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A homenagem de Rogério Sottili a Zilah Abramo no 40º Prêmio Vladimir Herzog

A homenagem de Rogério Sottili a Zilah Abramo no 40º Prêmio Vladimir Herzog

Rogério Sottili, diretor-executivo do Instituto Vladimir Herzog, prestou uma emocionante e merecida homenagem a Zilah Abramo, um nome histórico na luta pela democracia, pelos direitos humanos e pela liberdade de expressão.

Zilah, que faleceu em agosto deste ano, era conselheira do Instituto Vladimir Herzog desde a criação do IVH, em 2009, foi ainda fundadora do Partido dos Trabalhadores (PT) e presidia a Fundação Perseu Abramo.

Foi casada com Perseu Abramo, um dos mais relevantes nomes do jornalismo brasileiro. Depois, à frente da fundação que levava o nome de seu companheiro, viabilizou debates e iniciativas fundamentais para o fortalecimento da democracia no país. Formada em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (USP), foi professora da Universidade de Brasília (UNB) e militou no Comitê Brasileiro pela Anistia (CBA).

Confira aqui, na íntegra, o discurso proferido por Rogério Sottili em homenagem a Zilah:

“Coragem. Sabedoria. Resiliência.

Faltam palavras para descrever a grandiosidade de Zilah Abramo.

Zilah fez história. Fez parte da nossa história. E da história de todo o Brasil.

Era presidente da Fundação Perseu Abramo, conselheira do Instituto Vladimir Herzog. Mas muito antes disso, lutou contra o Golpe de 64. Resistiu ao AI-5. Bradou contra o assassinato de Vlado. Participou do movimento pela Anistia. E fez campanha pelas Diretas Já.

Mesmo nos momentos mais difíceis, em que se posicionar era um ato de ousadia, Zilah jamais se acovardou.

Se abater ou se isentar eram conceitos que não faziam parte de seu vocabulário.

Encontrou na sabedoria e na prudência de Perseu Abramo a companhia perfeita. Viveram juntos por mais de 40 anos e desta união vieram Laís, Mario, Helena, Bia e Marta – a quem, junto a Perseu, também presto minha homenagem.

Para mim, pessoalmente, Zilah foi, acima de tudo, uma inspiração. Não foram poucos os momentos em que senti a necessidade de recorrer a sua inabalável disposição. E desses encontros era impossível não sair revigorado e disposto a encarar de frente os desafios que a vida nos impõe.

Curiosa, cheia de ideias e propostas. Lutava como podia. Quando sua saúde não a permitia ir às ruas, fazia tudo para exercer sua cidadania. Foi assim que acompanhei Zilah naquele que talvez tenha sido seu último voto. Com seu caminhar lento, determinado, cravou na urna o que acreditava ser melhor para o Brasil.

Os dias de hoje nos mostram que lutar pelos direitos humanos requer muita determinação.

O Brasil vive um dos mais delicados momentos de sua história.

Somos, todos os dias, atacados por defender um país mais justo, igualitário e socialmente responsável.

Nossa democracia está em risco. Nossos direitos estão ameaçados.

Ainda assim, estamos aqui. Enchendo este teatro. Resistindo. Lutando.

Tenho certeza que, de alguma forma, Zilah também está aqui entre nós, orgulhosa por perceber que sua história e seu legado jamais serão esquecidos.

É também em nome dela e em homenagem a ela que lutamos.

E continuaremos lutando sempre.

Pelos direitos humanos, pela democracia, pela liberdade de expressão, pelo direito à memória, à verdade e à justiça.

Termino falando de uma frase de Carlito Maia que ela gostava e que define Zilah Abramo: “Tudo que precisamos é um dos outros”.

Obrigado!”