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Índios são atacados pela PM em Brasília durante ato para denunciar violações de direitos

Índios são atacados pela PM em Brasília durante ato para denunciar violações de direitos

Um grande grupo de índios está em Brasília para protestar contra o governo Temer e para reivindicar o avanço na demarcação de terras indígenas.

A Polícia Militar de Brasília reprimiu violentamente um protesto pacífico de comunidades indígenas em frente ao Congresso Nacional nesta terça-feira, 25 de abril. Mais de 3 mil índios estão no local para a 14ª edição do Acampamento Terra Livre, mobilização que luta pelos direitos dos povos indígenas e demarcação de terras.

A PM, que utilizou spray de pimenta, balas de borracha e bombas de gás contra os manifestantes – incluindo idosos e crianças – justificou o ataque com o argumento de que os indígenas estavam tentando invadir o Congresso. Também falaram em “confronto” pelo fato de os índios carregarem arcos e flechas. As tropas da PM, por sua vez, estavam armadas com carros blindados, escudos, armas e ainda contava com o apoio de carros da Força Nacional.

Integrantes do movimento dos indígenas relataram ainda que há mulheres feridas e que um dos ataques à bomba da PM foi direcionado contra um grupo de indígenas que estavam sentados.

Acampamento Terra Livre
Na última segunda-feira, 24 de abril, começou o Acampamento Terra Livre, que deve reunir cerca de 1,5 mil lideranças indígenas de todo país em Brasília até o dia 28 de abril. De acordo com a organização do evento, a mobilização busca “unificar as lutas em defesa do Brasil Indígena, além de reunir em grande assembleia lideranças dos povos e organizações indígenas de todas as regiões do Brasil para discutir e se posicionar sobre a violação dos direitos constitucionais e originários dos povos indígenas e das políticas anti-indígenas do Estado brasileiro”.

No início de abril, mais de 30 organizações indígenas e indigenistas denunciaram ao Alto Comissariado da Organização das Nações Unidas (ONU) que os últimos meses foram marcados por sinais preocupantes de retrocesso no cumprimento dos direitos indígenas.

Em carta enviada à relatora Especial da ONU sobre os Direitos dos Povos Indígenas Victoria Tauli-Corpuz, as entidades criticaram propostas legislativas, como a PEC 215, que transfere do Poder Executivo para o Legislativo a palavra final sobre a demarcação de terras indígenas; a tentativa de criminalização de lideranças indígenas e de organizações que as apoiam (como, por exemplo, o Conselho Indigenista Missionário) e o que classificam como o “desmantelamento das políticas públicas voltadas à população indígena”.

Confira imagens da repressão policial aos índios ocorrida em Brasília (fotos: Mobilização Nacional Indígena/Mídia NINJA):terralivre1

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