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Clarice Herzog é homenageada pela Câmara Municipal durante a semana da Lei da Anistia (2011)

Clarice Herzog é homenageada pela Câmara Municipal durante a semana da Lei da Anistia (2011)

Clarice Herzog, presidente do Instituto Vladimir Herzog e viúva do jornalista torturado e morto em 1975 por agentes da ditadura, recebe, neste dia 26 de Agosto, na Câmara Municipal de São Paulo, a Medalha Anchieta e o Diploma de Gratidão da Cidade, que juntos constituem a maior honraria paulistana. A condecoração, iniciativa do vereador Eliseu Gabriel, acontece na mesma semana do aniversário de 32 anos da Lei de Anistia no Brasil.

Por iniciativa da ex-vereadora Soninha Francine, idênticas distinções serão entregues postumamente ao cronista Lourenço Diaféria, que escrevia na Folha de S. Paulo até 1977, quando foi preso e processado com base na Lei de Segurança Nacional, pela autoria da crônica “Herói. Morto. Nós”, considerada ofensiva às Forças Armadas. Após três anos, o cronista foi absolvido e voltou a escrever no mesmo jornal.

Clarice Herzog explica que recebe a honraria não apenas em seu nome, “mas nos de todas as incontáveis pessoas – conhecidas e anônimas – que, em todo o Brasil, combateram a ditadura e combatem os autoritarismos; lutaram pela democracia e lutam pela total liberdade de expressão do pensamento”.

A viúva de Vladimir Herzog lembra que o assassinato do jornalista, seguido pelo do operário Manoel Fiel Filho e antecedido pelo do estudante Alexandre Vannucchi Leme, “mostrou que toda a cidadania era vítima da violência encastelada no poder e marcou o início da derrocada de um sistema que impunha a unanimidade pela força. Foi também o começo da luta pela anistia, que só viria quatro anos mais tarde, em 1979”.

Clarice Herzog destaca, ainda, o processo judicial que ela e seus filhos moveram para que a União Federal fosse declarada responsável pela prisão, tortura e morte de Vlado, como era conhecido o jornalista. Liderado pelos advogados Heleno Fragoso, Sérgio Bermudes, Marco Antonio Rodrigues Barbosa e Samuel Mac Dowell, o processo culminou com a condenação da União, em 29 de Outubro de 1978, por sentença do juiz federal Márcio José de Moraes.

Pouco antes, já prevendo o desfecho que lhe seria desfavorável, o governo ainda fez uma desesperada tentativa de frustrá-lo, impedindo o juiz João Gomes Martins Filho de ler sua sentença. Esse magistrado, porém, escreveu, pouco mais tarde, que, “por palavras diferentes”, ambos os juízes haviam chegado à mesma decisão de condenar a União, com base na Constituição Federal e no Código Civil.

ETERNIZAR VALORES

Clarice afirma que, “quando me perguntam se essa condenação me consola, eu sempre respondo que ela me alivia, mas jamais será suficiente para reconhecer os valores pessoais do Vlado, seu comprometimento com a vida, sua lealdade para com as pessoas, seu despojamento (inclusive consigo próprio), seu sentido de responsabilidade individual, profissional e de cidadania”.

“São valores como esses – conclui – que nós pretendemos eternizar e disseminar, primeiramente por meio do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, criado em conjunto com o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo e outras entidades e que já está em seu Ano 33; e agora também pelo trabalho do Instituto Vladimir Herzog, fundado em 2009 e que tem a missão de contribuir para a reflexão e produção de informações que garantam o direito à vida e o direito à justiça – democracia, liberdade e justiça social”.

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