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Jornalismo = diálogo, um projeto que ficou

Jornalismo = diálogo, um projeto que ficou

O que Vlado pensava sobre a responsabilidade do trabalho do jornalista na televisão pode ser avaliado pelo plano que ele preparou, a pedido da presidência da Fundação Padre Anchieta, poucos dias depois de assumir a direção do Departamento de Jornalismo. Nesse trabalho, Vlado não se limitou a sua área especifica de atuação; foi mais além: a partir de sua experiência anterior, de quase dois anos, como secretário do telejornal “Hora da Notícia”, da observação acumulada durante três anos de estágio em Londres, durante o qual fez um curso de cinema e televisão, e também de todo o seu contacto e diálogo constante como o mundo intelectual brasileiro, em cinco anos de Editora Cultural da Visão, propôs o que a TV-Cultura talvez ainda possa desenvolver como uma autêntica filosofia de programação. Esse plano, a que ele chamou “Considerações Gerais Sobre a TV-Cultura. foi entregue ao presidente da Fundação e ao secretário de Cultura, José Mindlin e, segundo o próprio Vlado informou a amigos, uma cópia chegou também ao governador do Estado.

O projeto – cujos tópicos principais reproduzimos aqui, tem muitos pontos em comum com as conclusões de um Grupo de Trabalho que estudou a questão da “Comunicação Social do Governo”, na área da Secretaria de Planejamento, ainda antes da posse do governador Paulo Egydio Martins. Esse Grupo de Trabalho concluiu, na parte diretamente ligada à política de programação da TV-Cultura, que a emissora do governo do Estado padecia de alguns defeitos fundamentais, como: indefinição de objetivos, desconhecimento do público a que se dirige, amadorismo na escolha de temas e na própria realização dos programas e alto grau de elitismo que leva a índices de audiência praticamente nulos. E o mesmo Grupo discutia a necessidade de se estabelecer, como o próprio governador já definira, uma política de comunicação social que permitisse, não só a divulgação dos atos e intenções do governo, como também sua discussão e – mais importante ainda – a abertura de um canal de diálogo para a população manifestar aos governantes seus problemas, suas apreensões, suas queixas e suas sugestões. Neste particular é que o estudo encomendado pelo governo do Estado considerava da maior importância a reformulação da programação da TV-Cultura, em especial do telejornalismo, que – no dizer do secretário da Educação, José Bonifácio Nogueira – “tinha perdido a capacidade de noticiar sem se envolver e, o que é pior, esqueceu totalmente o telespectador. Na parte de telejornalismo, passaram a badalar vergonhosamente o governo, sem mostrar os prós e os contras. Enfim, o programa perdeu a imparcialidade “. (Entrevista de Nogueira, ex-presidente da Fundação Padre Anchieta, ao semanário Aqui, São Paulo, nº 1).