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Equipe vencedora do 6º PJJ viaja a Israel

Equipe vencedora do 6º PJJ viaja a Israel

A equipe que produziu a melhor matéria para o 6º Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão foi a Tel Aviv e Jerusalém.

Entre os dias 17 e 27 de abril de 2015, as estudantes de Jornalismo Jéssyka Saquetto, Laís Rocio e Rafaela Laiola, da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES); o professor Victor Gentilli (UFES); o editor-chefe do jornal A Tarde (Salvador- BA), Paulo Oliveira; o assistente de Comunicação do Instituto Vladimir Herzog, Julio Maia; e a jornalista Ana Luisa Zaniboni Gomes, diretora da OBORÉ e curadora do Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão, estiveram em Israel para a viagem anual de estudos promovida pelo Instituto Vladimir Herzog.

As estudantes participaram do 6º Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão (2014) e produziram a matéria jornalística “Nossas Cláudias, Nossos Amarildos”, vencedora da edição, abordando a violência da Polícia Militar no Espírito Santo. Durante as etapas do trabalho, foram orientadas pelo professor Victor Gentilli e pelo jornalista Paulo Oliveira, diretor da Abraji, especialmente convidado pela coordenação do projeto para acompanhar a produção da reportagem.

Durante uma semana o grupo teve a oportunidade de conhecer um país que, pela mídia, ou é representado por seu turismo religioso ou por seus aparatos e conflitos bélicos. Israel tem cerca de nove milhões de habitantes e é um cenário que concilia modernidade e passado. Cerca de 90% do território israelense é abastecido com água do Mar Mediterrâneo e por isso construiu e mantém a maior usina de dessalinização do mundo. É líder mundial em exportação de produtos hortícolas e frutícolas, mesmo com solos desérticos e clima seco. Em contraste com esse aparato tecnológico, Israel conserva estruturas arquitetônicas que datam de cinco mil anos atrás.

O grupo visitou a capital, Tel Aviv, toda a área histórica de Jerusalém, percorreu a Cisjordânia, a Faixa de Gaza e a região do Mar Morto.  Conheceu cidades como  Hebrom, Haifa, Akko, Nazareth e a região de Masada. A vivência nesses locais proporcionou o retorno às tradições da memória de diferentes povos. A história da religiosidade se torna presente em igrejas, mesquitas e sinagogas que sobrepõem ruínas arqueológicas onde ocorreram acontecimentos que marcaram o início de diferentes religiões. A cidade de Jerusalém, por exemplo, é um lugar sagrado para judeus, muçulmanos e cristãos, pois sedia lugares que são fundamentais para suas crenças religiosas, como o Muro das Lamentações, o Monte do Templo, a Mesquita de Al-Aqsa e a Igreja do Santo Sepulcro. Outros monumentos religiosos de importância estão na Cisjordânia, entre eles o local de nascimento de Jesus e a Caverna dos Patriarcas, em Hebron. O centro administrativo da Fé Bahá’í  e do Santuário do Báb estão localizadas no Centro Mundial Bahá’í, em Haifa – visitas imperdíveis.

Os conflitos históricos pela dominação dos espaços persistem até hoje no território israelense, perceptíveis na segregação territorial e social entre judeus e árabes. O muro da separação tem hoje 800 quilômetros de extensão e começou a ser construído em 2001 pelo governo de Israel para demarcar a divisão entre cidades judaicas e árabes, evitando o contato entre os dois povos.

A Faixa de Gaza, uma das regiões isoladas pelo muro, compreende a cidade de Gaza e partes de outras cinco cidades anexadas a essa região. O território é controlado pelo exército israelense a fim de impedir e fiscalizar o trânsito de árabes para o território judeu.

As cidades que fazem fronteira com a Faixa de Gaza são dotadas de serviço de inteligência para prever bombardeios e prevenir possíveis ataques, como o do Hamas (grupo islâmico que atua na região). Os pontos de ônibus, escolas e casas possuem abrigos antiaéreos para casos de emergência. O exército israelense também age em represália aos ataques. Todos os cidadãos israelenses têm o dever de se alistar às Forças Armadas ao completarem 18 anos. As mulheres devem servir por dois anos e os homens durante três anos.

O grupo também visitou o Yad Vashem, em Jerusalém, museu construído em memória aos seis milhões de judeus que morreram no Holocausto, ocorrido durante a 2ª Guerra Mundial.

A viagem a Israel foi cuidadosamente planejada e realizada de forma a não se resumir a turismo, mas sim uma aula de campo. Samuel Feldberg, professor de Relações Internacionais das Faculdades Rio Branco e da Universidade de São Paulo, organizador da programação, assim como o guia de turismo, o brasileiro Orem Fucs Bar, não mediram esforços para auxiliar o grupo no entendimento da história de cada lugar visitado, já que foi um mergulho em uma nova realidade, pouco explorada e conhecida para a maioria do grupo.