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Ex-delegado confessa torturas e mortes na Ditadura Militar

Ex-delegado confessa torturas e mortes na Ditadura Militar

O ex-delegado Cláudio Guerra prestou depoimento nesta quarta-feira (23) à Comissão da Verdade, em Brasília.

 

Edição do dia 23/07/2014

23/07/2014 21h29 – Atualizado em 23/07/2014 21h29

Matéria do Jornal Nacional

 Foto ilustrativa

O ex-delegado Cláudio Guerra prestou depoimento nesta quarta-feira (23) à Comissão da Verdade, em Brasília. E voltou a confessar responsabilidade por mortes e torturas na Ditadura Militar.

A comissão mostrou fotos de desaparecidos e de militantes executados no período da ditadura. O ex-delegado e ex-agente do SNI, o Serviço Nacional de Informações, confirmou que queimou doze corpos numa usina de cana de açúcar em Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro.

“Os coronéis que estavam no comando do país, que eram os coronéis, queriam um meio de desaparecer mesmo. Era incinerado”, declarou Cláudio Guerra.

De acordo com Guerra, os corpos eram coletados na chamada “casa da morte”, em Petrópolis, e num quartel no Rio. Entre as vítimas, ele identificou a professora da USP, Ana Rosa Kucinski, o marido dela e o ex-deputado estadual por Pernambuco David Capistrano.

“Peguei esse corpo lá também e levei para ser incinerado”, conta.

E disse que ele mesmo matou pelo menos cinco opositores ao regime. No depoimento, Cláudio Guerra contou que o acidente que matou a estilista Zuzu Angel foi forjado.

A Comissão Nacional da Verdade está finalizando um relatório específico sobre as mortes de Zuzu e do filho dela, Stuart.

Os integrantes dizem que o relato desta quarta-feira é um indício a mais de que o acidente não foi uma fatalidade.

“Até hoje, as forças aramadas insistem em negar que Zuzu Angel tenha sido vítima de um assassinato, ou seja, de um atentado que tirou a vida, já que ela era uma figura incomoda para o regime”, comentou Pedro Dallari, coordenador da comissão.

Desde maio, Cláudio Guerra é réu no caso do atentado de 1981 ao Riocentro. Ele e outros cinco são acusados de planejar o ataque a bomba durante um show pelo dia do trabalho.

O Ministério da Defesa não quis comentar as declarações de Cláudio Guerra e disse que vai continuar colaborando com a comissão nacional da verdade.

 

Veja o video da reportagem