Nascido na cidade de Verona em 1941, Antonio Benetazzo deixou a Itália junto aos pais em 1950, partindo rumo ao Brasil onde, na juventude, integraria importantes organizações como o Partido Comunista do Brasil (PCB), a Aliança Libertadora Nacional (ALN) e o Movimento de Libertação Popular (MOLIPO). Perseguidos no país natal pelo fascismo de Mussolini, a família italiana de classe média baixa buscava encontrar melhores condições de vida na América do Sul. Filho de comerciante que estabeleceu pequenos negócios em diferentes locais, Antonio Benetazzo cresceu no trânsito entre diferentes municípios.

Durante sua infância Antonio morou nas cidades de São Vicente e Caraguatatuba e, já na adolescência, se mudou no ano de 1960 para Mogi das Cruzes onde cursou o colegial no Instituto de Educação Washington Luiz. No colégio se engajou em atividades artísticas, esportivas e políticas, integrando o grêmio estudantil, filiando-se ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) e participando da organização de bailes, debates, exibições de filmes e também na criação do Teatro Experimental Mogiano (TEM). Datam dessa época, mais precisamente do ano de 1963, as primeiras obras encontradas por este projeto.

Em 1964, após terminar o colegial, Benetazzo se muda para São Paulo onde cursará simultaneamente as Faculdades de Arquitetura e Urbanismo e de Filosofia da USP. Nesse período participa do Centro de Cultura Popular (CPC) e da União Nacional dos Estudantes (UNE) e passa a frequentar a Casa do politécnico, uma moradia universitária vinculada à Escola Politécnica da USP de intensa efervescência política e cultural. A segunda metade da década de 1960 é o período de mais intensa produção artística de Benetazzo. No período Antonio foi professor de filosofia e de História da Arte no Cursinho universitário e no Instituto de Artes e Decoração (Iadê) e produziu mais de 180 obras com estilos variados, conforme levantamento realizado pelo projeto. Além de esboços e pinturas, datam dessa época fotografias e também a incursão de Benetazzo em dois filmes dirigidos por Francisco Ramalho, primeiro como ator em Menina moça (provavelmente de 1966) e então como cenógrafo e diretor de arte em Anuska, manequim e mulher (1968) – onde também atuou como figurante.

Simultaneamente às atividades artísticas, Benetazzo ampliou o seu engajamento político. Em 1965 rompe com o Partido Comunista Brasileiro (PCB), que assumira uma resistência “pacifista” e institucional, e se aproxima da Dissidência Universitária de São Paulo (DISP).  A partir de 1968/69 passa a integrar a Aliança Libertadora Nacional (ALN). É nesse período que conhece o jornalista e ex-guerrilheiro militante da Ala Vermelha Alípio Freire, que é, atualmente, um dos principais responsáveis pela preservação da memória artística e política de Benetazzo.

Junto ao artista Cláudio Tozzi Benetazzo desenha a xilogravura do cartaz do 30º Congresso da UNE, realizado em 1968 em Ibiúna onde o artista-militante foi preso com cerca de oitocentos delegados e dirigentes do movimento estudantil. Com a intensificação da repressão, integrando a ALN, Benetazzo lança-se na clandestinidade em 1969 e se muda para Cuba para realizar treinamento político. Em Cuba, com outros militantes, funda o Movimento de Libertação Popular (MOLIPO) após divergências e rompimentos junto a ALN que vieram com a morte de Marighella.

Em 1971, mesmo em meio ao violento recrudescimento da ditadura, e em especial ao MOLIPO, Benetazzo retorna secretamente ao Brasil e, ainda na clandestinidade ajuda a desenvolver inúmeras ações políticas pelo MOLIPO. No decorrer de 1972, redigiu praticamente todos os textos do Imprensa popular, jornal oficial do MOLIPO, no qual denunciava a ditadura e defendia a luta armada como projeto de resistência contra o regime militar. 

Benetazzo retornou ao país em um dos anos mais violentos da repressão; conforme apontado no relatório da Comissão Nacional da Verdade, os militares prometiam executar todos os 28 militantes retornados de Cuba, e com Benetazzo não foi diferente. Em 28 de Outubro de 1972 ao entrar na casa do operário e militante político Rubens Carlos Costa, na Vila Carrão, Benetazzo foi surpreendido com a presença de policiais que o levaram para a sede do DOI-CODI em São Paulo, importante aparelho de repressão onde muitos militantes foram torturados e executados. Dois dias depois, em 30 de outubro de 1972, após ser brutalmente torturado, Benetazzo foi assassinado.

A primeira versão oficial divulgada em 2 de Novembro de 1972 relata que Benetazzo foi detido e conduziu os policiais para um suposto local na Rua João Boemer, no Brás, onde se suicidou se jogando sob as rodas de um caminhão. Ainda em 1972, veículos de imprensa como ‘’O Diário da Noite’’ e o ‘’Estado de São Paulo’’ publicaram versões da história que confirmavam a hipótese oficial do suicídio.

Como feito com outras vítimas da repressão, Benetazzo foi enterrado no cemitério Dom Bosco, em Perus, no dia 31, ou seja, dois dias antes da publicação de sua morte pelos órgãos da imprensa. A versão oficial dada pelos agentes do regime militar à época já se apresentava como frágil e se confirma como completamente falsa com o livro “A Casa da Vovó” do jornalista Marcelo Godoy. Pela primeira vez o livro reúne depoimento dos agentes da ditadura, com relatos de torturas, execuções e outras práticas, entre eles, do assassinato de Benetazzo.

Em sua homenagem ao artista-militante, a cidade de São Paulo deu o seu nome a uma praça localizada atrás do Museu de Arte de São Paulo (MASP).

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