Exposição Resistir É Preciso… inspira documentário dedicado à atuação da imprensa brasileira durante a ditadura (2014)

A mostra Resistir É Preciso…, idealizada pelo Instituto Vladimir Herzog e organizada em parceria com o Ministério da Cultura e o Banco do Brasil, inspirou o jornalista Ricardo Carvalho a produzir um documentário inédito na TV brasileira sobre o histórico da imprensa política no País. O trabalho, que leva o mesmo nome da exposição, tem co-produção da TV Brasil, TC Filmes e TVM, e será lançado na próxima segunda-feira, na Cinemateca Brasileira. O documentário, dividido em 10 episódios e televisionado pelo canal TV Brasil, exibirá os cinco primeiros capítulos de 24 a 28 de março, às 19h30, e os últimos cinco de 31 de março a 4 de abril, no mesmo horário.

Resistir É Preciso… traz uma perspectiva nunca antes abordada em um programa televisivo, pois trata de toda a trajetória da imprensa nacional em um dos momentos mais críticos de sua existência, que começou com o golpe de 1964. Segundo Ricardo Carvalho, que idealizou e foi o diretor geral deste projeto, o jornalismo brasileiro cresceu muito nesta fase. “Com a explícita intenção de resistir e combater o golpe de 64, uma forma de jornalismo nasceu, cresceu e se expandiu no exílio e na clandestinidade, e até nas bancas quando foi possível publicá-las”, ressalta.

Com lançamento marcado para o dia 24 de março, às 20 horas, na Cinemateca Brasileira, localizada no Largo Senador Raul Cardoso – 207, na Vila Mariana, o primeiro dos 10 episódios faz uma viagem de volta no tempo, até 1867. O ano ficou marcado pela publicação da primeira charge política da História da imprensa nacional, o que dá o tom do tratamento de questões políticas com base no humor, faceta muito característica do jornalismo brasileiro.

Durante o documentário são citadas quase 100 publicações, desde as mais conhecidas, como os jornais Pasquim, Opinião e Movimento, passando pelos jornais estudantis, de comunidades e de sindicatos.  Para Ricardo Carvalho, os jornais regionais também desempenharam papel de destaque na luta contra a o regime militar. “O programa viaja ao Acre, a Minas, Pernambuco e ao Rio Grande Sul, destacando esta imprensa regional e independente que desempenhou um papel da maior importância e é muito pouco conhecida”, comenta.

São mais de 50 entrevistas realizadas ao longo dos últimos três anos com os protagonistas daquele período. São jornalistas, intelectuais e militantes, como Carlos Azevedo, que viveu 10 anos na clandestinidade e que, junto com a sua família, fazia os jornais do PCdoB – Partido Comunista do Brasil. Essas entrevistas destacam, inclusive, as razões que fizeram com que os jornalistas passassem a atuar de forma tão intensa e decisiva contra o regime militar. “Resistir ao golpe e à ditadura faz parte de um cenário maior que está encravado na historiografia e tradição brasileiras: a circulação de jornais para a difusão de ideias que concordem ou não com o poder instituído”, finaliza Ricardo.

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