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Maré conservadora estimula violência contra jornalistas

Maré conservadora estimula violência contra jornalistas

Vlado_proteção-aos-jornalistas

22/02/2015

Quase diariamente ocorrem episódios de agressões policiais a profissionais de imprensa. Se isso não bastasse, repetem-se com alarmente frequência ofensas e agressões de civis a jornalistas, em plena rua.

Há anos a credibilidade e a importância da imprensa livre vêm sendo mutiladas, à medida que a sociedade se torna conservadora e adepta da violência como solução para os seus problemas. Aqueles que denunciam essa perversão são apontados – e tratados – como inimigos.

A intimidação e as ameaças à integridade física dos jornalistas – entre eles os que documentam corajosamente para as redes sociais a rotina da violência disseminada na cena pública – são a nova versão da censura praticada com despudor sob a ditadura militar. Com a diferença de que, no regime dos generais, o amordaçamento da imprensa noticiosa e da opinião dissidente dispensavam disfarces. Hoje, tira proveito do muito que a democracia brasileira tem de incompleto – porque insuficiente é o respaldo que lhe dá o grosso da população.

O resultado é o entorpecimento da cidadania. Como se a democracia pudesse se efetivar e desenvolver em meio à omissão e indiferença de tantos.

É verdade que os espaços públicos estão abertos à expressão do protesto e das demandas sociais. É verdade também, no entanto, que a polícia nunca matou tanto, enquanto o cerceamento físico ao exercício do jornalismo livre e atuante – pilar da garantia dos direitos humanos – assume proporções incompatíveis até mesmo com a imperfeita a ordem democrática no Brasil.

Reagir é preciso.
Instituto Vladimir Herzog