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Nos radicalismos, a liberdade de expressão é a primeira vítima

Nos radicalismos, a liberdade de expressão é a primeira vítima

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Parafraseamos o dramaturgo grego Ésquilo – que afirmou que, na guerra, a verdade é a primeira vítima – para destacar que temos assistido a novos atentados contra o jornalismo e jornalistas, portanto contra a liberdade de expressão, seja por violência física ou pelas vias judicial ou administrativa.

Reunimos a seguir manifestações de entidades profissionais de jornalismo, empresariais e da UNESCO, bem como uma noticia da AFP-Agência France Presse, publicada por “O Estado de S.Paulo”, para demonstrar que, nos últimos dias, o direito da sociedade à informação tem sofrido novas investidas, no Brasil e na Venezuela.

O Instituto Vladimir Herzog, que tem como valores a democracia, a dignidade humana, a liberdade de expressão e a verdade, denuncia e condena tais atentados, venham de onde vierem, porque cercear a imprensa caracteriza regimes ditatoriais e grupos que, por radicalismo ou ignorância, tentam tolher o direito da sociedade à informação.

E a sociedade não pode conformar-se com esse tipo de atitude. Caso contrário, como diz o ditado espanhol, estará criando corvos, que lhe arrancarão os olhos.

Instituto Vladimir Herzog
14/03/2016

 

Abraji condena ações contra jornalistas em Goiás e no Paraná 

Profissionais da imprensa foram impedidos de trabalhar e alvo de agressão nos últimos dois dias por integrantes de movimentos sociais.

Na terça-feira (8.mar.2016), representantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) invadiram a sede do Grupo Jaime Câmara para protestar contra a TV Globo em Goiânia (GO). Os manifestantes picharam as instalações e impediram a entrada e saída de jornalistas do edifício onde funcionam uma afiliada da TV Globo, a sucursal da Rádio CBN e dois jornais (vídeo).

Na quarta-feira (9.mar.2016), a repórter Patricia Sonsin e o repórter cinematográfico Davi Ferreira, da afiliada da Band em Cascavel (PR), foram ameaçados e retidos por integrantes do MST quando tentavam fazer uma reportagem sobre a ocupação de fazendas em Tarobá (PR). A dupla relatou ter sido obrigada a acompanhar o grupo até o acampamento, sob a ameaça de terem os equipamentos quebrados. Teriam sido obrigados a permanecer no local por cerca de 20 minutos, sofrendo agressões verbais.

A Abraji repudia ataques, agressões e ações para impedir o trabalho de jornalistas. Sem prejuízo da liberdade de manifestação política, é inaceitável o uso da violência para tentar intimidar e constranger o trabalho de repórteres que cumprem o dever de informar a sociedade e, por isso, devem ser respeitados. A Abraji espera que os responsáveis por tais atos sejam identificados e punidos. Agredir jornalistas ou tentar impedi-los de trabalhar são formas de agir contra a democracia.

Diretoria da Abraji, 10 de março de 2016.

http://www.abraji.org.br/?id=90&id_noticia=3390

SindijorPR se manifesta sobre ocorrido em Quedas do Iguaçu

Trabalhadores devem ser respeitados e não confundidos com a posição editorial da emissora

 

Diante dos fatos ocorridos nesta quarta-feira (9) em Quedas do Iguaçu, envolvendo integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e uma equipe da TV Tarobá, de Cascavel, o SindijorPR reitera que é contra tentativas de cerceamento da liberdade do exercício profissional de jornalistas, de acordo com a Constituição e com o código de ética e conduta da profissão.

Segundo a emissora, a jornalista Patrícia Sonsin e o repórter-cinematográfico Davi Ferreira foram cobrir a ocupação do MST no município, quando integrantes do movimento, “armados com escopetas, facões e pedras, se aproximaram do carro da emissora” e fizeram os dois profissionais “de reféns por alguns minutos”, segundo nota da TV em seu site. Em vídeo, os trabalhadores relataram a tensão sentida pela situação e afirmaram não terem visto armas com os integrantes do movimento.

Procurada pelo SindijorPR, a Assessoria de Comunicação do MST, representada pela jornalista Riqueli Capitani, informou que os repórteres foram conduzidos ao portal de entrada do acampamento, onde foi feita comunicação via rádio, e aguardaram a decisão da coordenação sobre se a equipe seria recebida para gravação. Capitani ressalta que “o movimento já comunicou à TV Tarobá que seus integrantes não dão entrevistas para a emissora, devido às seguidas reportagens criminalizando o MST”.

O movimento disse ainda que “lamenta qualquer excesso que tenha ocorrido por seus integrantes, que assustaram os dois profissionais de imprensa, reação aos seguidos ataques que sofrem da TV Tarobá”. No entanto, afirma que em momento nenhum os jornalistas estavam “em alguma espécie de sequestro ou (feitos de) reféns”, mas que apenas aguardaram o retorno da coordenação via rádio. O MST reforçou ao SindijorPR a sua defesa da liberdade de imprensa, da regulamentação dos meios de comunicação e contra o monopólio da mídia.

Para o SindijorPR, é inaceitável qualquer tipo de intimidação e ameaça a jornalistas que impeça o livre exercício profissional. Mesmo que o MST não concorde com as posições da TV Tarobá, e tenha decidido não conceder gravações à emissora, é esperado que ao menos os trabalhadores sejam respeitados, e não confundidos com a posição editorial do veículo. A entidade reitera que a equipe de reportagem agiu da forma como o Sindicato orienta nessas situações: procurar a Polícia Militar e registrar Boletim de Ocorrência, para que as autoridades possam investigar o caso.

Direção do SindijorPR
http://sindijorpr.org.br/noticias/2/noticias/6538/sindijorpr-se-manifesta-sobre-ocorrido-em-quedas-do-iguacu

 

 

Nota publicada em 11 de Março

Nota Pública

 

Diretor de jornal é condenado a 4 anos de prisão na Venezuela

O Estado de S. Paulo

11/03/2016 | 21h07

David Natera foi considerado culpado de ‘difamação’ por publicar denúncia de corrupção no governo venezuelano

CARACAS – O diretor do diário venezuelano, Diário de Caroni, David Natera, foi condenado nesta sexta-feira, 11, a 4 anos de prisão por difamação, após ter publicado, em 2013, denúncias de corrupção envolvendo a mineradora estatal CVG Ferrominera Orinoco. Entidades de classe e que monitoram a liberdade de imprensa, como o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) e a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) criticaram a medida. 

“A condenação tem o claro objetivo de intimidar o jornalismo”, disse o diretor de liberdade de imprensa da SIP, Claudio Paolillo.  O CPJ ressaltou que a condenação terá impacto na prática do jornalismo investigativo na Venezuela.

Natera recorreu da condenação na primeira instância e terá de se apresentar de 30 em 30 dias à Justiça. Ele não poderá deixar o país. 

Mais cedo, o diário El Carabobeño informou que   deixará de circular a partir do dia 17, após 82 anos de publicação, em razão da falta de papel, informou ontem o próprio veículo, que afirma que a fábrica estatal não vende o material à empresa há um ano.

“El Carabobeño, em seu formato impresso, se despedirá a partir do dia 17 de março. A razão é única: não há papel. A empresa socialista que monopoliza a venda desse material vital para a circulação dos veículos de comunicação, o Complejo Editorial Alfredo Maneiro, não nos vende a matéria-prima há um ano”, afirmou a corporação em comunicado.

De acordo com o jornal, sediado na cidade de Valencia, o governo nega ao veículo desde 2013 a aquisição de divisas para “concretizar a importação de papel, processo que a empresa desenvolvia há 40 anos”.

Na Venezuela, rege desde 2003 um controle estatal de câmbio que impede a livre compra e venda de divisas, administradas de maneira exclusiva pelo governo. / AFP
http://m.internacional.estadao.com.br/noticias/geral,diretor-de-jornal-venezuelano-e-condenado-a-4-anos-de-prisao,1842661