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42 anos depois: o legado de Vladimir Herzog

42 anos depois: o legado de Vladimir Herzog

Há exatos 42 anos, no dia 25 de outubro de 1975, Vladimir Herzog era brutalmente assassinado por agentes do Estado dentro das dependências do DOI-CODI, o centro do extenso aparato de repressão do regime militar em São Paulo.

A morte do Vlado fez com que a população fosse às ruas. O inesquecível culto ecumênico na Catedral da Sé, no dia 31 de outubro daquele mesmo ano, era não só um ato de solidariedade a Clarice Herzog e a toda família de Vlado, mas também um forte grito contra a crueldade do regime militar, que naquele momento entrava numa decadência que culminaria com sua derrubada alguns anos depois.

Vladimir Herzog, os companheiros de sua geração e de tantas outras que bravamente lutaram e, muitas vezes, deram suas próprias vidas por aquilo que acreditavam deixaram um legado de justiça e democracia para o nosso país.

No entanto, infelizmente, parece que ainda hoje não fizemos bem o nosso dever de casa de aprender com esses exemplos. Assistimos, diariamente, a homenagens a torturadores, anistiamos assassinos que permanecem impunes, nossas escolas não falam adequadamente sobre nosso passado. Consequentemente, somos obrigados a conviver com ameaças graves à democracia, com retiradas de direitos da sociais, com práticas de censura à arte, à cultura e à liberdade de expressão.

Ainda somos um país que pretende revogar regras do trabalho escravo, que propõe o fim das leis trabalhistas, que criminaliza os movimentos sociais, que desrespeita o Estado de direito.

Tudo isso impõe a nós, do Instituto Vladimir Herzog, a árdua tarefa de intensificar a mobilização pela defesa da democracia, dos direitos humanos e da liberdade de expressão, direito à memória, à verdade e à justiça.

Para mim, particularmente, é uma honra e um grande desafio dirigir esta instituição em um momento como este. O legado de Vlado e a luta de Clarice estão e sempre estarão presentes no dia a dia do IVH e toda a sociedade brasileira. Nosso compromisso é com o presente e, principalmente com o futuro do Brasil, em busca de um país verdadeiramente democrático e respeitador dos direitos humanos e da liberdade de expressão.

Neste 25 de outubro lembramos de Vlado para comemorarmos e celebrarmos sua vida. Mas também para nos comprometermos ainda mais com a sua histórica luta por um país mais justo.

Rogério Sottili
Diretor-executivo do Instituto Vladimir Herzog
25 de outubro de 2017