Pedro Dias – TV Record – São Paulo

Para a realização da série de reportagens Guerra na Selva, a equipe da TV Record/SP percorreu o caminho traçado por três rapazes de São Paulo que aderiram às Farc (Forças Revolucionárias da Colombia) e seguiram para a selva colombiana. Os três estão desaparecidos. Os repórteres Rodrigo Vianna, Gilberto Nascimento e Gilson Dias seguiram da capital paulista para Manaus e Tabatinga, no Amazonas, e daí para Letícia, Bogotá e San Vicente del Cáguan, na Colombia, em busca de notícias sobre os três jovens – Vladimir Machado Bittar, Antonio Marcelo Manzoni e Radamés Sebastião Pereira. Seus familiares continuam aflitos e pedem ajuda às autoridades brasileiras e colombianas para tentar localizá-los. Os repórteres da Record colheram depoimentos e informações nos locais por onde os rapazes passaram e mostraram ainda a situação da guerrilha e a onda de violência naquele país.

 

TV DOCUMENTARIO

Vencedor – Haiti, o país dos Rest Avec – Lúcio de Castro – ESPN Brasil – São Paulo

“Haiti, o país dos Rest Avec” é um mergulho no quadro daquele país, um ano depois do terremoto, privilegiando a investigação sobre alguns aspectos não abordados quando o assunto é o Haiti, como o real papel da participação das tropas brasileiras, assim como a verdade sobre a ação das ONGs, muitas delas envolvidas em desvio de verba. A reportagem aborda questões absolutamente inéditas quando o assunto é Haiti, desmistificando um pouco o papel das ONGs e forças militares da ONU. Considerado hoje como o “país das ONGs”, no entanto, boa parte dessas verbas abundantes não beneficiam a população, que segue padecendo nas piores condições. Na reportagem, representantes da sociedade civil haitiana têm voz para falar sobre o papel desempenhado pelo Exército brasileiro e forças da ONU.

Realizado em duras condições de trabalho, visitando as comunidades mais atingidas, o programa teve grande repercussão, ampliando o debate sobre a participação das ONGs e Exército no Haiti.

 

Menção honrosa – Raio-x da saúde no Brasil – Marislei Dalmaz, Rogério Rocha, Graziela Ferreira de Azevedo e Maria Cristina Angelini – TV Globo – São Paulo

A equipe do Globo Repórter viajou pelo Brasil para mostrar como anda a saúde pública no país. O que encontramos foi descaso, desrespeito e brasileiros morrendo por falta de cuidados. Hospitais superlotados, sem equipamentos adequados e profissionais despreparados. Dinheiro que deveria salvar vidas, indo pelo ralo em prédios inacabados. Médicos que não cumprem a jornada de trabalho. O programa registrou as cenas de um drama que se repete diariamente na vida de milhões de brasileiros.

 

JORNAL

Vencedor – Guerras desconhecidas do Brasil – Leonencio Nossa e Celso Silva Sarmento Jr. – O Estado de S.Paulo

A investigação reconstituiu a história de 32 revoltas ocorridas nos últimos 110 anos, em que morreram 556 civis e cem agentes, a partir de documentos e da memória coletiva de pessoas simples.

1ª fase (mai/out 2009) – Nos arquivos, identificamos revoltas “perdidas” em pastas classificadas por criminalidade e terra. Recorremos ao acervo dos arquivos Nacional, Exército, BA e PE (1910 a 1930), às secretarias de Segurança do RS, MG, PA, PR e PE (1930 a 1960), aos papéis dos DOPS do PR, RS, SP, GO, PE, BA, MG, PA e PE e às atas do Conselho de Segurança Nacional (1970 a 1980). Ao analisar 35.250 documentos, levantamos 75 possíveis revoltas.

2ª fase (Nov/2009) – Após confronto das informações com periódicos da Biblioteca Nacional, eliminamos 43 casos que não tinham características de revolta popular.

3ª fase (fev/nov de 2010) – Em viagens a 41 cidades, num percurso total de 13.500 quilômetros, realizamos 335 entrevistas e analisamos 105 processos de terra e 22 criminais de cartórios e 460 papéis de famílias, cemitérios, igrejas e hospitais.

Por meio de um caderno de 24 páginas e site com áudios e imagens ( http://migre.me/5kWcV), revelamos que a máquina da matança do Estado foi usada na ditadura e na democracia. A população civil não assistiu calada às ditaduras Vargas e Militar. Distribuímos exemplares do caderno entre professores das áreas dos conflitos.

Menção honrosa – Infância à deriva – Mauri König – Gazeta do Povo – Curitiba

Durante três semanas eu e o fotógrafo Jonathan Campos percorremos a região mais rica da costa brasileira para investigar a exploração sexual de crianças e adolescentes nas cidades portuárias de Santos (SP), Paranaguá (PR), Itajaí (SC) e Rio Grande (RS). Essa reportagem exigiu uma imersão no submundo da prostituição e do tráfico de drogas para entrevistar prostitutas e criminosos. Para reduzir os riscos próprios de uma investigação desse gênero, me infiltrei nesses lugares disfarçado de cliente atrás de droga ou em busca de sexo barato. Nesses ambientes, Jonathan  me acompanhava à distância para avisar sobre um eventual perigo e nos ambientes externos ele registrava as imagens de dentro de um carro, protegido por uma película escura nos vidros enquanto eu fazia as entrevistas. Essa tática reduziu os riscos, mas não evitou que eu tivesse de sair sob ameaças de agressão de uma rua onde ocorria prostituição em Santos. Por diversos momentos tive de suspender temporariamente as investigações por causa de ameaças e intimidações.