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Mortos e desaparecidos políticos da ditadura militar recebem homenagem em frente ao Parque Ibirapuera

Mortos e desaparecidos políticos da ditadura militar recebem homenagem em frente ao Parque Ibirapuera

Instalado num dos principais cartões-postais da cidade, monumento homenageia as pessoas que deram suas vidas na luta pela democracia no Brasil

O primeiro dia do Festival de Direitos Humanos – Cidadania nas Ruas 2014 foi marcado, entre outras atividades, pela inauguração do Monumento em Homenagem aos Mortos e Desaparecidos Políticos, em área externa ao Parque Ibirapuera, em frente à Assembléia Legislativa.

A obra, de seis metros de altura por doze de comprimento, é formada por chapas brancas e uniformes com os nomes dos mortos e desaparecidos políticos de que se tem conhecimento até o presente, segundo o registro dos familiares; e por chapas escuras, colocadas de maneira assimétrica, que representam as diferentes trajetórias desses resistentes. O desenho do projeto é do artista e arquiteto Ricardo Ohtake, autor do primeiro monumento a lançar luz sobre o tema, instalado no Cemitério Dom Bosco, em Perus, onde foi encontrada a vala clandestina com mais de mil ossadas de desaparecidos políticos, em 1990.

A iniciativa da Coordenação de Políticas de Direito à Memória e à Verdade da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo busca estabelecer marcos de memória que simbolizem a luta pela democracia na cidade, um dos objetivos da Meta 64 do Programa de Metas. A ação, realizada no marco dos 50 anos do golpe de 1964, vai ao encontro de uma antiga demanda dos familiares de mortos e desaparecidos políticos e militantes do tema, de sinalizar os sítios de memória que marcam a história da resistência. O projeto-executivo, produzido pela arquiteta Anna Ferrari, foi aprovado pelos diversos órgãos municipais, estaduais e federais que autorizam intervenções urbanas na cidade.

“Instalar este monumento num local que é um cartão-postal de São Paulo coloca a luta contra o estado de anomalia que assolou o país por 20 anos no centro das reflexões de todos os que por ali passam”, afirma o secretário municipal de Direitos Humanos e Cidadania, Rogério Sottili.