Jornalistas&Cia inicia série de entrevistas com vencedores do 8º Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão

Jornalistas&Cia inicia série de entrevistas com vencedores do 8º Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão

Vencedores da edição do ano passado contam as experiências que tiveram e como a participação no Prêmio contribuiu com a formação deles.

A newsletter Jornalistas&Cia – parceira do Instituto Vladimir Herzog na realização do Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão deste ano – começou a divulgar as entrevistas realizadas com os alunos de Jornalismo vencedores do Prêmio na edição do ano passado.

Nesta primeira entrevista, as gaúchas Larissa Burchard e Louise da Campo, que hoje cursam o quinto semestre de Jornalismo na Universidade Federal do Pampa, em São Borja, extremo oeste do Rio Grande do Sul, contaram um pouco mais sobre a experiência que tiveram.

Sob a batuta da professora Adriana Duval, as alunas deram seus primeiros passos rumo ao reconhecimento nacional. Escolheram abordar o zika – tema proposto pela 8ª edição do Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão – numa região que não constava no mapa como foco da doença, e conseguiram chamar a atenção para uma população carente e esquecida: as mulheres ribeirinhas da fronteira entre Brasil e Argentina.

A proposta para a produção da matéria intitulada Ribeirinhas da fronteira Brasil – Argentina: entre a cultura e as políticas públicas da área da saúde – o risco do vírus Zika foi pensada especialmente para concorrer ao prêmio. “Eu lembro que quando lemos a proposta pensamos no que poderíamos tratar na fronteira, afinal não é um lugar com grandes casos”, diz Larissa. “Aqui em São Borja vivenciamos muito a cultura de cidade fronteira, o Rio Uruguai é um elemento muito importante na nossa história”, conta Louise. “Porém, muitas vezes as pessoas que moram à beira do rio (tanto em São Borja quanto em Santo Tomé, na Argentina) não são vistas, as políticas públicas às vezes não chegam até esses locais. Escutar as histórias dessas mulheres que construíram as suas vidas perto do rio foi gratificante, é contar uma história que praticamente ninguém conhece. E tentar fazer a diferença nessa realidade”.

Confira a entrevista completa:

Reconhecer é preciso
Larissa: A existência de prêmios assim é essencial para motivar os estudantes de Jornalismo a seguir na profissão. Ter algum tipo de estímulo em nosso trabalho na universidade dá um gás a mais para acreditar no que fazemos e assim trazermos retorno à sociedade. Para mim, o prêmio proporcionou uma experiência incrível de repórter. Buscar fontes, entrevistar, viajar, pesquisar, tudo isso acrescentou na minha formação. Conheci outras realidades e percebi o quanto o jornalismo pode fazer pela sociedade, mesmo que seja uma realidade tão distante da sua.

Louise: O Prêmio Fernando Pacheco Jordão teve uma grande importância na minha experiência como futura jornalista. Vivenciar na prática a criação de pauta, realizar entrevistas, conhecer histórias e outros mundos é uma experiência única. Tudo isso me deu novas visões do Jornalismo e me ajudou a ver que essa é a profissão que eu realmente quero.

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Louise da Campo, de 19 anos. Para ela, o Prêmio teve uma grande importância na futura experiência dela como jornalista.

Dificuldades e alegrias da pauta
Larissa: Considero o espanhol como principal dificuldade [para o desenvolvimento da pauta]. Muitas vezes quando íamos a Santo Tomé para entrevistar as fontes eu tinha que pedir para a pessoa repetir o que falava pois era muito rápido. A professora Adriana e a Louise viviam na fronteira há muito tempo. Como eu não entendia nada de espanhol, sofri muito para escrever as entrevistas. O mais gratificante com certeza foi a experiência em conhecer uma nova cultura e entendê-la através do Jornalismo. Na procura de fontes conhecemos Santo Tomé de uma maneira que não iríamos conhecer simplesmente fazendo turismo.

Louise: A principal dificuldade foi na questão do espanhol. Sempre estudei inglês, e quando chegou a hora de produzir a reportagem e precisávamos ir até Santo Tomé era complicado porque eu não tinha muito conhecimento da língua. Mas no fim tudo deu certo e conseguimos nos comunicar bem e entender tudo. Não sei colocar em palavras o quanto foi gratificante toda a experiência em si. Conhecer as histórias dessas mulheres, onde elas vivem, o que elas fazem, suas famílias, seus sonhos e objetivos foi muito incrível, foi como se eu conhecesse aquelas mulheres há muito tempo. E essa é parte mais legal do nosso trabalho, principalmente para mim, que adoro conhecer novos lugares, culturas e pessoas.

Universidade que suporta + professor que estimula = aluno motivado
Larissa: A universidade nos dá o suporte para aprendermos as técnicas e desenvolvermos as habilidades de um jornalista, ainda assim tudo parte do empenho dos alunos. A Unipampa sempre estimulou a nos dedicarmos e buscarmos fora oportunidades de especialização, como cursos, aulas, matérias e concursos. Ter o apoio de toda a comunidade acadêmica é importante, porque nossas conquistas também refletem o empenho na universidade com os estudantes. A professora Adriana nos ensinou manhas do jornalismo em campo, são coisas que a universidade não consegue passar, que só aprendemos na prática. Além disso, ela tem uma criatividade única, sempre nos fez pensar fora da caixa e buscar além do óbvio.

Louise: Nossa universidade sempre estimula a procurar novas formas de exercer o que aprendemos em aula. Os professores em geral são receptivos e atenciosos quando recorremos pedindo ajuda para participar de prêmios e concursos. É legal ter levado para a história da nossa universidade e do curso de Jornalismo esse prêmio. A professora Adriana foi uma mentora incrível durante esse processo. É ótima professora e jornalista. Poder trabalhar e produzir ao lado dela gerou muita aprendizagem, desde o mais básico até o mais complicado. Como ela viveu o mercado, entendeu o processo jornalístico de uma forma muito diferente da sala de aula. E nos ajudou a enxergar a pauta com outros olhos, outra percepção, o que nos deu a oportunidade de conhecer técnicas que um jornalista precisa saber.

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Larissa Burchard, de 20 anos. Para ela, prêmios assim são essenciais para motivar os estudantes de Jornalismo a seguir na profissão.

Jornalismo que escolhe
Larissa: Meus pais tiveram um grande papel no meu amor pela leitura e pela escrita, nós sempre acabávamos lendo reportagens e crônicas dos jornais aqui do Sul. Aos poucos eu fui adquirindo um desejo de conhecer o mundo e escrever sobre ele, assim percebi minha paixão pelas histórias que o jornalismo ajuda a contar. O jornalismo é um grande formador de opinião e gatekeeper da informação, isso é o que aprendemos na universidade. Mas sua contribuição para a sociedade vai muito além dessas duas funções, o trabalho jornalístico apura o olhar das pessoas para o que sempre vemos, mas nunca enxergamos de fato. São histórias, curiosidades e fatos que nunca seriam retratados sem que um jornalista os observasse. O jornalismo tem esse dom de trazer conhecimento, curiosidade e informação da forma mais acessível e criativa possível.

Louise: Gosto de pensar que o jornalismo me escolheu. Quando parei para decidir seriamente o que eu faria tentei procurar profissões que tivessem “a minha cara”, e não foi tão difícil porque eu me considero uma pessoa da área da comunicação desde que comecei a falar. Sabia que acabaria indo para essa área. Adoro novos desafios, aprender sobre diversas coisas (até as que eu nem imaginava), buscar formas criativas de contar histórias, escrever, ouvir e o jornalismo me possibilita tudo isso e muito mais. Vejo nele uma forma de desenvolver a sociedade, é uma área que ajuda a esclarecer, um trabalho de cidadania e uma forma de mobilizar a sociedade. Quando eu era criança sempre tinha o sonho de mudar o mundo e fazer a diferença, mas muitas vezes me decepcionava porque não conseguia sozinha fazer tudo o que queria, e o jornalismo na minha vida vem como uma forma de fazer a revolução e história. Tudo o que nós jornalistas escrevemos, gravamos, publicamos é algo que estará no mundo para várias e várias gerações. Fazer história e revolução é uma forma muito linda de trabalhar.

Internet é oportunidade. Reportagem, o sonho
Larissa: Como ainda sou estudante tento manter minhas expectativas baixas [em relação ao mercado de trabalho] para não me decepcionar tão cedo (risos). Apesar disso, com a internet e os jornais digitais acredito que o mercado de trabalho tem oportunidades para aqueles que buscam. Meu maior sonho é fazer grandes reportagens. Como falei antes, me apaixonei por contar histórias do jornalismo. Espero um dia olhar para trás e ver que pude mostrar meu olhar sobre o mundo da melhor maneira possível e saber que isso contribuiu, de alguma maneira, para a vida de alguém.

Louise: Hoje, com o uso das mídias digitais, o jornalismo precisou se desenvolver e criar novas formas de produzir, isso criou pontos negativos, como o excesso de informações, mas gosto de pensar que criou mais pontos positivos. Atualmente o campo de trabalho para os jornalistas se tornou vasto, podemos produzir áudio, texto, vídeo, infográfico e várias outras coisas em uma única matéria. Temos a oportunidade de criar nosso próprio veículo na internet. Minhas expectativas não são altas nem baixas, acho que o mercado não é fácil em qualquer área. Procuro focar em me dedicar ao máximo e criar um bom portfólio para quando chegar a minha hora de entrar nele. Dedicação, determinação e foco durante a universidade são uma forma de já começar a criar minha imagem profissional. Meu sonho é produzir reportagens que inspirem outras pessoas, assim como as que li durante a minha vida. Sempre gostei de ouvir as diversas histórias perdidas por aí e espero que um dia as minhas mudem alguma vida ou várias vidas. Os jornalistas que admiro me inspiraram imensamente com suas palavras, refletiram sobre diversas coisas em suas linhas e me mostraram novas realidades. Meu sonho é um dia poder fazer isso também.

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Sobre o 9º Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão
De 8 de maio a 19 de junho de 2017, estudantes de jornalismo de todo o país poderão inscrever propostas de pauta no 9º Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão – uma iniciativa do Instituto Vladimir Herzog para estimular o processo jornalístico entre futuros profissionais. Autores das dez melhores pautas terão a oportunidade de contar com o apoio de grandes nomes do jornalismo brasileiro como mentores para a produção das suas matérias.

Nesta edição, os trabalhos deverão abordar como tema “Sob a ponta do iceberg: revelando a violência contra as mulheres que ninguém vê”. As inscrições serão aceitas no site www.jovemjornalista.org.br e o processo permite inscrição individual ou em equipes de até três estudantes por pauta. Para se inscrever, clique aqui.

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