DOE AGORA

Pesquisa revela que mulheres da periferia ainda não se sentem respeitadas no ambiente público

Pesquisa revela que mulheres da periferia ainda não se sentem respeitadas no ambiente público

Levantamento foi realizado pela Agência Énois – Inteligência Jovem, em parceria com os Institutos Vladimir Herzog e Patrícia Galvão

Uma pesquisa realizada pela Agência Énois – Inteligência Jovem, em parceria com os Institutos Vladimir Herzog e Patrícia Galvão, procurou entender como a violência contra a mulher e o machismo atingem mulheres da periferia. O levantamento ouviu mais de 2.300 brasileiras, de 14 a 24 anos, das classes C e D.

A pesquisa revelou que 90% das mulheres ouvidas, que vivem nas periferias brasileiras, afirmam ter deixado de frequentar espaços públicos e de usar determinadas roupas por medo da violência.

“O que a gente percebe é que, desde a infância, essas meninas são criadas e educadas para aceitarem determinados tipos de machismo e até mesmo de violência”, afirma Erica Teruel Guerra, jornalista e coordenadora do estudo, em entrevista à Rádio CBN.

A pesquisa ainda revela que 77% das meninas afirmam que o machismo afetou o desenvolvimento delas como mulheres. “Desde os primeiros anos de vida, essas meninas têm o acesso público de um jeito muito diferente dos meninos. Os meninos são incentivados a brincar na rua, jogar futebol, empinar pipa; e as meninas têm esse acesso restrito. A consequência disso é que, ao longo do desenvolvimento dessas meninas, essa relação complicada com o espaço público continua”, explica Erica.

Outro ponto relevante do levantamento trata da criação das jovens brasileiras. A pesquisa mostra que 74% das entrevistadas afirmam ter recebido tratamento diferente durante a criação por serem mulheres. Para a coordenadora do estudo, além das restrições em relação às roupas que podiam usar e aos espaços que podiam frequentar, o número também evidencia que ainda existem brincadeiras proibidas para meninas: “Uma coisa que surpreendeu a gente foi o fato de existirem meninas que são impedidas, por exemplo, de jogar futebol ou de empinar pipa, por serem consideradas coisas de menino”.

O papel da mídia no desenvolvimento das meninas também é abordado pela pesquisa. Segundo o levantamento, 86% das entrevistadas não se reconhecem e não se consideram representadas pela mídia. “Isso é uma coisa muito grave, que tem consequências na autoestima das jovens e na forma como elas vão se relacionar com os homens e com as mulheres”, explica Erica.

A pesquisa completa será apresentada durante o 1º Seminário Internacional Cultura da Violência contra as Mulheres, que acontece nos dias 20 e 21 de maio no Sesc Pinheiros, em São Paulo.

A entrevista completa de Erica Teruel Guerra para a Rádio CBN pode ser ouvida aqui: