Liberdade de imprensa nunca esteve tão ameaçada, aponta Repórteres Sem Fronteiras

Liberdade de imprensa nunca esteve tão ameaçada, aponta Repórteres Sem Fronteiras

Segundo relatório internacional divulgado pela ONG Repórteres Sem Fronteiras, liberdade de imprensa se vê sob ameaça e cada vez mais frágil não apenas em regimes autoritários e ditaduras, mas também em democracias.

A liberdade de imprensa no mundo nunca se mostrou tão fragilizada e nunca esteve tão ameaçada quanto agora. É o que mostra a edição 2017 do Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa elaborado pela Repórteres sem Fronteiras (RSF). A ONG destaca ainda que essa liberdade se vê sob ameaça e cada vez mais frágil não apenas em regimes autoritários e ditaduras, mas também em democracias.

A RSF ressalta também que a eleição do presidente dos Estados Unidos Donald Trump desencadeou “uma caça aos jornalistas”. “Os ataques repetidos de Donald Trump, acusando o 4º poder e seus representantes, ‘entre os seres humanos mais desonestos do mundo’, de voluntariamente propagar ‘fake news’ (notícias falsas) não colocaram fim somente a uma longa tradição americana de luta pela liberdade de expressão. As declarações odiosas e as acusações de mentiras do novo chefe da Casa Branca contribuem também para alimentar os ataques contra a imprensa ao redor do mundo, inclusive em países democráticos”, avalia a ONG.

O ranking mostra um aumento do número de países onde a situação da liberdade de imprensa é especialmente grave e revela. No total, cerca de dois terços (62%) dos países listados apresentaram um agravamento de sua situação em 2016. De acordo com a RSF, em apenas um ano, o número de países nos quais a situação para as mídias é considerada como “boa” ou “quase boa” diminuiu em 2,3%. Os países considerados modelos democráticos não estão excluídos dessa queda: o Canadá (22º país em 180) perde 4 posições no Ranking deste ano, os Estados Unidos (43ª posição) perdem 2, a Polônia (54ª) perde 7, a Nova Zelândia (13ª) 8 e a Namíbia (24ª) 7.

A erosão da liberdade de imprensa é especialmente visível nas democracias europeias, que representaram o maior retrocesso nos últimos quatro anos. Os ataques à liberdade de imprensa partem de líderes “antissistema” que, como Trump, tentam desacreditar a mídia: o britânico Nigel Farage, ex-líder do partido xenófobo Ukip, e o italiano Beppe Grillo, líder do Movimento 5 Estrelas.

A RSF dá destaque aos casos do México e da Turquia. O primeiro caiu do 75º lugar em 2002 para 147º este ano. O país foi palco do “assassinato de 10 jornalistas em 2016 e um mês de março de 2017 marcado por ataques em série”. O segundo ficou em 155º lugar, caindo 56 posições em 12 anos: “a Turquia virou a maior prisão do mundo para os profissionais das mídias”.

Brasil
Segundo a ONG, o Brasil continua sendo um dos países mais violentos da América Latina para a prática do jornalismo.

No relatório, a Repórteres Sem Fronteiras também afirma que a ausência de um mecanismo nacional de proteção para jornalistas em situação de risco, juntamente com o clima de impunidade – alimentado pela corrupção desenfreada e pela instabilidade política -, ilustrada pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff em 2016, tornam mais difícil a atividade jornalística no País.

A organização criticou ainda o panorama da mídia que, segunda ela, continua altamente concentrado, “especialmente em torno de grandes famílias industriais, muitas vezes próximas à classe política”. Em 2015, o Brasil chegou a ocupar a 99ª posição da classificação, mas despencou e agora está na 103ª posição.

O mapa do ranking da RSF pode ser visto aqui neste link.

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