DOE AGORA

Mortos na ditadura militar recebem homenagem no cemitério de Perus

Mortos na ditadura militar recebem homenagem no cemitério de Perus

Ao todo, 53 vítimas da ditadura terão os nomes expostos em placas em três cemitérios municipais da capital paulista.

Placa homenageia 31 vítimas da ditadura militar sepultadas no Cemitério Dom Bosco, em Perus, é inaugurada (Rovena Rosa/Agência Brasil).

Com informações do Portal G1

Foi instalada nesta segunda-feira (4) no cemitério Dom Bosco, em Perus, Zona Norte de São Paulo, a primeira placa em homenagem às vítimas da ditadura militar enterradas em cemitérios da cidade. Ao todo, três cemitérios municipais da capital paulista irão homenagear 53 vítimas que foram sepultadas entre 1969 e 1979 na cidade.

Serão três placas, uma em cada cemitério. São 31 nomes na placa do cemitério Dom Bosco; 19 nomes na placa do cemitério da Vila Formosa, na Zona Leste; e 3 no cemitério Campo Grande, na Zona Sul. Como parte da homenagem, há também o plantio de ipês nestes cemitérios, como ocorreu nesta segunda no Dom Bosco.

No dia 18 de setembro, o Cemitério de Campo Grande recebe a placa e, por último, dia 26 de setembro, o Cemitério de Vila Formosa.

O projeto é uma parceria das secretarias de Direitos Humanos e Cidadania (SMDHC), do Verde e Meio Ambiente (SVMA) e o Serviço Funerário do Município de São Paulo (SFMSP).

Veja a lista de homenageados:

Cemitério Dom Bosco

ALEX DE PAULA XAVIER PEREIRA (1949 – 1972)
Estudante, foi morto aos 22 anos sob tortura por agentes do DOI-Codi/SP, apesar da versão oficial de tiroteio. Foi enterrado sob nome falso de João Maria de Freitas, no cemitério de Perus, localizado pelos familiares em 1979 e tras¬ladado para o Rio de Janeiro.

ALEXANDRE VANNUCCHI LEME (1950 – 1973)
Estudante de Geologia da USP, militante da ALN, sequestrado por equipe do DOI-Codi/SP, foi assassinado um dia depois, sob tortura. Foi enterrado como indigente sem caixão, em cova coberta com cal virgem, para acelerar a decomposição do corpo. Apesar dos esforços da família, os restos mortais de Alexandre só foram trasladados em 24/03/1983, dez anos depois.

ÂNGELO ARROYO (1928 – 1976)
Metalúrgico e comerciante, membro do Comitê Central do PCdoB, foi assassi-nado na Rua Pio XI, no bairro da Lapa, por agentes do Estado. Foi enterrado como indigente no cemitério de Perus e posteriormente exumado e trasladado pela família para o cemitério da Quarta Parada, na capital.

ANTONIO BENETAZZO (1941 – 1972)
Jornalista e professor, natural de Verona, Itália, cursou Filosofia e Arquitetura na USP e militou na ALN e Molipo. Foi sequestrado e executado por agentes da repressão depois de muitas torturas, aos 31 anos. Foi enterrado como indi¬gente no cemitério de Perus, em 31/10/1972, dois dias antes da divulgação de sua morte. Posteriormente, os restos mortais foram localizados e trasladados pelos familiares.

ANTÔNIO CARLOS BICALHO LANA (1949 – 1973)
Militante da ALN, foi sequestrado junto com Sônia Maria Lopes de Moraes Angel Jones, em São Vicente, e levado para o sítio clandestino 31 de Março, onde os dois foram executados por agentes do Estado depois de muita tortura. Seu corpo foi enterrado no cemitério de Perus, identificado em 1991 pela Unicamp e trasladado para Ouro Preto (MG).

ANTÔNIO SÉRGIO DE MATTOS (1948 – 1971)
Estudante, 23 anos, foi assassinado numa emboscada na Rua João Moura, na capital, e enterrado como indigente no cemitério de Perus. Quatro anos depois, em 1975, a família conseguiu resgatar seus restos mortais e trasladá-los para Macaé (RJ). Estudante do curso de Ciências Sociais da USP, militante do Molipo, foi morto sob torturas depois de ferido numa emboscada e enterrado no cemitério de Perus, sob o nome falso de Dário Marcondes. Seus restos mortais foram joga¬dos na vala de Perus e nunca identificados.

CARLOS NICOLAU DANIELLI (1929 – 1972)
Operário, jornalista, foi sequestrado e morto, sob torturas, no DOI-Codi/SP, por agentes do Estado. Foi enterrado no cemitério de Perus como indigente. Oito anos depois, em 11/04/1980, seus restos mortais foram trasladados para Niterói (RJ).

DÊNIS CASEMIRO (1942 – 1971)
Militante da VPR, irmão de Dimas Casemiro, foi sequestrado pela repressão e submetido a torturas por quase um mês, morrendo aos 28 anos de idade, em meio a versões, datas e registros falsos, forjados pela repressão. Enterrado no cemitério de Perus, seus restos mortais foram resgatados da vala clandestina em setembro de 1990 e identificados no ano seguinte. O corpo foi trasladado em agosto de 1991 para Votuporanga (SP) pela família.

DIMAS ANTÔNIO CASEMIRO (1946 – 1971)
Militante da VAR-Palmares, foi também dirigente do MRT, tendo sido morto aos 25 anos de idade depois de dias preso e apresentando sinais de tortura. Segundo laudo do IML, seu corpo foi enterrado no dia 20/04/1971, no cemitério de Perus, mas jamais localizado e identificado. É provável que esteja entre as ossadas encontradas na vala clandestina.

FLÁVIO CARVALHO MOLINA (1947 – 1971)
Estudante, militante do Molipo, foi sequestrado em 06/11/1971 e assassinado um dia depois, sob tortura, pelos agentes do DOI-Codi/SP. Foi sepultado sob o nome falso de Álvaro Lopes Peralta no dia 09/11 e levado para a vala clandes-tina em 1976. Seus restos foram identificados em setembro de 2005, entregues à família e trasladados para o Rio de Janeiro.

FRANCISCO JOSÉ DE OLIVEIRA (1943 – 1971)
Estudante do curso de Ciências Sociais da USP, militante do Molipo, foi morto sob torturas depois de ferido numa emboscada e enterrado no cemitério de Perus, sob o nome falso de Dário Marcondes. Seus restos mortais foram jogados na vala de Perus e nunca identificados.

FREDERICO EDUARDO MAYR (1948 – 1972)
Estudante universitário, militante do Molipo, foi assassinado sob tortura, con¬forme depoimentos de outros presos. Foi enterrado em Perus como indigente sob nome falso de Eugênio Magalhães Sardinha, tendo depois sido removido para a vala clandestina e só identificado em 1992, quando a família trasladou seus restos mortais para o Rio de Janeiro.

GASTONE LÚCIA DE CARVALHO BELTRÃO (1950 – 1971)
Estudante, foi assassinada aos 22 anos de idade por agentes da repressão, sob torturas, apesar da versão oficial de tiroteio. Foi enterrada em Perus como indigente. Apenas em 1975 foi permitido à família o acesso aos seus restos mortais, trasladados para o jazigo da família em Maceió (AL).

GELSON REICHER (1949 – 1972)
Aluno do curso de Medicina da USP, militante da ALN, morreu na mesma ação que vitimou Alex Xavier, sob torturas, apesar da encenação oficial de tiroteio. Foi enterrado em Perus com o nome falso de Emiliano Sessa. Tempos depois, localizados pela família, seus restos mortais foram trasladados para o cemitério Israelita do Butantã.

GERARDO MAGELA FERNANDES TORRES DA COSTA (1950 – 1973)
Estudante da Medicina de Sorocaba, morreu aos 23 anos depois de preso e torturado no DOI-Codi/SP, apesar da versão oficial falsa de suicídio. O laudo necroscópico estava marcado com um “T”, de terrorista, e informa que o corpo foi enterrado no cemitério de Perus com o nome de Geraldo. Mais tarde, em 27/10/1977, foi exumado e reinumado no mesmo cemitério.

GRENALDO DE JESUS SILVA (1941 – 1972)
Ex-marinheiro, foi executado no interior de um avião, no Aeroporto de Congonhas, por agentes da repressão, que divulgaram a versão de que teria se suicidado. Foi enterrado como indigente em Perus no dia 01/06/1972 e seus restos mortais ainda não foram identificados.

HELBER JOSÉ GOMES GOULART (1944 – 1973)
Militante da ALN, foi assassinado aos 29 anos, em decorrência de torturas, nas dependências do DOI-Codi/SP, onde foi visto por outros presos políticos. Foi enterrado no cemitério Dom Bosco, em Perus, como indigente. Em 1992, seus restos mortais foram exumados, identificados e trasladados para a cidade de Mariana (MG).

HÉLCIO PEREIRA FORTES (1948 – 1972)
Estudante, militante da ALN, foi morto aos 24 anos de idade, sob torturas, apesar da versão oficial de tiroteio. Foi enterrado em Perus, à revelia da famí¬lia, que só anos depois, em 1975, conseguiu trasladá-lo para Ouro Preto (MG).

HIROAKI TORIGOE (1944 – 1972)
Militante do Molipo, estudante de medicina da Faculdade da Santa Casa de São Paulo, foi assassinado aos 28 anos de idade, sob torturas, depois de ferido em ação da repressão. Foi enterrado como indigente no cemitério de Perus sob o nome falso de Massahiro Nakamura. Mesmo depois de sucessivas exuma¬ções, seus restos mortais nunca foram identificados.

IURI XAVIER PEREIRA (1948 – 1972)
Estudante, militante da ALN, foi ferido em uma emboscada no bairro da Mooca, no restaurante Varella, e levado às dependências do DOI-Codi/SP, onde morreu provavelmente sob torturas. Foi enterrado no cemitério de Perus como indigente e somente em 1980 seus restos mortais foram localizados e trasladados para o Rio de Janeiro pela família.

JOAQUIM ALENCAR SEIXAS (1922 – 1971)
Militante do MRT, morreu sob tortura nas dependências do DOI-Codi/SP, então comandado pelo major Carlos Alberto Brilhante Ustra. Foi o primeiro militante político enterrado como indigente no recém-inaugurado cemitério Dom Bosco, em Perus. Foi exumado em 1977. Seus restos mortais foram iden¬tificados e trasladados pela família.

JOSÉ JÚLIO DE ARAÚJO (1943 – 1972)
Bancário, militante da ALN, foi sequestrado e executado por agentes do DOI-Codi/SP depois de muita tortura, conforme testemunho de ex-presos. Foi enter-rado como indigente em Perus e, em agosto de 1975, localizado pelo irmão, exumado e trasladado para Belo Horizonte (MG).

JOSÉ MILTON BARBOSA (1939 – 1971)
Ex-sargento do Exército, cassado em 1964, morreu sob torturas depois de ferido em emboscada numa rua do bairro do Sumaré, em São Paulo. Foi sepultado como indigente sob nome falso de Hélio José da Silva, no cemitério de Perus, e até hoje seus restos mortais não foram localizados.

JOSÉ ROBERTO ARANTES DE ALMEIDA (1943 – 1971)
Militante do Molipo, estudante, foi preso aos 28 anos na Rua Cervantes e assassinado pelos militares. Sua morte foi noticiada pelos jornais somente no dia 09/11 e a família foi comunicada de sua morte após o corpo ter sido enterrado como indigente no Cemitério Dom Bosco, em Perus, sob a falsa identificação de José Carlos Pires de Andrade. Foi exumado e trasladado pela família para Araraquara (SP) em 16/11/1971

LUIZ EURICO TEJERA LISBÔA (1948 – 1972)
Universitário, militante da ALN, foi sequestrado em setembro de 1972, aos 24 anos, executado por agentes da repressão e enterrado em Perus como indigente com o nome falso de Nelson Bueno. Localizados e identificados pela família, seus restos mortais foram trasladados em 1982 para Porto Alegre (RS).

LUIZ HIRATA (1944 – 1971)
Estudante de agronomia da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (USP), de Piracicaba, era militante da AP e do Movimento de Oposição Sindical Metalúrgica de São Paulo. Foi assassinado depois de quase um mês de tortu¬ras pela equipe do delegado Fleury. Enterrado como indigente no cemitério de Perus, seus restos mortais não foram identificados.

LUIZ JOSÉ DA CUNHA (1943 – 1973)
Membro do Comando Nacional da ALN, foi assassinado aos 30 anos nas dependências dos DOI-Codi/SP, em decorrência de torturas, e enterrado como indigente no cemitério de Perus. Sua ossada, sem o crânio, foi exumada em 1991, mas só identificada em 01/09/2006 e trasladada para o Recife (PE) no dia seguinte.

MIGUEL SABAT NUET (1923 – 1973)
Natural de Barcelona, na Espanha, foi preso por agentes do Deops/SP em 09 de outubro de 1973 e morto um mês e meio depois em decorrência de torturas, segundo depoimentos de ex-presos políticos. Seu assassinato foi anunciado como suicídio e ele foi enterrado como indigente no cemitério Dom Bosco, em Perus. Com a abertura dos arquivos do Deops para os familiares dos desapa-recidos políticos, em 1992, foi encontrada uma requisição de exame necroscó-pico com o nome de Nuet marcada com o “T” de terrorista. Ele foi colocado na lista de mortos e desaparecidos políticos e a investigação levou à identificação de sua ossada em 2008.

PEDRO VENTURA FELIPE DE ARAÚJO POMAR (1913 – 1976)
Jornalista, ex-deputado federal e membro da direção do PCdoB, foi executado na Rua Pio XI, no bairro da Lapa, por agentes do Estado. Foi enterrado como indigente, sob nome falso, no cemitério de Perus. Posteriormente, foi exumado e trasladado para Belém do Pará pela família.

RUI OSVALDO AGUIAR PFÜTZENREUTER (1942 – 1972)
Jornalista, formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, seques¬trado em São Paulo em 14/04/1972, foi assassinado sob torturas no DOI-Codi/SP, no dia seguinte, aos 29 anos. Era militante do Partido Operário Revolucionário Trotskista (PORT) e foi sepultado como indigente no cemitério de Perus. Depois de muito esforço, a família conseguiu identificar os restos mortais e trasladá-lo para Santa Catarina.

SÔNIA MARIA LOPES DE MORAES ANGEL JONES (1946 – 1973)
Militante da ALN, a professora foi presa ao lado do companheiro Antônio Carlos Bicalho Lana. Apesar da falsa versão de tiroteio, ela foi barbaramente torturada antes de ser assassinada e enterrada como indigente e com nome falso no cemitério de Perus. A família passou uma década tentando encontrar seus restos mortais, finalmente identificados em 1991 e trasladados para o Rio de Janeiro.

Cemitério da Vila Formosa

ALCERI MARIA GOMES DA SILVA (1943 – 1970)
Operária e militante da VPR, foi assassinada a tiros por agentes da Oban que invadiram e metralharam a casa onde ela residia, no Tatuapé. Enterrada como indigente em Vila Formosa, seus restos mortais não foram localizados em razão das modificações nas quadras do cemitério.

ANTÔNIO DOS TRÊS REIS DE OLIVEIRA (1948 – 1970)
Militante da ALN, foi assassinado a tiros por agentes do DOI-Codi/SP, junto com Alceri Gomes da Silva. Foi enterrado como indigente em Vila Formosa e seus restos não foram identificados até hoje.

ANTÔNIO RAYMUNDO DE LUCENA (1921 – 1970)
Operário, foi morto no sítio em que morava, em Atibaia (SP), com vários tiros espalhados pelo corpo e características de execução sumária. Foi enterrado em Vila Formosa como indigente no terreno 253, antiga quadra 57. Devido à desfiguração da quadra, seus restos mortais ainda não foram localizados.

CARLOS MARIGHELLA (1911 – 1969)
Baiano de Salvador, dirigente da ALN, foi assassinado em uma emboscada nos Jardins, em São Paulo, e sepultado como indigente no cemitério de Vila Formosa. Em dezembro de 1979, 10 anos depois, seus restos mortais foram identificados e trasladados para sua cidade natal.

CARLOS ROBERTO ZANIRATO (1949 – 1969)
Integrante da VPR, foi soldado do exército sob o comando de Carlos Lamarca, com quem desertou em 24 de janeiro de 1969. Depois de sequestrado por agen¬tes da repressão e preso no Deops /SP, foi torturado até a morte e enterrado como indigente no cemitério de Vila Formosa como “desconhecido 2.777”.

DEVANIR JOSÉ DE CARVALHO (1943 – 1971)
Operário metalúrgico da região do ABC, militou no MRT. Ferido em tiroteio, teria sido morto dois dias depois, sob torturas, pela equipe do delegado Fleury e enterrado como indigente no cemitério de Vila Formosa. Seus restos mortais nunca foram identificados.

EDSON NEVES QUARESMA (1939 – 1970)
Marinheiro, militante da VPR, foi assassinado numa praça da cidade por agen¬tes do DOI-Codi/SP e enterrado no cemitério de Vila Formosa como indigente, não sendo localizados e identificados seus restos mortais até o presente.

HAMILTON FERNANDO DA CUNHA (1941 – 1969)
Era militante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Natural de Santa Catarina, atuava em atividades culturais na cidade de São Paulo. Foi assas¬sinado em seu local de trabalho por agentes do Deops e sepultado pela família no cemitério de Vila Formosa.

JOELSON CRISPIM (1948 – 1970)
Militante da VPR, foi assassinado a tiros aos 22 anos por agentes do DOI-Codi/ SP e enterrado sob o nome falso de Roberto Paulo Wilda no cemitério de Vila Formosa. Seus restos mortais ainda não foram identificados

JOSÉ IDESIO BRIANEZI (1946 – 1970)
Atuou no movimento estudantil no Paraná, filiou-se à ALN e foi assassinado na pensão onde morava, no bairro do Campo Belo, em São Paulo, aos 24 anos. Enterrado em Vila Formosa, a identificação dos restos mortais trasladados para Apucarana foi questionada e colocada em dúvida por seus pais.

JOSÉ MARIA FERREIRA DE ARAÚJO (1946 – 1970)
Marinheiro, militante da VPR, foi sequestrado em São Paulo em ação de agen¬tes do DOI-Codi/SP. Foi assassinado durante as torturas e sepultado em Vila Formosa sob o nome falso de Edson Cabral Sardinha, na sepultura número 119, quadra 11, mas jamais localizado e identificado em razão das modificações realizadas naquele cemitério.

MANOEL JOSÉ MENDES NUNES DE ABREU (1949 – 1971)
Estudante da Politécnica da USP, era português de nascimento e foi assassi¬nado pelos órgãos de repressão aos 22 anos, depois de cair numa emboscada na Rua João Moura. Foi sepultado pela família no cemitério de Vila Formosa.

MARCO ANTÔNIO BRAZ DE CARVALHO (1940 – 1969)
Carioca de Angra dos Reis (RJ), foi assassinado a tiros pelas costas, aos 29 anos de idade, por policiais do Deops/SP no bairro de Santa Cecília. Era dirigente da Ação Libertadora Nacional (ALN). Foi sepultado pela família no cemitério de Vila Formosa.

NEIDE ALVES DOS SANTOS (1944 – 1976)
Funcionária de um supermercado e militante do PCB, foi assassinada aos 31 anos em decorrência de ação perpetrada por agentes do Estado. A requisição de exame do IML/SP contém a letra “T”, de terrorista. Seu corpo foi entregue à família em caixão lacrado e o sepultamento no cemitério de Vila Formosa foi monitorado por agentes da repressão.

NORBERTO NEHRING (1940 – 1970)
Militante da ALN e professor universitário, morreu sob torturas nas mãos da equipe do delegado Fleury, embora a versão oficial, mentirosa, fale em suicí¬dio. Foi sepultado com nome falso de Ernest Snell Burmann no cemitério de Vila Formosa. Três meses depois, a família foi avisada, a exumação confirmou sua identificação e o corpo foi trasladado para o jazigo da família.

ROBERTO MACARINI (1950 – 1970)
Bancário e militante da VPR, foi preso e torturado no DOI-Codi/SP. Debilitado, levou os agentes da repressão a um suposto encontro com companheiros. A versão oficial diz que ele se atirou do Viaduto do Chá. A requisição do laudo de necropsia está assinalada com um T de “terrorista”. Foi sepultado pela família no cemitério de Vila Formosa.

SERGIO ROBERTO CORRÊA (1941 – 1969)
Militante da ALN, aluno da Filosofia, Ciências e Letras na USP, teria mor¬rido em 4 de setembro, junto com Ishiro Nagami, na explosão do carro em que estavam. Enterrado como indigente no cemitério de Vila Formosa, seus restos mortais nunca foram identificados.

VIRGÍLIO GOMES DA SILVA (1933 – 1969)
Operário da área química, militou no Partido Comunista do Brasil (PCB) e depois na ALN, ao lado de Marighella. Foi sequestrado e morto sob torturas. A documentação oficial indica que foi sepultado no cemitério de Vila Formosa, mas até hoje seu corpo não foi identificado e permanece desaparecido.

YOSHITANE FUJIMORI (1944 – 1970)
Militante da VPR, atuou ao lado de Lamarca no Vale do Ribeira. Foi execu¬tado a tiros junto com Edson Neves Quaresma e enterrado sob nome falso no cemitério de Vila Formosa. Seus restos mortais não foram localizados e iden¬tificados até os dias de hoje.

Cemitério de Campo Grande

EMMANUEL BEZERRA DOS SANTOS (1943-1973)
Estudante e militante do Partido Comunista Revolucionário (PCR), morreu aos 26 anos em decorrência das torturas que sofreu no DOI-Codi/SP. Foi enter¬rado como indigente no cemitério de Campo Grande. Em 1992, seus restos mortais foram exumados e trasladados para o Rio Grande do Norte, sendo sepultados no dia seguinte em sua cidade natal, São Bento do Norte.

MANOEL LISBÔA DE MOURA (1944-1973)
Estudante e militante do PCR, foi assassinado com 29 anos de idade nas mes¬mas circunstâncias e junto com seu amigo e companheiro de luta, Emmanuel Bezerra dos Santos. Tal como este, foi enterrado como indigente no cemitério de Campo Grande, na zona sul da cidade, posteriormente exumado e trasla¬dado para Maceió (AL), em maio de 2003.

SANTO DIAS (1942-1979)
Operário metalúrgico, membro da Pastoral Operária e do Movimento de Oposição Sindical Metalúrgica de São Paulo, foi assassinado aos 37 anos de idade por um por agente do Estado durante um piquete na frente da fábrica onde trabalhava. No dia seguinte, mais de 30 mil pessoas acompanharam a missa em sua homenagem na Catedral da Sé. Foi sepultado por familiares e amigos no cemitério de Campo Grande, na zona sul da Capital.