DOE AGORA

Instituto Vladimir Herzog comemora um ano de existência juntando as mãos de público eclético

Instituto Vladimir Herzog comemora um ano de existência juntando as mãos de público eclético

Artigo escrito por Danielle Denny
Ligar erudito ao popular é desafiador, mas foi a receita de sucesso para estimular o pensamento sobre democracia, educação e felicidade. O concerto em homenagem ao Instituto aconteceu no sábado, dia 3 de julho, na Sala São Paulo.

Surpreendeu positivamente o caldo sincrético regido pelo maestro João Carlos Martins com a Filarmônica Bachiana SESI-SP, a bateria da escola de samba paulistana Vai-Vai, a cantora Fafá de Belém e o coral A Música Venceu (o mesmo que participou da interpretação da Nona de Beethoven no último capítulo da novela Viver a Vida). O espetáculo comemorou o primeiro ano de existência do Instituto Vladimir Herzog, na Sala São Paulo, sábado, 3 de julho de 2010, às 21horas.

A programação do Encontro Musical pela Educação, Cidadania e Felicidade começou com Intermezzo, de Pietro Mascagni, suave e bem de acordo com o início. Na sequência, a Sinfonia nº4 em fá menor, Op.36, I Andante sostenuto e Moderato con anima, de Tchaikovsky. Até esse ponto a Filarmônica Bachiana SESI-SP era regida pelo maestro João Carlos Martins.

Em Tributo a Ennio Marricone, João Carlos Martins assumiu o piano e interpretou a trilha do filme “Cinema Paradiso”, junto com a Filarmônica Bachiana SESI-SP, regido por Sergei Eleazar de Carvalho (filho de um dos mais notórios maestros brasileiros: Eleazar de Carvalho, responsável pela fundação da Orquestra Sinfônica Brasileira e da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo).

Na sequência, subiram ao palco Fafá de Belém e as crianças do coral A Música Venceu, da comunidade de Paraisópolis e Carapicuíba, que sob direção de Silvia Shuster, arranjo de José Antônio Almeida e regência de Sergei Eleazar de Carvalho, interpretaram Aprendizes da Esperança, de Kleitom Ramil e Beto Fogaça. João Carlos Martins voltou ao piano para todos juntos executarem a Melodia Sentimental de Heitor Villa-Lobos.

Em seguida Fafá de Belém cantou O Bêbado e a Equilibrista de João Bosco e Aldir Blanc, uma das músicas mais marcantes da época da ditadura em que há menção à Clarice, viúva de Vladimir Herzog (“Choram Marias e Clarices no solo do Brasil”).

A Bateria da Vai-Vai então veio a público para conferir uma poderosa batida popular às músicas seguintes que variaram desde a Sinfonia nº 5 em dó menor Op, 67 (I Allegro con brio) de Ludwig van Beethoven até o Hino Nacional Brasileiro.

Maior que o desafio de ornar esse caldo musical tão heterogêneo e de reger músicos com bagagens tão diferentes foi escolher um repertório que agradasse ao público díspare em termos de idade, gosto musical e origem.

Independentemente se conseguiu agradar a gregos e a troianos, o evento valeu também pela oportunidade de relembrar a história, homenagear a memória de Vladimir Herzog e, de certa forma, promover a construção da democracia. Afinal a cultura é ferramenta importante que pode ser usada para a integração social e, consequentemente, para o aprofundamento da democracia brasileira.

Danielle Denny é participante do Projeto Repórter do Futuro (saiba mais no site da Oboré – www.obore.com)